setembro 21, 2025

O SÁBIO E O TOLO



(Fato verídico ocorrido em 1892.)


Um homem de cerca de 75 anos viajava de trem. Enquanto o vagão balançava suavemente, ele mergulhava na leitura serena de um livro.

Ao seu lado, um jovem universitário folheava com pressa um volumoso tratado de Ciências.

De repente, o jovem reparou no livro do ancião: uma Bíblia. Com um sorriso de desdém, não resistiu e perguntou — O senhor ainda acredita nesse livro cheio de fábulas e histórias inventadas?

O velho ergueu os olhos, tranquilos, e respondeu com firmeza: — Claro que sim. Mas este não é um livro de fábulas, nem de histórias inventadas. É a Palavra de Deus.

— O senhor está enganado — retrucou o jovem, com arrogância. — Se estudasse mais História e Ciência, saberia como a religião já foi desmascarada. A Revolução Francesa provou isso há mais de um século! Somente pessoas sem cultura ainda acreditam nessas bobagens…

O idoso manteve a calma e perguntou: — E é isso, então, o que os cientistas realmente dizem sobre a Bíblia?

O rapaz olhou para o relógio e riu:

— Infelizmente, vou descer na próxima estação e não tenho tempo de lhe explicar. Mas se me der o seu cartão, envio alguns materiais científicos para que se esclareça.

O velho, sem pressa, abriu o bolso do casaco, retirou cuidadosamente um cartão e o entregou.

O jovem pegou com desdém. Mas, ao ler o que estava escrito, sentiu o rosto corar e o olhar se perder, como se tivesse sido reduzido a nada diante de algo imenso.

No cartão lia-se:

Professor Doutor Louis Pasteur

Diretor-Geral do Instituto Nacional de Investigações Científicas, Universidade Nacional da França

E foi então que o jovem recordou uma célebre frase do próprio Pasteur:

“Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muita, aproxima-nos.”

Moral da história:

O maior prazer de um sábio é fingir ser tolo diante de um tolo que imagina ser sábio.



ANO DOCE E BOM - Shaná Tová 5786/2025 - Adilson Zotovici


Aos irmãos, familiares e amigos

Israelitas, pelo Ano Novo 5786


Dobram dos céus os tantos sinos

Anunciando um novo ano

Louvando o amor em belos hinos

Com o penhor de cada arcano


Por todos cantos, cantos divinos

Ao novo ano um bom plano

Desde os velhos aos meninos

Ao iniciado, ao profano


Um ano novo os destinos

Às raças e credos do mosaico

A todo povo em desatinos


Cantos , poemas em hebraico

Com votos de paz dos rabinos,

Um  “_ano doce e bom_” judaico !






VIM DO PLANETA FOME - Kau Mascarenhas


Desarrumada e mal vestida, a menina negra, magra pela fome desceu o morro carioca para tentar a sorte no programa de calouros de Ary Barroso. Era o momento áureo do rádio que, dos anos de 1930 a 1950, revelou grandes nomes da MPB.

Na fila de inscrições estavam lindas jovens bem vestidas e a menina favelada olhava para elas sem qualquer medo. Seu bebê estava doente e ela precisava fazer algo para conseguir algum dinheiro. No corredor os calouros aguardavam o chamado e em seguida entravam trêmulos.

- Elza Gomes da Conceição, sua vez! Após ouvir seu nome, a menina cruzou a porta do estúdio. Cerca de mil pessoas a aguardavam. O programa era o maior sucesso na época e no palco estava o grande Ary Barroso, autor de “Aquarela do Brasil”, pois ele próprio acompanhava os calouros ao piano.

Ao ver a menina com no máximo 35 quilos, subindo ao palco completamente desengonçada, usando uma roupa emprestada e ajustada com alfinetes para conter as sobras de pano, duas marias-chiquinhas, a plateia explodiu na risada.

O apresentador do programa arrumou os óculos e disse, friamente:

- Aproxime-se.

Ela ignorou as gargalhadas e foi até ele.

- O que você veio fazer aqui? – perguntou intrigado.

- Ué, eu vim cantar. – disse ela com o ar mais inocente desse mundo.

- Mas quem disse a você que você canta? - Eu! – falou com voz firme.

- Diga-me uma coisa: de que planeta você veio? – questionou de forma ácida.

Ela respirou fundo e lhe respondeu:

- Eu vim do planeta-fome, seu Ary. Do mesmo planeta de onde o senhor veio.

Nesse momento o auditório se calou. Ali estava uma adolescente cheia de bravura, desafiando o grande ícone da música brasileira, lembrando que ele próprio também tivera um berço pobre e que havia passado por dificuldades acerbas como as que ela no momento passava.

Silencioso, Ary apontou para ela o microfone e deslizou seus dedos no teclado em seguida.

A menina então começou a cantar com a voz afinada e ao mesmo tempo arranhada, rouca, única, apresentando efeitos que ninguém jamais tinha ouvido.

No final, o mesmo público que riu tanto dela em sua chegada vibrou de emoção e encheu o estúdio de palmas. Ela as recebeu chorando, abraçada com Ary que, igualmente muito emocionado, disse:

- Senhoras e senhores, nesse exato momento acaba de nascer uma estrela.

Elza Soares, em seu livro “Cantando para não Enlouquecer”, narra sua história repleta de momentos de superação como esse.

Podemos nos perguntar: o que faz alguém como ela chegar à vitória, vencendo obstáculos tidos com intransponíveis, atravessando oceanos de dificuldades?

O que move uma alma na direção da excelência em qualquer área, fazendo com que até mesmo os maiores problemas se transformem numa espécie de combustível para voos mais altos?

O que produz essa certeza de que não há porque recuar e que vale seguir adiante?

Autoconfiança.

Ter convicção do nosso próprio potencial e sentir que é possível fazer algo valioso, com aquilo que já guardamos em nosso interior, é uma espécie de elemento mágico que promove a química do sucesso.

Pessoas que não acreditam em si mesmas acabam não deixando aflorar o imenso poder que já possuem.

Estou convicto de que a história de Elza Soares, essa fantástica cantora da nossa terra, pode ser inspiradora para você.

Ela nos lembra o quanto podemos fazer diferença no mundo quando, diante das dificuldades, respiramos fundo, acessamos recursos latentes e seguimos firmemente na direção dos nossos sonhos.

Vou dizer algo para você e espero que lembre sempre disso. Duas palavras bem simples mas que expõe a minha crença de que você tem grande força interior, bem como o meu desejo de que mostre ao mundo seu potencial.

As palavras são: Você pode!


setembro 20, 2025

IR:. JOSE REINALDO CAPRILES NA ASSEMBLEIA DA GLESP

 


     Há exatamente uma semana fiz uma palestra virtual, a de número 600 da C.E.M.I - Centro de Estudos Maçônicos Internacionais, que foi também a primeira palestra com tradução simultânea para diversos idiomas e que contou a presença de irmãos de muitos países da América Latina e Estados Unidos. Foi no dia que se comemorava a data magna da Independência do México e objeto de grande comemoração.

     Ontem encontrei na Assembleia da GLESP o irmão José Reinaldo Caprile, conselheiro do C.E.M.I. no Brasil e autor do convite além de organizador desta façanha e pude lhe dar um fraterno abraço de gratidão.

ARLS TRÍPLICE ALIANÇA 341 NA GLESP






      Na Assembleia da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, GLESP, neste sábado, a presença de irmãos de minha querida Loja ARLS Tríplice Aliança 341 de Mongaguá.

      Ao meu lado o irmão Osvaldo T. Takakura, membro da Comissão de Assuntos Gerais, no centro o Venerável Mestre Alexandre de Oliveira Lucena e a direita o irmão Carlos Bastos P. Campos.

     Foi a minha apresentação como Grande Bibliotecário da GLESP, e a minha pequena Loja, contando com o Delegado Distrital irmão João Roberto da Silva, tem agora três membros na administração da Potência.

       


IR:. ERNESTO QUISSAK NA ASSEMBLEIA DA GLESP


         No Teatro Liberdade, da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, completamente lotado, durante a Assembleia Geral encontro-me com o irmão e confrade Ernesto Quissak e sentamos praticamente lado a lado

         Uma grande honra para mim.. 
 

O CELULAR NA LOJA


A presença do celular no templo maçônico representa um profundo paradoxo moderno: uma ferramenta de conexão que, ironicamente, nos afasta do que é essencial. Em sua natureza padrão, ele é uma grande distração. Seu zumbido silencioso e a luz piscante são faróis que puxam nossa consciência para fora do ambiente sagrado, diluindo a concentração e sabotando a imersão necessária para o ritual. Ele promete conexão com o mundo exterior, mas à custa da desconexão de nós mesmos e dos irmãos ao nosso redor.

No entanto, categorizá-lo apenas como um vilão é uma simplificação. Quando intencionalmente domado e redirecionado, o mesmo aparelho pode se tornar um auxiliar valioso. Ele pode garantir acessibilidade, apoiar a memória de um orador ou servir como um elo crítico em situações de emergência. O seu potencial como ajuda reside exclusivamente na nossa capacidade de impor limites rígidos e transformar seu uso em um ato deliberado, e não impulsivo.

Assim, a pergunta "ajuda ou atrapalha?" não possui uma resposta única, mas sim uma resposta condicional. O celular atrapalha por natureza, por sua designação de interromper. Ele só se torna uma ajuda através de um esforço consciente e coletivo para redefinir sua função dentro daquele espaço. A conclusão é que o celular não é bom nem mau; ele é um espelho da nossa própria disciplina. Cabe a nós decidir se ele será um malhete que quebra a concentração ou um esquadro que auxilia na construção.


Fonte: Curiosidades da Maçonaria 



O DECLÍNIO DAS AMIZADES - Padre Lellis


Recentemente, um artigo na Harvard Business Review analisa como a "recessão das amizades", ou a tendência de declínio de amizades significativas, está lentamente se enraizando em nossas vidas.

De acordo com a Pesquisa American Perspectives, o número de adultos americanos que afirmam não ter "nenhum amigo próximo" quadruplicou desde 1990, chegando a 12%. Enquanto isso, o número de pessoas com "dez ou mais amigos próximos" diminuiu em um terço. Uma tendência semelhante está surgindo em áreas urbanas da Índia: enquanto o número de conhecidos aumenta, as amizades profundas estão se tornando cada vez mais raras.

No passado, as pessoas conversavam facilmente com estranhos em cafés ou bares. Agora, as pessoas sentam-se sozinhas, desconectadas da multidão. Nos Estados Unidos, o número de pessoas comendo sozinhas aumentou 29% nos últimos dois anos. A Universidade Stanford até lançou um curso chamado "Design para Amizades Saudáveis", que destaca que formar e manter amizades agora exige aprendizado e esforço.

Este não é apenas um problema social, mas uma crise cultural. Reservar um tempo para a amizade não deve mais ser um luxo, mas sim uma prioridade. A solidão não é mais uma escolha; está se tornando um hábito. Se não priorizarmos conscientemente a amizade, não só será difícil fazer novos amigos, como também perderemos conexões antigas.

Reuniões religiosas, clubes, esportes e organizações voluntárias — todos os quais antes fomentavam a amizade — estão em declínio. Nos limitamos às mídias sociais, às responsabilidades familiares e até mesmo aos animais de estimação. Sim, alguns amigos não se veem mais porque não conseguem deixar seus animais em paz!

Hoje, a amizade não faz mais parte da vida cotidiana; ela só acontece quando outras responsabilidades são cumpridas. No entanto, pesquisas enfatizam a importância da amizade. No livro de Bonnie Ware, "Os Cinco Maiores Arrependimentos dos Moribundos", ela destaca um lamento pungente: "Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos..."

Pesquisas mostram:

•⁠ ⁠O isolamento social aumenta o risco de doenças cardíacas, demência e mortalidade.

•⁠ ⁠É tão prejudicial quanto fumar 15 cigarros por dia.

•⁠ ⁠As amizades melhoram a saúde mental, física e emocional.

•⁠ ⁠O estudo de 80 anos de Harvard concluiu que a maior fonte de felicidade e saúde na vida não é riqueza ou carreira, mas relacionamentos próximos.

A verdadeira amizade é como um investimento: perdoe, ligue, crie memórias e passem tempo juntos.

Como Mirza Ghalib disse lindamente:

“Ó Deus, concede-me a oportunidade de viver com meus amigos... pois posso estar contigo mesmo depois da morte.”

Valorize as amizades, reserve um tempo e enriqueça sua vida com relacionamentos amigáveis e significativos.

Recebi de um amigo e repasso, com amizade, Padre Lellis

setembro 19, 2025

A RENOVAÇÃO COM A LUZ - Jorge Gonçalves


No próximo 23 de setembro, data em que a natureza se renova com o equinócio de primavera, a *Loja Maçônica Constâncio Vieira nº 3300* realizará, às 19h30, a regularização do Irmão *Hildebrando Vieira Filho*.

A Luz em uma Loja Maçônica é símbolo da busca pelo conhecimento, e cada maçom deve descobri-la por si mesmo. A Ordem não oferece verdades prontas, mas inspira o Irmão a trilhar seu próprio caminho em direção à sabedoria.

Na Maçonaria, o ingresso é fruto de uma escolha livre e consciente. Contudo, quando um Irmão retorna, é porque a chama da Maçonaria jamais deixou de brilhar em sua vida. Esse reencontro, essa renovação com a Luz, é para nós um momento muito especial.

Portanto, convidamos você, sim, você, meu Irmão, a participar desta noite memorável. Juntos somos mais fortes.


*Jorge Gonçalves*

ARLS PEDRO ALBA - Peruíbe e ARLS FRATERNIDADE DE ITARIRI

 



Em sessão conjunta realizada na noite de ontem. A ARLS Pedro Alba 189 de Peruíbe (VM Luis Paulo de Souza Correa)  e ARLS Fraternidade de Itariri 293 (VM Marcos Antonio Camara Abelha) homenagearam o Delegado Distrital João Roberto da Silva, membro de minha Loja, que entrega o 12o Distrito para assumir o 11o, e o Delegado Distrital Valter Sanches Fernandes, que assume agora o Distrito, renomeado para 13o.

A minha Loja, ARLS Tríplice Aliança 341, de Mongaguá. esteve representada em peso, através do seu VM Alexandre Lucena e comitiva.

Foi uma bela sessão de homenagem, na qual diversos irmãos usaram da palavra e os Delegados receberam mimos. Um delicioso ágape encerrou a noite.

LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE - Redaelli


Famoso lema francês de origem revolucionária, ele se confunde com a história da ideia republicana, depois com a da República, a ponto de se tornar um de seus principais símbolos.

Em uso entre 1793 e   o Consulado, depois durante a Segunda República (1848-1851), a tríade foi o lema não oficial e depois oficial da República Francesa desde 1871.

Para o maçom, esse lema tem uma força simbólica intrínseca que ele aprecia quando o pronuncia na loja após a aclamação escocesa.

Longe de se imporem naturalmente, os valores da liberdade, igualdade e fraternidade só foram afirmados após longa luta. De fato, antes de serem consagrados no lema da República e de nossas lojas, eles tinham legitimidade diferente.

É mérito da Maçonaria tê-los nutrido, ter sido a primeira a perceber seu caráter fundador e ter encorajado sua síntese no templo e no mundo profano.

Trazidos pelo Renascimento, esses três valores foram encontrados em diferentes escolas de pensamento humanista preocupadas em combater a injustiça e a arbitrariedade. A máxima "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" tem suas origens no século XVIII (Iluminismo).

Em 1755, em uma ode à glória do governo suíço, Voltaire associa implicitamente   os três termos: "Liberdade! Eu vi essa deusa altiva com igualdade distribuindo todos os seus bens... Os Estados são iguais e os homens são irmãos." Mas é Rousseau quem, em seu Discurso sobre a Economia (1855), propõe essa tríade como uma das bases do contrato social.

No entanto, o lema não foi oficialmente estabelecido em 1789 e, ao contrário da crença popular, não se tornou uma criação oficial da Revolução, embora incorporasse certos valores-chave. Apenas os dois primeiros termos foram combinados na Declaração dos Direitos do Homem de  26/06/1789: "  Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos  ."

A primeira associação tríplice é atribuída a Robespierre em seu discurso proferido em dezembro de 1790, durante a criação da Guarda Nacional. Essa expressão acompanhou a aventura revolucionária de junho de 1793 até o Consulado (1799). Embora não fosse um lema oficial, a expressão causou impacto e se estabeleceu como símbolo das conquistas políticas e sociais revolucionárias, como programa político e, em última análise, como ponto de convergência dos republicanos.

De 1790 a 1830, o lema não foi mais usado; 1846 e 1847 se seguiram, anos de grande tensão social e política que levaram à Revolução de Fevereiro de 1848.

A Segunda República estabeleceu a expressão depois que o governo provisório a utilizou em sua primeira declaração (24 de fevereiro de 1848).

A Terceira República coincidiu com o renascimento da experiência republicana e a reativação do lema do tríptico em 1871. No entanto, foi somente com a revisão constitucional de 1879 que se decidiu reinscrever as três palavras nos frontões dos edifícios oficiais. A jornada da tríade terminou gloriosamente, pois a Constituição de 4 de outubro de 1958 a impôs como lema constitucional da República Francesa.

Da revisão bibliográfica, conclui-se que é impossível estabelecer claramente a origem maçônica ou republicana do lema. De fato, a pesquisa mais recente gerada pelo Bicentenário da Revolução mostra que a anterioridade maçônica do lema Liberdade, Igualdade, Fraternidade não tem base concertada nas obediências e ritos maçônicos do período considerado, ou seja, de 1770 a 1848. 1848: aparecimento do lema na bandeira francesa; 1849: no nível da GODF, a aclamação passa a ser L, E, F em vez de vivat, vivat, semper vivat.

Muitas anedotas podem explicar as rivalidades em torno da origem do lema. Um vestígio da criação, pelo GO, de uma loja militar com o título distintivo "Liberdade, Igualdade, Fraternidade", localizada a leste da Legião Estrangeira Francesa, foi encontrado na Biblioteca Nacional. Esta loja foi instalada em 14/03/1793 pela Respeitável Loja "Amizade e Fraternidade" (Oriente de Dunquerque). Certamente, trata-se de um título distintivo, um nome de loja; no entanto, este título da loja é mencionado em cada reunião, pelo menos duas vezes, na abertura e no encerramento dos trabalhos, como hoje.  Daí até torná-lo um lema... a coisa é ainda mais fácil, pois uma loja militar se muda e recebe muitos visitantes.

Em 1848, quando Lamartine, que não era maçom (mas aderia ao ideal maçônico) proclamou a Segunda República, ele declarou: "  na bandeira nacional estão escritas estas palavras: República Francesa, Liberdade, Igualdade, Fraternidade, três palavras que explicam o significado mais amplo das doutrinas democráticas, das quais a bandeira é o símbolo, ao mesmo tempo em que suas cores dão continuidade à tradição  ."

Poucos dias depois, Adolphe Crémieux, maçom e membro do Governo Provisório, recebeu uma delegação de Lojas Maçônicas e pronunciou a seguinte frase em nome do Governo: "  Em todos os tempos, em todas as circunstâncias, sob a opressão do pensamento como sob a tirania do poder, a Maçonaria repetiu constantemente estas palavras sublimes: Liberdade, Igualdade, Fraternidade!  "

Jules Barbier, da delegação maçônica, acrescentou: "Saudamos com as mais vivas aclamações o governo republicano que inscreveu na bandeira da França este triplo lema que sempre foi o da Maçonaria: Liberdade, Igualdade, Fraternidade."

Para o Rito Escocês, Adolphe Crémieux, que se tornou Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito em 1869, comprometeu-se a reescrever o Regulamento Geral do Rito, que datava de 1846. Entre outras propostas, ele queria incluir no final do Artigo II a frase: "  A Ordem Maçônica tem como lema Liberdade, Igualdade, Fraternidade...  ". Neste   ponto específico, não houve oposição; o bloqueio dizia respeito à invocação à GADLU. Este bloqueio, seguido pela Guerra Franco-Prussiana, pela vigilância policial das lojas (1874) e pelo início de ações anticlericais, desviou as preocupações dos maçons do Rito Escocês. Finalmente, o lema maçônico foi afirmado em um decreto datado de 2/12/1873, com efeito a partir de 1/05/1874.

A discussão se concentra no significado a ser dado às três palavras e sua conjunção em uma fórmula: a liberdade é limitada? Se sim, por quê? Igualdade de direitos ou igualdade econômica? Igualdade ou equidade? O que a fraternidade traz para as duas primeiras noções? Os valores políticos devem orientar e mensurar o valor de um sistema de organização social.

Liberdade. Dela emergem duas noções: uma liberdade do chamado "estado selvagem da natureza" e uma liberdade regulada e policiada, definida por regras sociais como "o que não prejudica os outros" ou "o que não é proibido por lei". A chamada liberdade selvagem institui a lei da violência mais forte e generalizada. Liberdade regulada é aquela compatível com a vida em sociedade. A liberdade deve ser o resultado de uma conquista e de uma construção progressiva. O homem livre não é o bruto que segue seus instintos e paixões, mas aquele que pensa, sente e age de acordo com o pensamento. A partir daí, a liberdade do indivíduo não é limitada pela dos outros, mas, ao contrário, ampliada por ela.

Em relação à igualdade, o debate mais comum opõe a igualdade de direitos à igualdade econômica. Outra posição introduz a igualdade de oportunidades, que seria uma espécie de direito ao sucesso econômico. Cada ser humano não cria o mesmo valor por meio de suas ações, mas cada um possui o mesmo valor como ser humano, a sede da liberdade. Outra tendência é substituir a igualdade pela equidade, com dois cenários: ou igualdade de oportunidades, e quaisquer desigualdades são justificadas apenas se resultarem das desigualdades naturais ou congênitas dos indivíduos. Ou desigualdade social que contrabalança as desigualdades naturais ou congênitas dos indivíduos. Qualquer que seja a resposta considerada, a noção-chave diz respeito ao valor igual dos seres humanos. A fraternidade resume todos os deveres dos homens uns para com os outros. Significa: devoção, abnegação, tolerância, benevolência, indulgência. É frequentemente apresentada como a cereja do bolo da fórmula, como uma espécie de adoçante ou flor decorativa que suaviza a secura dos dois primeiros termos. A fraternidade é um vínculo muito forte entre indivíduos que inclui reconhecimento mútuo e uma comunidade essencial de valores, de tal forma que pequenas pontes rompem a compartimentalização da nossa sociedade moderna. O bem não é bom apenas para mim, mas para todos.

Todos os fundadores da Segunda República insistiram na natureza lógica e inseparável dos três componentes do lema. Eles são interdependentes e se apoiam mutuamente. A liberdade associada à desigualdade e ao ódio estabelece uma relação fraco/forte e termina em tirania. Quando a igualdade opera com ditadura e ódio, emerge uma relação dominante/dominado. A fraternidade exercida com tirania e desigualdade resulta em ressentimento e/ou desespero. Nenhum regime político incorpora plenamente o ideal do lema: caso contrário, este regime asseguraria a liberdade absoluta baseada unicamente nos pensamentos dos indivíduos, a igualdade perfeita sem hierarquia, sem privilégios, uma fraternidade franca e espontânea sem cálculos, sem exceção, sem limites. Este regime seria uma utopia anarquista, sugerindo que poder, hierarquia, desigualdade e ódio são males inevitáveis ​​ou necessários.

As ideias contidas na tríade têm um valor próprio, que deve ser examinado à luz do que pretendem fazer: explicar a realidade, justificar as ações humanas e harmonizar as sociedades segundo normas. Querer ancorar valores em ideais absolutos equivale a querer dar-lhes uma força usurpada e, nessa mesma medida, enfraquecê-los se a usurpação for descoberta. O lema republicano visa não tanto a reconquista de uma fraternidade original supostamente anterior à sociedade, mas sim o advento de uma nova fraternidade.

Para nós, maçons, adotar certos valores como lema não significa que pretendemos incorporá-los, mas que pretendemos ser julgados por sua medida.

Em 1875, Victor Hugo publicou uma obra intitulada "Le droit et la Loi" (A Lei e o Direito), da qual se destaca um trecho: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade... estes são os três degraus da suprema humanidade. Liberdade é o direito; igualdade é o fato; fraternidade é a visão. Todo o homem está ali..."

"...E ASSIM VAI..." - Newton Agrella


Por mais prosaico ou ortodoxo que possa parecer, mas a "Ignorância" coadjuvada pela despreocupação com a legitimidade das fontes de informação tem sido inequívocas protagonistas na vida do brasileiro.

Sua algoz performance e sua subreptícia presença no universo intelectual de nossa gente, tem se pautado como plena justificativa para as mais diversas situações que envolvam comportamento, juízo de valores e praticamente quase todas as relações sociais.

A Ignorância se intensifica, à medida em que avalanches de informações chegam até nós, sejam pelas mídias sociais, pelos veículos de comunicação,  ou por quaisquer outros instrumentos.  

Ela se torna uma onda insurfável, especialmente quando reverbera "fake news" impiedosamente.

Ainda nessa esteira a Ignorância torna-se irrefreável e ganha requintes de perversidade ao passar a inverter valores humanamente consagrados, códigos de costumes, princípios éticos e morais e quando arroga para si, uma legitimidade política.

Aí,  "a vaca realmente vai pro brejo";  pois fica quase impossível desalimentar conceitos que nascem viciados e torpes, em nome de uma pretensa "contracultura".

Aliás, nosso povo tem ganho grande destaque quando a questão é "ser do contra". 

Afinal "ser gratuitamente oposicionista"   para uma significativa parcela da  população, constitui-se em "vanguardismo e modernidade..." , mesmo que se desconheçam seus significados.

A Maçonaria, em tese,  filosoficamente está aí pra isso.

Uma de suas principais pilastras e finalidades é o "Combate à Ignorância".

Porém, por razões um tanto ocultas, talvez mais ocultas que os próprios Augustos Mistérios da Ordem - ela, a famigerada "Santa Ignorância"  - continue dando as cartas e viralizando nos mais diferentes ambientes do universo humano.

Que venham melhores dias e que a cada desfraldar  de "vendas" sejam possíveis revelarem-se novas Luzes que cultivem cada vez mais a Sabedoria e ampliem os horizontes do Conhecimento sustentados pelo Discernimento.

Ler mais, Pensar mais e Achar menos !!!



setembro 18, 2025

LIVROS DO IRMÃO ROQUE CORTES PEREIRA




                                                                                                                                                                         

                                                                                                                                              A cidade de São Paulo viveu na última sexta-feira (dia 12) uma noite histórica de cultura, esporte e reflexão. 

          O lançamento de três obras inéditas do Professor e Mestre Roque Cortes Pereira reuniu empresários, representantes do meio artístico, esportivo e musical, além de professores, mestres de artes marciais e lideranças políticas que prestigiaram o autor em um evento de grande destaque.