setembro 25, 2025

O DIA DE TRABALHO DE OITO HORAS

 


Em 25 de setembro de 1926, Henry Ford tomou uma decisão que transformaria para sempre a rotina de milhões de trabalhadores ao redor do mundo. O empresário, já famoso por ter revolucionado a produção industrial com a linha de montagem, anunciou que seus funcionários passariam a trabalhar 8 horas por dia, 5 dias por semana, sem qualquer redução de salário.

Naquele período, jornadas exaustivas eram a regra. Não era incomum que pessoas passassem 10 a 12 horas por dia nas fábricas, seis ou até sete dias por semana, acumulando mais de 100 horas de trabalho em apenas sete dias. Essa realidade desgastava os operários, comprometia sua saúde e limitava qualquer possibilidade de lazer ou convívio familiar.

A decisão de Ford parecia ousada, mas tinha fundamentos práticos. Ele acreditava que funcionários mais descansados seriam também mais produtivos e cometeriam menos erros. Além disso, via no tempo livre uma oportunidade para que seus próprios empregados se tornassem consumidores de carros, já que teriam energia, renda e dias livres para aproveitar o fruto de seu trabalho. O raciocínio era simples e inovador: se as pessoas passassem a ter finais de semana, poderiam viajar, visitar parentes e, consequentemente, usar automóveis.

Essa mudança ajudou a consolidar o conceito de final de semana como conhecemos hoje. Aos poucos, outras empresas passaram a adotar a mesma medida, pressionadas pela competitividade e pelos movimentos trabalhistas que viam no exemplo de Ford um caminho para melhores condições de vida. Décadas mais tarde, esse modelo seria incorporado às legislações de vários países, transformando-se em padrão internacional.

O gesto de Henry Ford mostrou que reduzir horas de trabalho não significava necessariamente reduzir produtividade. Pelo contrário, podia representar um ganho para empregados e empregadores. A medida mudou não apenas a forma de trabalhar, mas também a forma de viver, abrindo espaço para lazer, convivência social e desenvolvimento cultural.

O 25 de setembro de 1926, portanto, não foi apenas uma data de mudança dentro de uma fábrica. Foi o início de uma nova lógica de organização social e econômica, um marco que ajudou a definir a vida moderna e a relação que temos hoje com tempo, trabalho e descanso.

ARLS ESQUADRO E COMPASSO 217 - São Paulo

 


Na noite de ontem, a convite do irmão Julio Cesar Cadamuro, que é o meu adjunto como Grande Bibliotecário da GLESP, tive a honra de visitar a sua Loja, a ARLS Esquadro e Compasso n. 217.

O prédio é lindo, na verdade, se não fosse o símbolo maçônico identificando o local, passaria por uma tradicional igreja no estilo anglicano.

Fui muito cordialmente recebido pelos irmãos e pelo Venerável Mestre Pedro Donizete Paulucci, que me concedeu a palavra na Ordem do Dia para uma pequena palestra sobre a atuação da Ordem em beneficência.

O motivo foi eu ter tomado conhecimento das inúmeras ações beneficentes empreendidas pela Loja através dos irmãos, para atender diversas instituições. Um belo exemplo.

Ao final estendi o convite para que todos participassem da XXX Jornada Maçônica do Brasil em Santos no próximo domingo, de modo presencial ou virtualmente.

A PRIMEIRA IMPRESSÃO - Newton Agrella


O mundo parece que não  reconhece mais limites para o que se diz, se ouve, se faz ou se sente.

Talvez, até seja por isso, que a famigerada frase "a primeira impressão é a que fica", de algum modo, ainda consiga produzir aquela sensação de poder influenciar ou de ser influenciado, a partir das primeiras experiências das relações interpessoais, bem como com tudo o que nos cerca, mas nos é desconhecido.

O interessante neste contexto é que o efeito desta "primeira impressão" - positiva ou negativamente forte e consistente -  pode moldar de maneira significativa, eventuais interações futuras.

A propósito, seja qual for o campo de atividade das relações humanas, uma "primeira impressão forte" pode fazer com que o cérebro processe informações e elabore conclusões sobre pessoas ou eventos de forma muito rápida. 

Às vezes, em questão de segundos, só de bater os olhos.

Esse fenômeno inclusive é frequentemente perceptível no ambiente maçônico. 

Cabe destacar que uma "primeira impressão forte" pode tanto abrir ou fechar portas ao longo do tempo.

A Maçonaria espera que seus membros sejam pessoas com o coração sensível ao bem.

E para tanto, confia que seus membros, sejam pessoas que transmitam Confiança, Comprometimento diante do Juramento ou Compromisso prestado à Ordem, Pontualidade, Respeito para com seus pares, utilização de uma Linguagem compatível à Ordem, Cordialidade, dentre tantos outros atributos

Registre-se que a primeira impressão envolve a interpretação do que vemos, tomando-se por base as nossas percepções sociais e culturais.

Este espelho da alma e do intelecto, reflete-se igualmente, quando o Iniciado começa a desenvolver seus primeiros contatos com os símbolos e alegorias.

Lembrando que  "a primeira impressão que fica" diz respeito à Imagem, pois é exatamente no imaginário que residem formas, sons, cores, movimentos e as abstrações humanas mais íntimas que podem ser projetadas e concebidas.

É bem verdade que a "primeira impressão" sobre uma pessoa, uma situação, um acontecimento.ou algum lugar se apoia em julgamentos inconscientes e interpretações cognitivas. 

Contudo, é relevante assinalar que essa  percepção inicial, mesmo que baseada em poucas informações, tende a ser persistente e pode exercer um grande impacto ao longo de nossa jornada.

Diante dessas circunstâncias e mesmo dotados da razão, há um instinto natural dentro de cada um de nós, que nos impõe proceder um passo adiante, que responde pelo nome de "discernimento", do qual jamais podemos nos afastar.

ARCO REAL -Alferio Di Giaimo Neto


Entre as mais fascinantes estórias dos antigos dias da Arte Real, poucas mantém mais mistério ou tem sido mais ansiosamente investigada do que aquelas que agrupam dados sobre o começo da Maçonaria do Real Arco (Royal Arch).

Onde ela teve início? Quem deu origem a essa Maçonaria? Se ela foi outrora parte da Maçonaria Simbólica, por que ele se separou e se tornou uma outra Maçonaria?

Tem havido muitas teorias sobre isso. Alguns, como R.F.Gould, dizem ter nascido na França, juntamente com os graus “Escoceses” quando a causa dos Stuart predominava em muitas cabeças. Outros tem tentado estabelecer que Laurence Dermott, o irascível secretário dos “Antigos”, foi o  idealizador desse Rito. Obviamente, isso não faz sentido, pois Dermott em 1740 foi Iniciado e se tornou um Maçom do Real Arco em 1746, e há menção do Real Arco antes de 1743.

Entretanto, a maioria dos historiadores Maçônicos mais bem informada, acredita que o Real Arco foi originalmente uma parte da Maçonaria Simbólica como uma das mais antigas “cerimônias adicionais”.

A primeira menção sobre o Real Arco que nós temos, foi num relato da Loja Nº21, Youghal, Ireland, em 1743. Membros andando numa procissão foi dito: “O Royal Arch carregado por dois excelentes Maçons”.

O que era o Real Arco o qual era “carregado”? Uma representação de um arco? Uma faixa com uma pintura? Ninguém sabe. O que se sabe, e é consenso da maioria, é que é ridícula a afirmação que o Real Arco é o mesmo que um “Arco Iris” como já foi dito diversas vezes, por exemplo: “...o Arco Íris da esperança, fixado nos céus, com um extremo sobre o Éden e o outro nas despedaçadas ruínas do mundo”.

O primeiro livro mencionando o Real Arco, até onde os historiadores conhecem, foi um volume publicado em Dublin, Ireland em 1744. Ele é chamado “Uma Séria e Imparcial Pesquisa na Causa do Declínio da Francomaçonaria na Irlanda” escrito pelo Dr. Fifield Dassigny. Existem, até onde se sabe, somente duas cópias desse livro. Esse antigo livro sumiu da vista até 1867, quando Hughan descobriu uma cópia; uma outra cópia foi subseqüentemente achada. 

Esse livro nos declara que em York, Inglaterra, “é mantida uma Assembléia de Mestres Maçons sob o título de Maçons do Real Arco, os quais, como suas qualificações e títulos eram superiores aos demais, recebiam um maior pagamento do que os trabalhadores Maçons”.

Um fato interessante na Pesquisa Maçônica é o fato que uma nota antiga conhecida do Real Arco, não é nem da Irlanda e nem da Inglaterra, mas dos Estados unidos da América. Nas minutas da Loja Fredericksburg, nº 04 do Registro de Virgínia, aparece o que segue: “na noite de vinte e dois de dezembro, 5753, a Loja foi montada com a presença do V.:M.:Simon Frazier, do 1ºVig.: Judge Hudson e do 2º Vig.: Robert Armistead  da Loja do Real Arco. Ocorrências da noite: Daniel Campbell, Robert Kohlerston, Alex Woodrow, elevados ao grau Maçons do Real Arco”.

Conforme nos esclarece IrNicola Aslan, devemos deixar claro, até agora,  que esse Rito, era praticado na Inglaterra, Irlanda, talvez Escócia, pelos Antigos, no século XVIII, e que os Modernos não aceitavam, por não quererem ouvir falar em Altos Graus. Desse modo, quando ocorreu a fusão dos dois, gerando a Grande Loja Unida da Inglaterra, o Royal Arch foi mencionado no “Ato da União” com a seguinte disposição:

“É declarado, em seguida, e instituído, que a pura e antiga Maçonaria consiste em três Graus e não mais, a saber, os de Aprendiz, de Companheiro e de Mestre Maçom, nele compreendido a Ordem Suprema do Santo Real Arco”.

Deve ser repetido aqui que o fundamental da Francomaçonaria é encontrado nos três graus da “Loja Azul” ou “Graus Simbólicos”. Isso é verdade, pois devemos levar em consideração que a Maçonaria do Real Arco, já foi parte do Terceiro Grau da Maçonaria Simbólica.

O Terceiro Grau das Lojas Simbólicas, conhecidas como Maçonaria Azul, como é praticada hoje, é conhecido como Grau de Mestre. Este Grau era originariamente tido como o mais alto ponto da Antiga Ordem Maçônica. Em torno de 1741 de nossa era, e não sabemos ainda o motivo para isso ter ocorrido, aparentemente, na cidade de York, na Inglaterra, houve uma cisão no Terceiro Grau, resultando na Maçonaria do Real Arco. 

O Simbolismo do Real Arco é, na realidade, parte do Simbolismo do Terceiro Grau. Assim, no Rito de York, nós temos hoje em dia, o Grau de Mestre Maçom diminuído nas suas informações, necessitando de um complemento, o qual é fornecido pela Maçonaria do Real Arco.

O Simbolismo do Grau de Mestre, como temos hoje, é necessariamente restrito à construção do primeiro Templo, ou Templo de Salomão, e a vida presente, apesar de alcançar um clímax na garantia de uma vida futura.

Para o Simbolismo relativo a destruição desse primeiro Templo, a conquista do povo judeu pelos Caldeus, o cativeiro na Babilônia, a libertação por Ciro, o retorno dos judeus para Jerusalém e a construção do Segundo Templo, Zorobabel, nós dependemos da Maçonaria do Real Arco.

Sem este complemento, o Simbolismo do Terceiro Grau das Lojas Simbólicas, está incompleto.

Somente como informativo, podemos dizer que a Ordem Maçônica possui um sistema direcionado em apresentar a idéia simbólica da passagem do Homem na Terra. O Primeiro grau é freqüentemente referido como a representação da juventude, do período de aprendizagem, do tempo de purificação dos sentimentos, como período de preparação para a conquista de altas esferas aqui na Terra.

O Segundo Grau é freqüentemente referido como a representação do período da vida adulta, das qualidades, do tempo de crescimento e alargamento do conhecimento e do trabalho.

O Terceiro Grau é freqüentemente referido como o simbolismo da vida madura, das grandes experiências, do tempo de atividades contínuas, com decréscimo das atividades árduas, mas alargamento do pensamento, do conhecimento e muita sabedoria nos julgamentos. Portanto, é um período de grandes responsabilidades em muitos aspectos das decisões tomadas, da tolerância e, do inevitável termino com a morte.

Como foi dito, a complementação dos três graus das Lojas Simbólicas, é dado pela Maçonaria do Real Arco. É impossível dizer, o por que e com data precisa, quando os trabalhos do Real Arco foram separados do Terceiro Grau, ou quando o Real Arco se tornou uma ramificação da Ordem Maçônica. Aparentemente, o Real Arco, apareceu separado do Terceiro Grau na cidade de York, na Inglaterra e que Assembléias Maçônicas, sob essa designação foram mantidas em diferentes partes da Inglaterra, Irlanda e Escócia, no começo do século XVIII e que, nesse mesmo período foi introduzido na América.

Segundo o livro “Holy Bible”, editado pelo Heirloom Bible Publishers, Wichita, Kansas, EEUU, o Real Arco é conhecido como “Capítulo” (Chapter) e consiste de quatro graus. São eles: Maçom Mestre da Marca, Past Master, Mui Excelente Mestre e o Real Arco.

As lendas e símbolos desses graus relatam a destruição do Templo de Salomão pelos Caldeus, o cativeiro dos judeus e, principalmente, a construção do segundo Templo, o de Zorobabel.

A distinta conexão com o Terceiro Grau das Lojas Simbólicas é a “recuperação de certos segredos” os quais foram perdidos quando Hiram Abiff foi violentamente assassinado.

O Primeiro Grau, Mark Master Degree, da Maçonaria do Real Arco é baseado na tradição e organização dos Maçons Operativos, os quais foram empregados no Templo de Jerusalém e, com isso, pelas suas qualidades evitaram discórdias e confusões. Em significado simbólico, é dirigido aos Irmãos Companheiros, para estimular ordem, regularidade e disciplina; ele nos ensina que a liberação de todas nossas obrigações morais, em vários estágios de nossa vida, devem ser feitas com precisão e pontualidade; que o trabalho de nossas mãos, os pensamentos de nossa mente e os sentimentos de nossos corações devem ser bons e verdadeiros para que possam ser aprovados pelo Grande Arquiteto do Universo. Igualmente, esse grau é dirigido no sentido do aprendizado, tanto que este grau instrui como o aprendizado pode ser mais justo e freqüentemente empregado para nossa honra e benefícios de outros. Tendo sido ensinado a obrigação moral de praticar todas as moralidades da vida, nós agora estamos instruídos da importância da performance deles, com uma regularidade sistemática. O objetivo de cada verdade do Mestre de Marca é de viver e trabalhar de tal modo, que possa receber o reconhecimento de seus serviços e ser aplaudido devido a eles.

O Segundo Grau, Past Master Degree, da Maçonaria do Real Arco foi originariamente um Grau de Honra, conferido ao Mestre da Loja na sua Instalação por mais de três Past Máster. No Real Arco, ele não tem conexão direta ou histórica com os Graus precedente ou posterior. O breve Ritual não é especialmente significante no avanço dos Iniciados na Maçonaria do Real Arco, mas tido como necessário. Para aqueles que não foram Veneráveis nas Lojas Simbólicas, uma cerimônia de investidura é dada.

O Terceiro Grau, Most Excellente Master da Maçonaria do Real Arco, é baseado em certos fatos históricos e lendas com referencia à dedicação ao templo pelo rei Salomão. O oficial que o preside, representa o Rei Salomão com o título de “o mais Excelente”. Os oficiais são os mesmos que na Loja Simbólica, apesar que, em alguns rituais, o Segundo Vigilante é omitido. Os símbolos, as lições derivadas deles, e as leituras, combinam uma significativa seqüência para importantes partes das Lojas Simbólicas. Eles implementam e complementam muitas da instruções recebidas, e reforçam algumas das mais sublimes lições dadas.

O Quarto Grau, Royal Arch Degree, é onde o clímax da Maçonaria do Real Arco é obtido. É a pedra de cobertura, a cumieira, o fechamento do Terceiro Grau das Lojas Azuis. É um ramo da Maçonaria, que complementa e ilumina profundamente, tudo o que foi dado anteriormente. O trabalho deste Grau tem fechadas conexões com o Primeiro e Terceiro Graus do Capítulo da Maçonaria, e reforça as lições dadas. Muito é aqui fornecido como guia prático para seguir os princípios básicos, as doutrinas da Maçonaria na vida diária.


Bibliografia : GRANDE DICIONARIO ENCICLOPEDICO DE MAÇONARIA E  SIMBOLOGIA – NICOLA ASLAN

MASONIC SERVICE ASSOCIATION OF EEUU.



ARLS ORIENTE ETERNO 194 - São Paulo



Visito pela segunda vez a ARLS Oriente Eterno 194 que se reúne as duas da tarde nas quartas feiras na GLESP, em um templo exclusivo do grau de Mestre Maçom.

Já comentei neste blog, quando postei a minha visita anterior, que esta Loja foi criada para atender irmãos idosos, como eu mesmo, que encontram problemas para sair de casa em horário noturno, com riscos de segurança e grande dificuldade de estacionamento nas proximidades da Grande Loja devido ao hospital, teatro e faculdades próximas.

Mas com o passar do tempo, uma  geração de maçons mais jovens, com atividades que podem proporcionar este happy hour no meio da semana, vieram fazer parte do quadro e, mesclados com os mais vividos, formaram um quadro muito inteligente, cujas sessões são encerradas com rodadas de chopp.

Sob o comando da poderosa voz do Venerável Mestre Chung Chih Hau assisti a uma belíssima apresentação sobre a segunda instrução de Mestre Maçom, a cargo do irmão Márcio Martins Moreira, que a todos  encantou, 

setembro 24, 2025

ARLS ORAÇÃO E TRABALHO 128 - São Paulo

 


Ao chegar a ARLS Oração e Trabalho 128 no Palácio Maçônico da GLESP, na noite de ontem, fui presenteado com um alentado volume contando os 50 anos de história da Loja. Porém durante a leitura da ata fiquei sabendo da comemoração dos 60 anos ocorrida recentemente. Bodas de diamante a serviço da maçonaria e da sociedade.

Fui cordialmente recebido pelo Venerável Mestre Mario José Vera Perez para uma sessão cujo foco foi a apresentação de três trabalhos sobre a primeira instrução por três jovens aprendizes.

Os trabalhos foram primorosos, de muita qualidade. Elogiei o VM e a Loja por contar com aprendizes tão inteligentes capazes de apresentar trabalhos de excelente conteúdo ainda na primeira instrução. Os comentários dos irmãos mestres, a respeito das apresentações, acrescentaram muito conhecimento.

Fiz o convite para que os irmãos se inscrevam na XXX Jornada Maçônica no próximo domingo em Santos, que será uma inestimável fonte de cultura maçônica para quem participar.

HIRAN ABIF OU ADONIRAM? Pedro Juk


Em 14/06/2017 o Respeitável Irmão Perílio Barbosa Leite da Silva, Loja Arte e Virtude, REAA, GOB-MG, Oriente de Lajinha, Estado de Minas Gerais, formula a seguinte questão:

HIRAN OU ADONIRAM?

Fui instalado na última semana e nesta semana tive oportunidade de participar de uma instalação pelo REAA praticado pela Grande Loja. Notei que no REAA praticado pelo GOB o personagem da Lenda é o próprio Hiran Abif e no REAA praticado pela Grande Loja o personagem da Lenda é Adonhiran. Sei que na origem do escocismo não existe ritual de instalação, este de origem inglesa, sendo assim poderia me dizer qual personagem é apresentado na instalação em sua origem, Hiran Abif ou Adonhiran?

CONSIDERAÇÕES.

Os dois são, em termos de Lenda Maçônica, o mesmo personagem.

Hiran Abif (Hiran meu Pai) - Como partícipe principal da lenda maçônica, o personagem fenício, filho de um habitante de Tiro e de uma mulher da tribo de Neftali, foi enviado por Hiran, Rei de Tiro ao Rei Salomão quando da construção do Templo de Jerusalém.

Exímio trabalhador com metais, dentre outros, fundiu as Colunas B\ e J\, construiu o Mar de Bronze e tantos outros utensílios utilizados no Templo.

Na verdade, segundo o Livro de Reis, Hiran, o Rei de Tiro recomendara Hiran Abif a Salomão em virtude das suas qualidades de hábil trabalhador com metais, mas não como arquiteto. Foi o ritual maçônico pela adoção da Lenda Hirâmica que o transformou em arquiteto construtor do Templo.

Nunca é demais lembrar que o Grau de Mestre especulativo somente apareceria na Moderna Maçonaria em 1725, portanto não faz sentido conduzir à história da Maçonaria à época da construção do primeiro Templo (Salomão), a despeito de que essa menção seja sempre feita de modo lendário que objetiva incontestável lição de moral e sociologia.

Adoniram (ou Adonhiram = corruptela de Adoniram) – As escrituras mencionam-no apenas como um encarregado das corveias quando da construção do Templo pelo Rei Salomão, entretanto em 1744, Louis Travenol, na França, publicou sob o nome de Léonard Gabaon a obra Catecismo dos Franco-Maçons ou o Segredo dos Franco-Maçons, oportunidade em que confundiu o personagem Adoniram (preposto das corveias) com Hiran Abif (Hiran meu Pai). Provavelmente o motivo do engano foi porque o prefixo Adon que significa em hebraico “Senhor”, parecia soar como um prefixo de honra.

Em contingência disso, muitos dos ritualistas se dividiram. Segundo o autêntico Alec Mellor, para alguns os personagens eram a mesma pessoa, enquanto que outros sustentavam uma teoria dualista, mas divergiam quanto aos papéis respectivos de Adoniram e Hiran Abif na construção do Templo; uns sustentando que Adoniram não fora senão um simples subalterno (preposto), enquanto outros viam nele o verdadeiro personagem e herói da Lenda do Terceiro Grau.

Ainda segundo Mellor, foi assim que nasceu a Maçonaria Adoniramita, oposta aos “hiramitas”, se assim se pode dizer. A vertente Adoniramita ficaria conhecida pelo Recueil Précieux de La Maçonnerie Adonhiramite (Coletânea Preciosa da Maçonaria Adoniramita), publicada em 1782 por Louis Guillemain de Saint-Victor e atribuída pelo superado Ragon, sem qualquer fundamento, ao Barão de Tschoudy.

Como mencionado, em se tratando da Lenda do Terceiro Grau que é o que interessa para a Moderna Maçonaria, o personagem lendário é apenas uma pessoa se tomado nela como o arquiteto do Templo – seja ele Hiran Abif (meu pai) ou Adoniram (Senhor Hiram). A questão não é do preposto das corveias ou do hábil trabalhador com metais, mas do “Arquiteto do Templo” que fora assassinado pelos três maus Companheiros.

Assim, se tudo o que nos interessa é o significado dessa magnífica alegoria lendária, o personagem, não importando se Hiran ou Adoniram, atua com protagonismo único no teatro da morte e do renascimento, assim como nos rituais que instalam um Mestre Maçom na Cadeira da Loja.

De tudo, o personagem mais comum conhecido na Lenda Hirâmica é Hiran Abif, sobretudo no que diz respeito ao REAA\, embora alguns até o tenham como Adoniram ou Adonhiram.

Por fim, Hiran Abif, ou Adoniram também são mesmos personagens que representam o Arquiteto Construtor, tanto na Lenda do Hirâmica como naquela que o menciona com Balkis, a Rainha de Sabá.

setembro 23, 2025

INTERAÇÃO e INTERATIVIDADE MAÇÔNICA - Newton Agrella


Uma instituição iniciática que possibilita a um determinado número de pessoas compartilhar informações, trocar experiências e estimular o exercício do pensamento e do raciocínio entre sí, reveste-se de um caráter interativo.

É nessa toada, que a prática maçônica se diferencia de todas as outras.

A Maçonaria é a arte de interagir, construir algo em comum e descobrir.

A interação começa com a promoção de uma relação fraterna, entre homens de diferentes etnias e credos, mas que compartilham da idéia de um princípio criador e incriado.

Prossegue com a interação entre si de símbolos, alegorias, marchas, toques, palavras e sinais, que podem variar de acordo com o rito, mas cujos princípios dialéticos se identificam como um fator de comunhão.

A expressão típica de reconhecimento entre Irmãos do R.'.E.'.A.'.A.'.  , por si só, revela uma essência interativa em que ambas as partes se mutualizam sob uma mesma égide.

Cabe porém registrar, que essa Interação precisa ser melhor explorada quando da apresentação de trabalhos em Loja ou nas Sessões Virtuais, momentos em que poderiam ser melhor articuladas as contra-argumentações e o confronto de ideias, de forma a suscitar a discussão cultural, como agente alavancador em prol da evolução.

Provavelmente, falte um pouco mais de experimentação crítica, no sentido de auxiliar no processo de abrir a mente, criar um território mais fértil para que o espírito especulativo dos Maçons valha-se da investigação intelectual como mola propulsora em favor do aprimoramento humano.

Interação é uma corrente energética que se alimenta através de uma relação de reciprocidade. 

Nesse processo mútuo, a Interação humana se manifesta

por meio de um complexo sistema de comunicação, com a finalidade de evoluir intelectualmente.

Para desfecho deste episódio e para efeito formal, cabe lembrar que semanticamente a

Interação é a ação direta ou indireta mediada entre indivíduos.

E a Interatividade, por vez, constitui-se na capacidade de um sistema de comunicação para possibilitar a Interação.



GIRA MUNDO - Newton Agrella





O mundo é bem isso.

Mudamos a cada dia.

Vamos nos transformando de acordo com o tempo.

Os valores se invertem.

Gênero agora é uma opção.

Escrever com lápis ou caneta é um árduo exercício físico e mental.

Alfabetizamo-nos pelo computador.

Nossas ligações afetivas tornaram-se online.

Vemo-nos e encontramo-nos por vídeo conferência.

A alimentação virou "express" e na hora de se reunir com a família em torno de uma mesa, cada um mergulha em seu próprio mundo com o smartphone em punho como se fosse uma espécie de prolongamento do próprio corpo.

Isso não é bom nem ruim.

Isso chama-se "flexão do tempo".

E nem vem com aquela conversa dizendo:

"...Ahhh no meu tempo era tudo diferente..."

Nada disso.

O "seu tempo" é esse. 

É esse que você respira, pensa, reflete e pondera.

É o tempo em que você se molda e se adapta às circunstâncias. 

Goste você ou não.

No fundo no fundo, tudo é uma "transição"...  

A cada segundo o seu corpo se perde e se regenera...  

E a única coisa que você consegue controlar, por conta de seu raciocínio é a capacidade de pensar.

O pensamento é sempre seu.  

Ele é único, indivisível e inteiro dentro de você...

Até que um dia ele possa começar a apresentar defeitos...

Aí, bem aí é outra história...porque até lá, você poderá continuar a sentir o mundo girando e você se surpreendendo com as transformações que o cercam...

O Tempo é senhor de sí mesmo.

E nós, somos meros filhos do Tempo...






A Maçonaria e sua Interseção com o Povo Judeu - Jorge Gonçalves

 


Por que tantas palavras utilizadas na Maçonaria têm origem hebraica?

Por que o Templo de Jerusalém é o grande objeto de estudo da Ordem?

 Nesta palestra, serão revelados os vínculos históricos e simbólicos entre a Maçonaria e o povo judeu, desde a construção do Templo Sagrado até a resistência conjunta contra o nazismo, quando maçons chegaram a fundar uma Loja em pleno campo de concentração.

Hoje, às 19h30, na Loja Constâncio Vieira nº 3300, iniciaremos nossa Ordem do Dia com a regularização do Irmão Hildebrando Vieira Filho e, em seguida, teremos a honra de receber a inspiradora palestra do Venerável Mestre da ARLS Universitária Sergipe d’El Rey nº 4703, nosso estimado Irmão Rafael Leleu.



setembro 22, 2025

O TOQUE DO SHOFAR


 

ANNIE SULLIVAN E HELEN KELLER


O Dr. Frank Mayfield visitava o Instituto Tewksbury quando, ao sair, esbarrou por acaso em uma idosa funcionária da limpeza. Para quebrar o silêncio, perguntou: - Há quanto tempo a senhora trabalha aqui?

- Quase desde a abertura do lugar - respondeu ela.

 - Então deve conhecer bem a história deste instituto.

- Não sei contar, mas posso lhe mostrar algo. - Ela o conduziu até o porão do prédio mais antigo e apontou para uma cela coberta de ferrugem:

- Foi aí que mantiveram Annie Sullivan.

Intrigado, Mayfield perguntou quem era Annie. A funcionária explicou que era uma menina considerada incorrigível, selvagem, incontrolável, impossível de lidar. Mordia, gritava, atirava comida. Médicos e enfermeiros não conseguiram sequer examiná-la.

A mulher então revelou: - Eu era apenas alguns anos mais nova que Annie. Sempre pensava "Que horror deve ser viver trancada ali dentro". Eu queria ajudá-la, mas se os doutores não conseguiam, o que eu poderia fazer?

Numa noite, depois do trabalho, decidiu assar alguns brownies. No dis seguinte, deixou-os no chão, diante da cela, e disse: - Annie, fiz isso especialmente para você. Se quiser, pode pegar.

Saiu rápido, com medo de que Annie os atirasse de volta. Mas não. A menina pegou e os comeu. A partir daí, tornou-se um pouco mais dócil com ela. Com o tempo, conversavam, até chegaram a rir juntas.

Uma enfermeira percebeu e contou ao médico. Logo pediram a jovem funcionária que ajudasse com Annie. Quando os médicos precisavam examina-la era a funcionária que entrava primeiro, acalmava a menina, explicava as coisas e segurava a sua mão. Assim, descobriram que Annie era quase cega.

Depois de um ano de progresso lento, Annie foi enviada ao Instituto Perkins para Cegos, onde aprendeu a ler, escrever e, mais tarde, tornou-se professora.

Anos depois, Annie voltou a Tewksbury como educadora. O diretor comentou com ela sobre uma carta que acabara de receber: um pai desesperado tinha uma filha cega, surda e considerada "louca". Não queria interna-la em um asilo. Perguntava se alguém poderia ajuda-la em casa.

Esse foi o início da história que uniu Annie Sullivan a Helen Keller, alguns, amiga e companheira por toda a vida.

Anos mais tarde, quando Helen Keller foi premiada com o Nobel da Paz, perguntaram-lhe quem mais havia influenciado sua vida. Ela respondeu:

- Annie Sullivan.

Mas Annie corrigiu: - Não Helen. A mulher que nos transformou a ambas foi uma humilde funcionária da limpeza que um dia ofereceu alguns brownies a uma menina esquecida numa cela.

IMAGEM - Newton Agrella


A imagem pode revelar muitas coisas, desde um abrigo para a nossa alma até um grito de liberdade, preso no mais longínquo recinto de nossa memória.

O tempo parece que pára. 

Não há nenhum sinal de trilha ou de algum caminho a ser seguido.

É nesse cantinho do mundo que nossa imaginação se revela uma usina de idéias.

Não há submissão ou predomínio.

O que de fato existe somos nós e o infinito que o Universo rege.

Nesse lugar, a vida segue a inspiração dos dias.

Não se contam horas,  apenas contemplam-se as mais sutis sensações que o cérebro e o coração conseguem produzir.

As chances do ser humano dar certo são incontáveis, bem como as de dar errado encontram um território um tanto arriscado.

Viver é um ritual inesgotável de cerimônias. 

Algumas mais  requintadas, que nos impõem uma dose mais generosa de circunspecção e outras que são frutos da própria dinâmica de nossa existência. 

A perspectiva vai aos olhos de cada um de nós.

Afinal de contas, a rigor, a Imagem é filha do Imaginário e da Imaginação