junho 06, 2021

O MAÇOM E O SAL - Sergio Quirino





O ir. Sérgio Quirino é um notável erudito da maçonaria e é o atual Grão-Mestre da GLMMG 2021/2024


Uma passagem no Livro da Lei merece reflexão de todos nós, pela profunda simbologia e pelo que diz das ocupações, ofícios e condições dos que se propõem a realizar algo.

Está em Mateus, capitulo 5, versículo 13; “Vós sois o sal da terra. Mas, se o sal perder o seu sabor, com que se há de salgar? Não servirá para nada, exceto para ser lançando ao solo e pisado por quem passa”

A segunda parte, mais densa, de certa forma, até desumana, tem sua compreensão no versículo: “Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar” (Gênese 3,19).

Muitos são os significados simbólicos na relação Maçom/Sal encontrados na Câm.’. Refl.’..

O sal na medida certa pode simbolizar a vida, por imprimir sabor aos alimentos. Nesta dosagem ele proporciona saúde e prazer. Existe outra medida que preserva o alimento e evita sua deterioração. Há ainda outras quantidades que, simplesmente, o estragam.

O que em nos nossos labores podemos fazer na analogia com o sal? As instruções maçônicas, que são o próprio sal.

O conhecimento maçônico é o que dá “sabor” à vida do Maçom. Este “alimento” nos mantém “saudáveis”, nutrindo e afastando a degeneração causada pelos vícios.

Assim como na Medicina, a “obesidade mórbida maçônica” é uma realidade e se apresenta mais perigosamente em Grau 3.

Longe de mim propor aos Irmãos que cessem de se alimentar/instruír. Mas, não podemos nos descuidar dos “desvios alimentares” ou a aplicação equivocada do “sal” em pratos diferentes.

Na analogia alimentar, digamos que pratos famosos sejam Ritos. O Rito da Feijoada Brasileira, o Rito do Strogonoff Russo, o Rito da Sopa de Cebola Francês, são pratos/ritos muito “saborosos”, com tradição e real valor nutricional/instrucional. PORÉM, devemos compreende-los como originalmente completos, portanto mantendo suas características.

Imagine uma Sopa de Cebola feita com feijão, uma feijoada com asas de frango ou strogonoff com orelha de porco!

Este alerta é necessário para os Irmãos terem consciência do que se trata o “sal”, que é útil a um prato e pode estragar um outro. Assim, deve ser dosado o tempero que se acrescenta nas instruções.

Encontramos Irmãos que não querem se instruir, são os insípidos e completamente DES-SAL-INIZADOS.

Os bem nutridos/instruídos, são os SAL-DÁVEIS (permita-me esta breve digressão de vocábulo).

No outro extremo estão os Irmãos SAL-GADOS, carregados de informação, sem controle do necessário tempero.

Lamentavelmente, existem Irmãos que, por conduta própria ou mal conduzidos, se tornam indigestos.

A estes, nossa tolerância. Aos “saudáveis”, nosso respeito. Aos “sem sabor”, nossa dedicação.

A PROGRESSÃO DO MAÇOM SE FAZ POR AUMENTO DE SAL-ÁRIO,

NA MEDIDA EXATA ENTRE O APRENDER E O ENSINAR.

Atingimos quinze anos de compartilhamento de instruções maçônicas. Nosso propósito fundamental é incentivar os Irmãos ao estudo, à reflexão e tornar-se um elemento de atuação, legítimo Construtor Social.

Sinto muito, me perdoe, sou grato, te amo. Vamos em Frente!

Fraternalmente

Sérgio Quirino

Candidato a Grão-Mestre - GLMMG 2021/2024

DA CURIOSIDADE À SABEDORIA - Gabriel Campos Oliveira



O Ir. Gabriel Campos de Oliveira publica em diversos grupos a coluna "Fatos Maçonicos do dia" que traz sempre informações interessantes. 

 

Os termos “informação”, “conhecimento” e “sabedoria” são freqüentemente utilizados com o mesmo sentido, o que traz muitas interpretações dúbias e até errôneas, principalmente no que diz respeito aos termos conhecimento e sabedoria.

A informação é o dado em seu estado bruto, captado pelos sentidos de todos os níveis: um odor, uma imagem, um pressentimento, etc. O conhecimento é a informação analisada, compreendida e incorporada. A sabedoria é o conhecimento submetido ao julgo da Ética e da Moral. Desta forma, não há sabedoria sem conhecimento, e nem conhecimento sem informação.

No entanto, a informação que não é transformada em conhecimento é inútil. A inteligência é o dom humano capaz de “digerir” as informações, através da análise, e transformá-la em conhecimento útil. Para guardar uma informação, precisamos retê-la em nossa memória; para guardar um conhecimento, devemos incorporá-la em nossa mente e, conseqüentemente, em nossa maneira de pensar.

De forma semelhante, o conhecimento diferencia-se da sabedoria. O conhecimento que não é transformado em sabedoria está sujeito a tornar-se alimento para o vício, um vício mental que, incorporado em nossa mente, passa a influenciar negativamente nossa maneira de desenvolver processos mentais. A Sabedoria é a mãe de todas as virtudes, pois é dela que se origina a prática consciente dos bons hábitos que, incorporados em nossa maneira de pensar, conduzem o homem à Verdade.

Sendo a ignorância a ausência de conhecimento, ainda que a mente possua informação em abundância, esta é menos perigosa do que o conhecimento que não é feito sabedoria, pois conhecer sem saber é como possuir uma espada sem os critérios que diferenciam sua utilidade consagradora de sua capacidade mortal.

A ignorância é o estado original de todo o ser pensante, inicialmente desprovido de conhecimento por não ter sido alimentado pela informação obtida pela experiência e pela instrução. Sabe-se que não é possível dar conhecimento ao homem, pois este só pode ser construído por ele mesmo. No entanto, é possível fornecer-lhe informação, submetendo-o às experiências e instigando-o à busca. Para tanto, a curiosidade cumpre seu papel de alavanca que impulsiona o homem a buscar a informação e, através desta, a construir o conhecimento.

Na iniciação Maçônica, mais precisamente na Câmara de Reflexões, existe a frase “Se a curiosidade aqui te conduz, retira-te”, que tem como objetivo alertar o candidato que este deverá desistir de ingressar na Maçonaria caso sua motivação seja a mera curiosidade. Esta curiosidade, enquanto apenas desejo a ser saciado, age tão somente como elemento de busca da informação, não digerida e, possivelmente, mal interpretada.

No entanto, não devemos condenar a curiosidade, pois ela é parte integrante de qualquer ser pensante. Sendo um elemento útil ao aprendizado, a curiosidade é a força impulsionadora do espírito investigativo, necessário à busca do conhecimento e, conseqüentemente, da sabedoria.

É através da curiosidade que despertamos para o aprendizado, lançando mão da fé - não aquela cega ao mundo e limitada aos dogmas - para perseverar na busca, utilizando a inteligência para analisar o mundo à nossa volta, colocando o conhecimento obtido sob o julgo da retidão Moral, da sinceridade de propósitos

  O sinal mais seguro da Sabedoria é a constante serenidade.

"Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te."

Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.”

TFA GABRIEL CAMPOS DE OLIVEIRA .  :