junho 07, 2021

A MAÇONARIA E OS MÓRMONS




A Maçonaria não surgiu apenas como uma sociedade secreta que desejava transformar a sociedade em que vivia. Vale destacar, no entanto, o peso da maçonaria nos processos revolucionários do século XIX. Porém, um dos seus atrativos era a pretensão dos iniciados de possuírem conhecimentos secretos, uma gnose que lhes eram transmitida. Isso explica o considerável papel representado pela maçonaria na configuração de algumas seitas surgidas durante o século XIX e no importante ressurgimento do ocultismo desse século e do seguinte.

Os Mórmons

Dentre as seitas contemporâneas, a mais importante é a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias, mais conhecida como mórmom. Seu fundador Joseph Smith Jr. era maçom, tendo a maçonaria  desempenhado um papel bastante considerável no nascimento e estabelecimento da seita por ele fundada.

O pai, Joseph Smith Jr., havia iniciado no grau de mestre maçom em 7 de maio de 1818 na loja maçônica de Ontario n. 23 de Canandaigua, Nova York. Um dos filhos mais velhos, Hyram Smith, era membro da loja maçônica Mount Moriah n. 112 de Palmyra, Nova York. Numa época bem próxima, 1820, segundo o relato dos mórmons, Deus apareceu para Joseph Smith num episódio que explica o surgimento da seita.

Em 6 de abril de 1840, foi fundada a Grande Loja Maçônica d Illinois pelo general, juiz e patriarca mórmom James Adams. A nova Grande Loja maçônica passou imediatamente a estabelecer estreitos vínculos com a seita fundada por Smith. Em pouco tempo, Nauvoo contava com três lojas maçônicas e Iowa com duas; cinco eram denominadas "lojas maçônicas mórmons" e somavam 1500 irmãos. O próprio Joseph Smith Jr., profeta de Deus segundo seu testemunho, foi iniciado como aprendiz maçom na terça-feira, 15 de março de 1842. O fato está documentado nas atas da loja de Nauvoo correspondentes a essa data, nas quais conta como Smith Jr. e Sydney Rigdon "foram devidamente iniciados como aprendizes maçons durante o dia".

Era apenas o começo. Os cinco primeiros presidentes da seita - Joseph Smith, Brigham Young, John Taylor, Wilford Woodruff e Lorenzo Snow - foram iniciados na maçonaria na mesma loja de Nauvoo. Na verdade, quase todos os membros da hierarquia ou já eram maçons ou foram iniciados assim que Joseph Smith ascendeu ao grau de mestre maçom. Para falar a verdade, é possível que a loja mórmom de Nauvoo tenha sido a que contou com mais pessoas célebres entre seus membros, com exceção  da Joja maçônica das Nove Irmãs.

No entanto, as relações da nova seita e de seu fundador com a maçonaria não podiam ser melhores. Contudo, Joseph Smith estava muito longe - considerações sobre suas revelações à parte - de ser um modelo de moral tal e qual a maçonaria exige de seus membros. De fato, em 1842, o profeta foi acusado de assassinato. Verdade ou não, certo é que se saiu bem do processo judicial e inclusive se permitiu aspirar a ser candidato à Presidência dos Estados Unidos. Não chegaria a tanto, mas no ano seguinte receberia outra revelação de enormes consequências. O tema seria a poligamia. 

Parece que, antes da canônica revelação de 12 de julho de 1843, Smith tinha tido várias outras relativas a este tema; a diferença estava em que, até então, tinham sido privadas e geralmente dirigidas a convencer a mulher ansiada ( que podia ser tanto solteira como casada) de que Deus desejava que ela se entregasse ao profeta Smith.

A primeira acusação pública de adultério formulada contra Smith procedeu, nada mais nada menos, de uma testemunha do Livro de Mórmon: Oliver Cowdery. Este documentado que, desde 1835, Smith manteve com uma tal Fanny Alger uma relação adúltera da qual não conseguiram dissuadí-lo nem sequer alguns dos seus colaboradores mais próximos. Logo, o número de amantes - esposas, segundo Smith - superou o número de oitenta.

ENTREGA AO APRENDIZADO - Newton Agrella


Newton Agrella é escritor, tradutor e palestrante. Um dos mais notáveis estudiosos da maçonaria no país.

Quando nos propomos a elaborar uma trabalho maçônico, também chamado de "peça de arquitetura"  é princípio basilar que tenhamos junto de nós um Dicionário.

Esse nobre instrumento constitui-se num apoio intelectual imprescindível, tanto no âmbito morfológico, ortográfico quanto etimológico.

Ao escrevermos, deparamo-nos com palavras, às vezes, não tão familiares e das quais raríssimamente lançamos mão.

Por isso mesmo, é fundamental que saibamos sua origem e seu real significado, bem como, se esta se faz compatível e adequada ao universo semântico em que ela será empregada.

A linguagem maçônica, em especial, dispõe de inúmeros vocábulos, que por vezes assumem um caráter simbólico e alegórico, em razão de sua própria essência introspectiva e rigorosamente solene.

As habituais e circunstantes formas de apresentação inicial do tema, sobretudo para os maçons que obedecem ao Rito Escocês Antigo e Aceito - o mais difundido e praticado aquí no Brasil - não podem e nem devem abdicar da consagrada expressão:

*À G.'.D.'.G.'.A.'.D.'. U.'.* que por si só revela o espírito de respeito e liturgia ao propósito com que a Obra será dedicada.

Ater-se, na medida do possível, a uma linguagem, culta, clara, direta e fluida, também contribui sensivelmente neste processo de elaboração.

A tripontuação de vocábulos e expressões de caráter filosófico-maçônicos, devem seguir como uma norma, no sentido de preservar a confidencialidade e as próprias tradições da Sublime Ordem, inclusive para de algum modo, dificultar o entendimento de profanos.

Ler e reler, em voz alta o trabalho a ser apresentado, é também um meio para garantir mais segurança ao Expositor antes de sua apresentação em Loja.

Palavras como :

*MISTER* (que significa NECESSÁRIO(A)

*ABÓBADA* (que refere-se a uma construção arqueada; firmamento)

São dois singelos exemplos de palavras que na maioria das vezes são pronunciadas erroneamente, aparecem em vários textos maçônicos, e acabam provocando situações embaraçosas.

Ao valermo-nos de fontes de pesquisas para desenvolver um texto, é imprescindível que se cite a fonte, autor, livro, etc...

Muito mais  importante que isso,  é que se  busque fazer uma leitura detida, e a partir daí, estabelecer um caráter pessoal, próprio e interpretativo do fragmento consultado, suscitando ao Trabalho um aspecto de legitimação criativa e cultural.

O Trabalho que o Maçom tem que desempenhar, não é o da cópia pura e simples, ou da cola disfarçada, com a mera alteração de uma palavra ou de um parágrafo.

O Trabalho deve ser resultado de nossa própria lavra, de nosso Livre Pensamento.

Ao elaborar um Trabalho Maçônico devemos nos preocupar em construir um caráter crítico e argumentativo, de maneira a estarmos preparados para arguições, questionamentos, trocas de idéias, e evitarem-se longos hiatos sem saber o que responder, ou pior ainda, tentar responder com evasivas, sem qualquer consistência.

Cabe não somente aos Vigilantes da Loja atuarem como mentores ou tutores dos Irmãos Aprendizes e Companheiros, mas também a estes últimos, perguntarem, questionarem, trazerem suas dúvidas e empreenderem iniciativa, para darem início à construção de seus próprios templos.

A rigor, trajetória maçônica, é solitária, única e individual, cabendo a cada um o esforço para galgar degraus superiores.

É claro, que os Mestres mais experientes tem o dever de orientar, tirar dúvidas e acompanhar a caminhada dos mais novos, porém isso não desobriga a todos os Maçons continuarem seus estudos, pesquisas e especulações intelectuais, como exercício pródigo da nossa própria Evolução.

Lembrando que Maçonaria não é escola, não é religião e tampouco uma academia ou clube de serviços.

Maçonaria é uma Oficina de Trabalho Interior Humano de cunho filosófico, que se sustenta na Simbologia  como seu instrumento principal para o nosso aprimoramento moral, ético e espiritual.


,