janeiro 18, 2026

SABER CONDUZIR O TEMPO - Eduardo Fondello


 A dinâmica da era digital, não deve se sobrepor às atribuições de um Venerável Mestre contemporâneo e comprometido com a causa, mas sim, auxiliar nas tarefas de gestão de forma a garantir o equilíbrio necessário ao pleno emprego das ferramentas simbólicas na vida de uma Loja Maçônica.

Nesse cenário, cabe uma reflexão honesta: “a aceleração do mundo atual tem afetado a real condição dos Veneráveis Mestres de exercer, com plenitude, suas atribuições administrativas, doutrinárias e ritualísticas à frente de uma Loja Maçônica”?

A resposta não comporta simplificações.

Os membros de uma diretoria não são meros "ocupantes de cargos" são agentes de transformação. Devem preservar o tempo simbólico da Loja. Seus papéis exigem presença consciente, equilíbrio interior e domínio. São qualidades que não florescem na pressa nem sobrevivem à dispersão causada pelo excesso de estímulos e interrupções.

É inegável que a tecnologia, usada com critério, facilita a organização e aproxima os irmãos. O problema surge quando ela passa a ocupar todo o espaço. O Venerável, quase sempre, se torna mais acessível, mas deve estar preparado; responder a tudo, na teoria e na prática. A função corre o risco de ser exercida no automático, sem densidade, sem sentido.

A Maçonaria jamais foi construída sobre a lógica do imediatismo. O rito, ensina pela constância, pela ordem e pela solenidade. Ele pede um tempo próprio, que não aceita atalhos sem prejuízo ao significado.

Por isso, impõe-se um desafio silencioso aos Veneráveis Mestres de hoje: “não afastar o mundo digital, mas mantê-lo sob controle, a serviço da finalidade iniciática da Ordem”. Saber distinguir imediatismo de conhecimento. Impedir que o urgente sufoque o essencial.

Conduzir uma Loja Maçônica é, em grande parte, saber conduzir o tempo.

Tempo para aprender.

Tempo para praticar.

Tempo para administrar.

Tempo para orientar.

Tempo para ouvir.

Tempo para ritualizar.

Tempo para formar homens melhores.

Que os Veneráveis Mestres, como sustentáculos vivos da Tradição, tenham sempre presente que a autoridade maçônica não nasce da disponibilidade constante, mas do equilíbrio tranquilo entre agir e refletir.


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