julho 27, 2021

UM CONTO DE AMOR - Pedro J. A. ALBANI




Pedro Jorge de Alcantara Albani - Acad. Maçônica de Letras de Juiz de Fora e Região - ARLS Montanheses Livres

O melhor divã é uma mesa e uma cadeira, escondida em um canto de bar, e uma tulipa para desabafar. Estava certa tarde conversando num diálogo mudo com meu copo de chope, falávamos de amores, de histórias vividas por outras pessoas.

O tira-gosto era regado de uma risada silenciosa, pelas desilusões de amores que os outros haviam vividos, porém não podia falar dos meus amores, pois não tinha nenhuma história a contar.

Entre um gole e outro, desviando pelas mesas, vindo ao meu encontro, o mais belo rosto, enfeitado por cabelos esvoaçantes, que brincavam com o vento, seu sorriso decorado em carnudos lábios sedentos por beijos, seus olhos pareciam querem me despir, entre um passo e outro já estava completamente apaixonado.

O corpo parecia esculpido por Eros, e tentava me hipnotizar, com suas idas e vindas a carregar suas arrebitadas ancas, já podia até sentir seu cheiro, meu coração não parava de palpitar.

A cada desfilar de seus pés, mais aumentava meu amor, é como nada na vida é eterno, e nem todas as histórias trazem um final feliz, ao cruzar por mim, foi a outro beijar, chamar de amor e se aninhar em outro braço;

Tão rápido quanto entrou em minha vida, me fazendo apaixonar, partiu, sem dizer seu nome, sem tocar em meu corpo, sem dizer um adeus, partiu, levando um pedaço do meu amor. 

        Em tão pouco tempo, conheci, amei e perdi uma linda mulher. Em seu lugar ficou uma história de amor, que passei ao meu copo de chope contar.

julho 26, 2021

RITO DE YORK E EMULAÇÃO - Pedro Juk





Questão apresentada em 08/11/2013 pelo Respeitável Irmão Germano Vieira Filho, Loja Philantropia e Ordem, 1.664 REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro:

Gostaria que esclarecesse as diferenças, se é que elas existem sobre o Rito de York, é a mesma coisa que o Emulation? E o que é o Craft? 

Considerações: 

O Trabalho de Emulação é parte integrante do Craft Inglês, ou o sistema de Maçonaria inglesa comandada pela Grande Loja Unida da Inglaterra. 

Essa Grande Loja é oriunda da união no ano de 1.813 das duas Grandes Lojas rivais na Inglaterra – a primeira fundada em 1.717 em Londres também conhecida como os Modernos e a segunda fundada em 1.751 em oposição aos Modernos de 1.717 autodenominada de os Antigos que acusavam a primeira de alterar as tradições. 

Essas escaramuças durariam até o final do ano de 1.813 quando bem preparada houve a união das duas Grandes Lojas rivais consolidando o sistema da maçonaria inglesa. 

Em linhas gerais a Grande Loja Unida da Inglaterra (fruto dessa união) não adotaria o sistema de ritos, senão “trabalhos” no Craft inglês que não edita ritual e respeita os aspectos culturais e regionais da maçonaria no Reino Unido. 

A Grande Loja determina uma espinha dorsal para o Craft que é seguramente respeitado dando oportunidade às regiões inglesas praticarem o “working” conforme as suas tradições sem se afastar, contudo da essência e linha de conduta maçônica, seja ela ritualística, seja ela no seu objetivo social. 

Esse sistema é conhecido por Craft o que em linhas gerais corresponde ao Grêmio, ou Corporação Maçônica desprendido do rótulo de Rito, conforme os conhecemos. 

Outro particular do Craft, ou Trabalho, Corporação, Agremiação, na Inglaterra é o respeito pela universalidade maçônica reconhecida única e exclusivamente por três Graus simbólicos, ou o Franco-Maçônico básico. 

Graus de aperfeiçoamento conhecidos como side-degrees são de responsabilidade das Lojas (Graus Laterais) desconhecendo-se o título de “superiores” ou “filosóficos”. 

Assim o sistema inglês conhecido como Craft reconhece os “Trabalhos” rotulados como o de Emulação, Humber, Sussex, Taylor’s, Bristol, West End, dentre outros. 

Agora o sistema Norte Americano de Maçonaria, ou o Craft Norte Americano, comumente por nós conhecido como Rito de York, cuja origem está também na Inglaterra, porém especificamente relacionado à prática daquela Grande Loja de 1.751 anteriormente citada como Grande Loja dos Antigos. 

Em linhas gerais o sistema Norte Americano fora organizado por Thomas Smith Webb que manteve o costume dito “antigo” daquela Grande Loja evocando para si na oportunidade a lenda de uma reunião de maçons operativos em 926 na pequena cidade de York, a nordeste de Londres, constituindo-se uma espécie de Meca da Maçonaria tendo o Rei Athelstan e seu sobrinho Edwin como protagonistas principais do mítico lendário. 

Como dito isso não possui uma fonte de história tão fidedigna, todavia serviu como base lendária para estratificar o conceito dos autointitulados “antigos” pelo maçom irlandês Lawrence Dermott a partir dos meados do Século XVIII em solo inglês. 

Por razões políticas os Norte-americanos ainda como integrantes da colônia inglesa que pleiteavam a sua independência adotariam a Maçonaria oriunda dos “antigos” que na Inglaterra, como visto, se opunha aos “modernos”, estes fortemente ligados ao trono inglês. 

Por essas razões óbvias os pretendentes da independência territorial adotariam uma maçonaria contrária aos seus senhores colonizadores. 

Dada essa breve pincelada o Craft Norte-americano geralmente conhecido como York se diferencia do inglês com seus respectivos “Trabalhos”, ou o “Working”. 

O sistema Norte-americano adota Graus acima dos seus três Graus Simbólicos como modo de aperfeiçoamento - por exemplo: os Maçons do Real Arco. 

As Lojas simbólicas americanas, também conhecidas como “Lojas Azuis”, são organizadas em cada estado nas Grandes Lojas Estaduais dos Estados Unidos da América do Norte. 

Em se estabelecendo um breve comparativo os Trabalhos de Emulação (inglês) não é a mesma coisa que Rito de York (americano). 

Entre estes, apesar da mesma raiz, existem significativas diferenças litúrgicas e ritualísticas, além das próprias concepções topográficas e lendárias das respectivas Salas das Lojas. 

Dado o espaço exíguo e complexidade do assunto essa pequena explicação talvez lhe possa despertar a atenção para um melhor conhecimento sobre o assunto. 

Infelizmente e para engrossar ainda mais o caldo, no Brasil ainda existe a confusão por equívoco histórico de tradução e reconhecimento quando do ingresso da maçonaria inglesa em território nacional brasileiro no início do Século XX. 

Naquela oportunidade o Grande Oriente do Brasil adotaria o Craft inglês com o Trabalho de Emulação, porém equivocadamente nominado como Rito de York. 

Isso bastou para o mistifório que permanece ainda hoje, e para piorar a situação, existe agora a salutar profusão atual do Rito de York, só que do Craft Norte-americano em solo brasileiro.