julho 29, 2021

VOLTAR AO PASSADO - Pedro J. A. ALBANI


Pedro Jorge de Alcantara Albani - Acad. Maçônica de Letras de Juiz de Fora e Região - ARLS Montanheses Livres 


Toda pessoa tem um momento na vida que busca a sua origem, tentando se reencontrar. Lá estava no ônibus fazendo toda a trajetória de retornou, ficava para trás curvas e quilômetros de estradas. 

Enquanto viajava, pensava na tranquilidade do local, com seus rios borbulhantes, que desviavam das pedras em seu percurso, entre uma queda e outra formavam remansos que era a alegria das crianças, que brincavam em suas águas, ao redor do rio uma mata exuberante, que eram cortadas por pássaros de várias cores e cantos.

A cada curva lembranças brotavam em meus pensamentos, as pessoas que falavam sem maldade, com sua gíria local, algumas chamavam de uma linguagem cabocla, eu preferia imaginar ser a nossa gíria do mato.

Pensavam na receptividade das pessoas do local, marcas dos moradores do interior, que sempre recebiam os que chegavam com o sorriso e deixava um adeus para os que partiam. Quando os ônibus chegavam à cidade era tradição, as pessoas pararem para receber os visitantes;

Lá no alto do sopé da serra, avistei minha cidade perdida no recortar verde do campo. A cada metro novos pensamentos saíam do baú de minha memória, poderia reviver e contar as histórias de minha infância, com aqueles que faziam parte dela.

Pensava como seria a recepção, quem estaria lá para nos receber, quantos abraços receberia e quantas lágrimas de saudade tiraria dos olhos dos meus amigos.

Porém ao chegar, não tinha mais do que cinco pessoas na estação, todos queriam somente receber os seus. Pareciam frios seres humanos da cidade, sem o calor de quem ama os amigos.

Minha cidade havia perdido o encanto, as ruas eram de cor cinza, não havia mais o chão batido, que outrora corríamos atrás da bola. As casas eram cercadas de muros que isolavam uns dos outros, e distanciava o bate papo.

De onde estava procurei a mata que cercava nosso rio, já não podia chamar assim, parecia um valão a carregar toda a impureza da cidade. Da mata havia sobrado somente uma majestosa árvore, que deveria esta se sentindo tão solitário como eu. As pessoas que conhecia já não estavam mais lá, haviam sido empurradas pelo progresso. 

Do todo meu passado somente havia ficado uma árvore, que teimosamente ficou para trás, esperando os filhos da terra para assim compartilhar a dor da saudade.

julho 28, 2021

A CRIAÇÃO DO ESTADO DE ISRAEL FOI ELABORADA NA RUA 13 DE MAIO, EM BELÉM.

 


A criação do Estado de Israel não seria possível sem conversas entre um cafezinho e outro em um antigo escritório de advogados na Rua 13 de maio em Belém. Ali, um judeu sionista e seu amigo advogado traçaram os passos que levariam a ONU a criar o Estado na célebre votação de 1947. Um capítulo desconhecido da história mundial que passa pelo bairro da Campina.

Nascido em 29 de novembro de 1877, Eliezer Levy descendia de uma tradicional família de judeus sefaraditas ( expulsos da Espanha na Inquisição, estabelecidos em países árabes como o Marrocos).

O pai, Moisés Isaac Levy era comerciante em Gurupá, onde o pequeno Eliezer fez os primeiros estudos. Acabou comerciante e depois executivo de multinacionais ligadas a borracha e a navegação . Ingressou na Guarda Nacional, onde chegou a coronel,apesar de ter ficado para a história como o Major Levy.

Advogado, prefeito duas vezes de Macapá e uma de Afuá. Entre 1918 e 1926, Eliezer Levy atuou como advogado no escritório de Francisco Jucá Filho, Procurador Geral da República e Álvaro Adolfo de Silveira, deputado estadual e chefe do Partido Conservador. Ainda que ele mesmo pertencesse ao Partido Republicano Federal desde a sua fundação. Apesar das divergências políticas, sua amizade com os colegas de trabalho teria futuramente importância decisiva na posição brasileira durante a votação na ONU para a criação do Estado de Israel.

Levy fundou em 1918, o "Kol Israel" (A Voz de Israel), um dos primeiros jornais sionistas do Brasil e que pautava as conversas entre os advogados. Já no PSD de Magalhães Barata conseguiu eleger o amigo e advogado Álvaro Adolfo da Silveira, senador da República pelo partido. Álvaro Adolfo virou assessor político de Oswaldo Aranha à ONU, no momento em que foi votada a criação do Estado de Israel.

Oswaldo Aranha, que presidiu a sessão, sabia muito sobre a realidade da palestina, porque o assessor era um especialista do assunto, herança das conversas com Eliezer  Levy no velho escritório da 13 de maio., onde chegaram a discutir temas sobre a criação de Israel.

Foi Álvaro Adolfo  como coordenador da votação na histórica  votação da ONU que convenceu Aranha a adiar a votação  enquanto convencia 3 votos contrários a criação. A história é confirmada em um aparte na Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro, em 15 de maio de 1973, feito por João Menezes, sobrinho e filho de criação de Álvaro Adolfo da Silveira.

Fontes: Judeus no Brasil – Estudos e Notas de Nachman Falbel via Amazônia Judaica 

Belém Antiga com colaboração de Andre Levy.