janeiro 05, 2026

ANTES DE O ESTADO SER UMA MÁQUINA, ELE FOI UM RITO

 


Catedral de Reims


Antes de o Estado ser uma máquina, ele foi um rito.

Na França medieval, o poder real não se legitimava apenas pela força ou pela herança: ele era sagrado. O rei não governava “por si”, mas por Deus. Dessa sacralização nasceu, lentamente, algo novo: o Estado moderno.

O rei ungido

A cerimônia de coroação, celebrada em Reims, era o coração simbólico do poder. Ali, o rei era ungido com o óleo da Sainte Ampoule, gesto que o separava dos demais homens. Não era apenas coroado: era consagrado. Seu corpo tornava-se inviolável; sua autoridade, transcendental.

Essa unção criava uma ideia poderosa: o rei possuía dois corpos — um natural, mortal; e outro político, eterno. Mesmo quando um rei morria, a realeza permanecia. O poder deixava de ser pessoa para tornar-se instituição.

Justiça como missão sagrada

A sacralização não era só ritual; era prática. Governar significava fazer justiça. Reis como Luís IX encarnaram esse ideal: julgavam pessoalmente, protegiam os fracos, apresentavam-se como árbitros supremos. A justiça real tornava-se o eixo do reino — e o embrião do direito público.

Do sagrado ao administrativo

Com o tempo, o poder ungido precisou de mãos, olhos e voz. Surgiram conselhos, escribas, tribunais, impostos, arquivos. A fé sustentava a coroa; a administração sustentava o governo. Paris concentrou esses instrumentos: leis, registros, finanças. O Estado começava a ter forma própria, independente do rei individual.

Absolutismo: a ponte

No século XVII, a sacralização alcança sua expressão máxima. Com Luís XIV, o rei afirma: “O Estado sou eu.”

Não é apenas arrogância; é a culminação de um processo. O poder, antes distribuído entre senhores, Igreja e cidades, concentra-se no centro. O sagrado legitima a centralização; a centralização cria o Estado.

O paradoxo fundador

Mas a sacralização traz uma contradição: ao tornar o poder absoluto, ela o torna também visível — e, portanto, questionável. Quando o rei falha, não falha apenas um homem: falha um sistema. A crítica cresce, a razão ilumina, e a fé política se desgasta.

Assim, aquilo que criou o Estado moderno também preparou sua transformação. A soberania deixa o corpo do rei e migra, pouco a pouco, para a nação.

O legado

O Estado moderno nasceu ajoelhado, entre óleo sagrado e altar.

Aprendeu a andar com leis, arquivos e impostos.

E, mais tarde, aprendeu a caminhar sem coroa.

A sacralização do rei não foi ilusão: foi fundação.

Sem ela, não haveria continuidade.

Sem superá-la, não haveria modernidade.


Fonte: Facebook



MEMÉTICA NA MAÇONARIA - Charles Boller



Que fascínio exercem os contadores de histórias, romancistas e dramaturgos? 

Porque é que os seres humanos dedicam tantas horas concentrados, até alienados, a assistir a filmes, ler livros ou jogar conversa fora? 

E como é gratificante ouvir o som das palmas de uma criança quando lhe é prometido um conto; júbilo este que se propaga entre adultos. 

São atitudes que certificam que a espécie humana é a única que troca histórias entre si. 

O hábito provavelmente estabeleceu-se na pré-história do homem, em momentos de ociosidade dentro das cavernas, onde contavam histórias entre os acontecimentos do dia. 

Isto propiciou o fato da maioria dos conceitos éticos e morais aportarem no presente por intermédio de parábolas. 

Em função disto determinou-se que a sociedade humana só está no seu atual desenvolvimento em resultado da transmissão dos mitos e de como estes influenciaram na psique humana. 

É tanto que, são as ficções as responsáveis pelas explicações das mais diversas realidades espirituais, transcendentais, sociais e cósmicas.

O iniciado na Ordem Maçónica é diversas vezes conduzido em viagens simbólicas; conduzem-no por sendas imaginárias que lhe são dadas a desbravar física, emocional e mentalmente. 

Para aumentar o impacto e aguçar a sensibilidade emocional e cognitiva, alguns destes passeios são feitos às cegas, com os olhos vendados. 

Mesmo na rigidez ritualística com que estes deslocamentos físicos são efetuados, em virtude da individualidade, cada indivíduo os percebe psicológica e racionalmente à sua maneira, alicerçado nos seus próprios referenciais, baseado nos mitos e sistemas de crenças previamente fixados pela sua experiência de vida.

Surge uma questão: até onde é que estas jornadas da Maçonaria conduzem? 

Até a morte; a maior ameaça que pode atingir alguém. 

Cada vez que um Maçom passa de grau por iniciação, dispara-se nele simbolicamente uma angústia existencial aterradora, experimenta o fim, a morte. 

Estas reiteradas mortes fictícias têm por objetivo negociar com o pavor da abominável destruição. 

Ao homem Maçom é dado aprender a morrer para condições anteriores; a valores morais e éticos, e ao mesmo tempo é auxiliado emocionalmente a superar a angústia da morte. 

Resumindo: aprende a morrer bem, para viver bem. 

Para Sócrates, o homem virtuoso não pode sofrer nenhum mal, nem da vida, nem da morte. 

Nem da vida porque os outros podem danificar-lhe os haveres ou o corpo, mas não arruinar-lhe a harmonia interior e a ordem da alma. 

Nem na morte, porque, se existe um além, o virtuoso será premiado; se não existe, ele já viveu bem no aquém, ao passo que o além é como um ser no nada” (G. Reale). 

As religiões criaram mecanismos para atenuação emocional deste trauma: promessa de uma vida futura num jardim de delícias; restauração num novo sistema de governo mais justo aqui na Terra mesmo. 

Outras declaram que o adepto será levado a um lugar onde será servido por dezenas de virgens pela eternidade. 

O Maçom, por experimentar repetidas mortes simbólicas, e tendo compreendido e praticado o seu sentido simbólico, passa a gozar a vida em graus de harmonia correspondentes ao quanto ele absorveu e vivenciou daquelas experiências. 

E passa a ser afetado de forma positiva no conjunto de circunstâncias físicas e de relacionamento interpessoal; aproveitando no aquém as benesses de levar vida virtuosa.

A morte, por ser única, é destino que a mente humana não aceita, haja vista os genes imporem a sobrevivência a qualquer custo. 

Os psicodramas vividos nas passagens de grau, sabidamente lendas, objetivam e ensinam a morrer.

Ao vivenciar a morte, de imediato o recipiendário normalmente alcança um entendimento razoável da mensagem, e, se mudar os seus parâmetros de vida, passa a viver cada vez melhor desde entã

Entretanto, ele também é atingido por sugestões subliminares; outros pensamentos são incompreensíveis por não disporem de referenciais na base do seu entendimento. 

No exato instante da transferência da informação para o seu cérebro, a informação pode não ficar clara quanto ao objetivo, mas, ao longo do crescimento dentro do contexto da lenda do grau, ou noutros mais elevados, se houver esforço pessoal, despertarão percepções que linguagem alguma teria condições de verbalizar.

Porque os mitos se espalham e se mantém ao longo da linha do tempo? 

A ideia foi lançada pela primeira vez em 1976, por Richard Dawkins, que partiu do princípio de, sendo as leis físicas verdadeiras, e, alicerçado na ação biológica da replicação; uma vida gera a outra vida apoiada nos genes, ele transportou os conceitos da imutabilidade das leis físicas e da capacitação replicante da genética para a capacidade humana em transmitir ideias. 

A cada unidade de informação ele denominou meme. Provinda do verbete grego mimeme (imitação), abreviando-o depois para meme apenas para ficar parecido com gene. 

Sugeriu que, assim como os genes induzem a desejar a sobrevivência pela replicação, também os memes se propagam e reproduzem no tempo pulando de um cérebro para outro. 

Ao aportarem no receptor, os princípios e conceitos recebidos são agrupados ao referencial existente, fundem-se ao que ele já possui. 

Se encontradas condições favoráveis, acabam por se transformarem em algo aceitável, trabalhando no sentido de beneficiar o seu utilizador; à semelhança das mortes sucessivas das iniciações maçónicas levarem a intuir o viver bem na vida aquém.

Considerando que “somente o sábio, que esmagou os monstros selvagens das paixões que lhe agitam no peito, é verdadeiramente suficiente a si mesmo: ele aproxima-se ao máximo da divindade, do ser que não tem necessidade de nada” (W. Jäger). 

Outras transações meméticas entre os maçons se fazem necessárias para o entendimento do que realmente a Maçonaria intenciona que cada um descubra durante a sua edificação interna. 

Sem a troca memética não é possível descobrir que dentro de si se encontra a lei que levará ao despertar para o culto do amor fraterno, verdade que a maioria dos grandes iniciados da história descobriram como solução única aos problemas da humanidade.

Que vindes fazer aqui? 

Se não for para transmitir memes às mentes de teus irmãos, quer perda de tempo maior? 

Depois de aprender, é só pensar, filosofar, contar histórias, enfim, transmitir memes; propiciar que os interlocutores efectuem ligações neurais e gerem em si o alimento para que se autoconstruam dentro do objectivo do “conhece-te a ti mesmo”. 

Partindo do princípio que todos os seres humanos são tripulantes desta linda nave espacial Terra e dependerem uns dos outros para manter a supremacia como espécie, a memética é fator fundamental para manter esta condição. 

E como se faz isto na Maçonaria? 

Apresentando peças de arquitetura; lançando novas ideias; conversando após as sessões; visitando outras lojas; visitando os irmãos nas suas residências; visitando aqueles irmãos que passam por situações difíceis; replicando e criticando construtivamente, dicotomizando, reconstruindo pensamentos pelos eternos ciclos de tese, antítese e síntese; derrubando conceitos antigos e construindo novos, num processo continuo de transmissão e replicação memética.

A memética é a técnica utilizada para revelar o conhecimento ao iniciado na ordem maçónica. 

Com esforço, dedicação e perseverança, o Maçom vai misturando as histórias que lhe são contadas ao referencial pessoal e então os insights explodem em fascínio e admiração; outros pensamentos ficam dormentes no limiar da consciência para despertarem mais tarde; outros, nunca aflorarão. 

Certamente este é um dos caminhos que conduzem ao encontro da luz emanada do Grande Arquiteto do Universo. 

Como se certificar disto? 

Apoiando-se na memética e viajando pelos caminhos da jornada solitária que cada um faz a sua alma, e cuja aplicação é oportunizada em cada encontro Maçom.


janeiro 04, 2026

RONDÔNIA, 44 ANOS - Aldino Brasil


Rondônia, 44 anos! O Estado de Rondônia foi criado oficialmente pela Lei Complementar nº 41 em 22 de dezembro de 1981, sendo instalado em 4 de janeiro de 1982, quando Jorge Teixeira de Oliveira tomou posse como o primeiro governador, marcando a transição do antigo Território Federal de Rondônia para um estado, comemorando-se o aniversário nesta data de instalação, ressaltando sua jovem história e importância para o desenvolvimento do Norte do Brasil.

A região era o antigo Território Federal do Guaporé, criado em 1943, desmembrado de Mato Grosso e Amazonas.

Em 1956, foi rebatizado como Território Federal de Rondônia, em homenagem ao Marechal Rondon.

O grande passo foi dado com a sanção da Lei Complementar nº 41, em 22 de dezembro de 1981, pelo presidente João Batista Figueiredo, elevando o Território à categoria de Estado.

A data de 4 de janeiro de 1982 é a da instalação, com a posse do primeiro governador, Cel. Jorge Teixeira de Oliveira, marcando o início da administração estadual e a comemoração anual.

(Por iniciativa dos ilustres maçons deste Estado nasceu em Rondônia, há 5 anos, a a Loja Maçônica Virtual Lux in Tenebris 57, a primeira do Brasil e também a Academia Maçônica Virtual Brasileira de Letras que tenho a honra de presidir - Michael Winetzki)

MACONARIA E PROTESTANTISMO - Viviane Ribeiro


 A Curiosa Relação da Maçonaria Brasileira com a chegada dos primeiros missionários protestantes ao Brasil Império. Os missionários protestantes norte-americanos, de origem sulista, que chegavam ao Brasil em 1862, foram os primeiros protestantes a chegarem no País com o objetivo de proselitismo religioso. 

Há anos já havia comunidades de protestantes alemães e ingleses, mas que não tinham nenhuma intenção de expandir sua fé. A Imigração dos confederados que resultou na fundação da Igreja Presbiteriana no Brasil, foi sugerida pelo Grão Mestre do Grande Oriente e líder da Maçonaria Conservadora, Visconde do Rio Branco, ao missionário presbiteriano, Alexander Blackford, fundador do primeiro órgão de imprensa Protestante no Brasil, contou com o apoio e colaboração de Joaquim Nabuco, considerado líder da Maçonaria Liberal. 

A  proteção dispensada aos agentes bíblicos e aos missionários por parte da maçonaria, e a defesa da liberdade religiosa, foi apenas parte de uma jogada política contra o poder da Igreja Católica. A maçonaria via os protestantes como os representantes da “modernidade” no Brasil, daí surgiu a crença entre a elite liberal e maçônica de que o atraso brasileiro era consequência da dominação Romana, tal situação seria resolvida mediante a imigração em massa dos povos protestantes e da imposição de seu estilo de vida baseado na valorização do trabalho e da educação.

Paralelamente à construção das igrejas, os missionários criaram escolas com a finalidade de instruir e educar os filhos dos fiéis dentro da ética protestante. Contudo, essas escolas passaram a receber os filhos da elite liberal-republicana e da maçonaria, uma vez que foram organizadas segundo o modelo norte-americano de educação moderna, pragmática e cientifica.

Fonte: PROTESTANTISMO, LIBERALISMO, MAÇONARIA E A EDUCAÇÃO NO BRASIL, NA SEGUNDA METADE DO Século XIX. 


2026 - Adilson Zotovici



Rogo-te Grande Arquiteto

Muita Luz na nova estação

Um próspero ano repleto

De paz, saúde e união


Dá vida ao bom projeto

Força na realização

Torna o bom sonho concreto

No tempo certo a solução


Com o Teu Manto dileto

Cobre a Sublime Instituição,

A família, nosso teto,

O carente, a população...


Que a sabedoria o objeto

Equilíbrio e resignação

Frente a algum desafeto

Em conceder-lhe o perdão


Tua proteção no trajeto

À vida, que em Ti a razão

Por ela, por tudo, com afeto...

Nossa eterna Gratidão !



RELIGIÃO E MAÇONARIA: DOIS CAMINHOS, UMA MESMA PERGUNTA - Rui Calado


Religião e Maçonaria nascem do mesmo ponto original: a inquietação humana diante do mistério. 

Ambas procuram responder à pergunta fundamental — de onde venho, quem sou, para onde vou? — mas fazem-no por vias distintas, quase opostas na forma, ainda que não necessariamente no fim.

A religião estrutura-se a partir da revelação. 

Parte de uma verdade transmitida, fixada na palavra, no livro, no dogma. 

Organiza a relação com o sagrado através da crença, do culto e da pertença. 

A sua força reside na capacidade de criar comunidade, sentido partilhado, narrativa comum. 

O seu risco está em confundir o símbolo com a realidade, a mediação com o absoluto, a obediência com a consciência.

A Maçonaria, pelo contrário, estrutura-se a partir da iniciação. 

Não transmite verdades finais; propõe experiências simbólicas. 

Não exige fé; exige trabalho sobre si. 

Não define Deus; aponta para um Princípio, deixando à consciência de cada um a forma de o nomear. 

Onde a religião afirma, a Maçonaria sugere; onde a religião prescreve, a Maçonaria simboliza.

Do ponto de vista simbólico, a diferença é clara: a religião eleva o olhar para o céu; a Maçonaria baixa-o para a pedra. 

Uma fala da salvação da alma; a outra da construção do homem. 

Uma promete redenção; a outra exige lapidação. 

Não são caminhos rivais, mas planos distintos.

A confusão começa quando a religião pretende ser iniciática sem o ser, ou quando a Maçonaria é lida como religião alternativa — erro frequente de críticos e de alguns entusiastas. 

A Maçonaria não substitui o sagrado religioso nem o combate; trabalha antes num plano ético, simbólico e antropológico, anterior a qualquer confissão. 

Por isso pode acolher homens de diferentes crenças sem lhes pedir renúncia.

Historicamente, a tensão entre ambas nasce quando a religião institucional se sente ameaçada por um espaço onde a consciência não é tutelada. 

A Maçonaria afirma a liberdade interior, o uso da razão, a dignidade do símbolo. 

Não nega Deus; recusa falar em nome de Deus.

Esse silêncio ativo é, talvez, a sua maior heresia aos olhos do dogma.

Iniciáticamente, a religião tende a oferecer um caminho vertical — do homem para o divino — mediado por uma autoridade espiritual. 

A Maçonaria propõe um caminho horizontal e circular — do homem para si mesmo, e deste para a humanidade. 

O divino, se existir, manifesta-se como ordem, harmonia, lei moral inscrita no coração do ser humano.

Num tempo em que as religiões perdem autoridade simbólica e a espiritualidade se fragmenta, a Maçonaria permanece como um espaço raro de trabalho simbólico não dogmático. 

Não promete sentido; constrói-o. 

Não impõe valores; exercita-os. 

Não oferece certezas; educa para a dúvida fecunda.

Religião e Maçonaria não se anulam. 

A religião pode nutrir o sentido do transcendente; a Maçonaria disciplina a ética da ação. 

Quando separadas, empobrecem; quando confundidas, pervertem-se.

Talvez o equilíbrio esteja aqui: uma religião que volte a ser simbólica e humilde, e uma Maçonaria que permaneça fiel à sua vocação discreta de escola de humanidade. 

Não para salvar almas, mas para formar homens justos, conscientes e livres — capazes, talvez, de tornar o mundo um lugar um pouco menos indigno do mistério que o habita.

Porque, no fim, não foram as religiões que falharam totalmente.

Falhou o esquecimento de que o caminho é sempre interior, e que nenhum deus substitui a responsabilidade de tornar-se humano.


SALOMÃO LUIZ GINSBURG - Luciano J. A. Urpia .



 Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927) foi um dos missionários batistas mais importantes para a evangelização e expansão da Igreja Batista no Brasil. Nascido na Polônia, era judeu e filho de rabino, mas se converteu ao Cristianismo e foi para a Inglaterra. Seu pai, o deserdou por isso.

Chegou ao Brasil e logo se batizou na Igreja Batista, por influência do missionário Zacarias Clay Taylor. Também Iniciado na Maçonaria (como outros batistas), Ginsburg chegou a narrar sobre sua condição de maçom em seu livro “Um Judeu Errante no Brasil”.

Não foi um simples Irmão da Ordem, pois tinha uma vida maçônica ativa e atuante: podemos destacar que Ginsburg em 02.07.1894, foi um dos fundadores, na cidade de São Fidélis (RJ), da Loja Maçônica “Auxílio à Virtude”. Na mesma cidade e ano, fundou a “Egreja de Christo” (depois chamada Batista), com auxílio financeiro dos maçons.

Também foi membro de diversas Lojas Maçônicas, como a “Duke de Clarence Lodge” (Salvador-BA), “Restauração Pernambucana” (Recife-PE), PE, “Progresso” (Campos-RJ), e, na jurisdição da Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo, é patrono da Loja “Salomão Ginsburg” no 3.

Além de fundador de inúmeras Igrejas Batistas pelo país, criou o hinário das Igrejas Batistas no Brasil.



Fonte: CURIOSIDADES DA MAÇONARIA



janeiro 03, 2026

POR QUE O IMPACTO DA MAÇONARIA DIMINIU - Rogério Paschoal

 



O fascínio exercido pela Maçonaria no século XVIII em comparação com a atualidade pode ser compreendido através de uma análise que envolve o monopólio do conhecimento, a estrutura de classes e a dessacralização da informação.

Aqui está o raciocínio lógico e sociocultural dividido em três eixos:

1. O Monopólio da Vanguarda vs. A Diluição da Informação

No século XVIII (O Século das Luzes), a Maçonaria era o principal "hub" de inovação intelectual. Em um mundo dominado pelo absolutismo monárquico e pelo dogma religioso, as lojas maçônicas ofereciam um espaço único de livre-pensamento. 

Raciocínio: O fascínio ocorria porque a Ordem detinha o "fogo prometeico": as ideias de Igualdade, Liberdade e Fraternidade que moldariam as revoluções (Americana e Francesa).

Hoje: Na era da internet e das redes sociais, não existem mais "segredos intelectuais". O conhecimento filosófico e os ideais políticos estão democratizados. A Maçonaria perdeu o monopólio da vanguarda ideológica, tornando-se uma instituição de preservação de tradição, o que gera menos curiosidade transformadora. 

2. Sociabilidade Seleta vs. Entretenimento de Massa

No século XVIII, a Maçonaria funcionava como a rede social definitiva para a ascensão da burguesia e o diálogo com a aristocracia esclarecida.

Raciocínio: O fascínio residia no exclusivismo. Pertencer a uma loja era o sinal máximo de distinção social e acesso a círculos de poder restritos. Era o local onde o "mérito" começava a desafiar o "berço".

Hoje: A sociedade atual é hiperconectada e valoriza a transparência e o alcance de massa. Clubes de serviço, fóruns de networking online e associações profissionais cumprem o papel prático que antes era exclusivo das lojas. O "mistério" maçônico, em um mundo que exige exposição constante, é visto por muitos mais como uma excentricidade do que como um privilégio aspiracional.

3. O Espaço do Sagrado e o Impacto do Segredo

A mentalidade do século XVIII era profundamente simbólica e ritualística. O segredo maçônico tinha um peso existencial e político real; traí-lo poderia significar ostracismo ou perseguição estatal.

Raciocínio: O impacto (fascínio) era alimentado pelo perigo e pela mística. A sociedade via a Maçonaria como uma força invisível capaz de derrubar tronos. O segredo era uma arma de proteção e uma ferramenta pedagógica de autoconhecimento.

Hoje: Vivemos em uma era de profundo ceticismo e pragmatismo. O "segredo" maçônico é frequentemente ridicularizado por teorias da conspiração na internet ou visto como um anacronismo. Para o homem moderno, o mistério ritualístico muitas vezes não compete com o fascínio imediato da tecnologia e do consumo.

Conclusão: Por que o impacto diminuiu?

O real motivo do maior impacto no século XVIII foi a necessidade histórica. A Maçonaria era a resposta para os anseios de uma classe emergente que precisava de um refúgio para construir um novo mundo.

Hoje, a Maçonaria enfrenta o desafio de ser uma instituição estática (focada na preservação de ritos) em uma sociedade líquida (focada na mudança constante). O fascínio diminuiu porque a Ordem deixou de ser a "sala de máquinas" da mudança social para se tornar um "museu vivo" de valores éticos que, embora nobres, não possuem mais o caráter de urgência ou de exclusividade que tinham no passado.

MAIS DE QUATRO MIL...- Adilson Zotovici



Adilson Zotovici

Homenagem ao 

*BLOG MICHAEL WINETZKI* 

“*4000 POSTAGENS* “


Nunca houve tempo perdido 

Em tão colossais viagens 

Vez que tesouro erigido 

Nas culturais reportagens 


Um grande livro aguerrido

Levado às tantas paragens 

Pelo mentor escolhido 

Cada autor e suas mensagens 


Diário e esculpido 

Literário sem blindagens  

Um relicário exibido 


Anos a fio suas tiragens  

Blog dum “Mestre”, tão lido 

Mais de "quatro mil" postagens !



ENCONTRE SUA TURMA - Sidnei Godinho



Ontem ouvi um Aprendiz dizendo de sua empolgação por ter "Encontrado sua Turma". 

Ainda que nos primeiros passos, mas já aos 43 anos, casado, filhos e bem sucedido profissionalmente, faltava-lhe um grupo social para chamar de "Turma".

Ontem também uma outra reunião, de ex-integrante da Base Aérea dos Afonsos, renovaram uma tradição cinquentenária, da confraria dos Filhos da Pauta.

Samba, Pagode, Chopp, churrasco, muita Água Mineral e o tradicional batismo de cerveja, sob a centenária Tamarineira.

Mais um grupo que se identificou por Turma.

Semana passada foram os ex-alunos do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, em Santa Cruz que, igualmente, constituíram sua própria Turma e comemoraram a vida, através da amizade e das lembranças.

Por fim, tudo isto me chamou a atenção após assistir ao programa "Pequenas Empresas & Grandes Negócios", quando o repórter afirma que o segredo do sucesso de qualquer empreendimento é:

_ Ter um Propósito;

_ Encontrar sua Turma e

_ Dar significado ao seu Propósito.

A vida é, também, um negócio onde diariamente transações (algumas emocionais) são realizadas para dar sustento ao dia seguinte.

Muitos são os Propósitos ao longo da jornada, mas um nos é comum e basilar: "Ser Feliz!"

Que ganha significado nas realizações como Filho, Marido, Pai, Amigo, Aluno, Professor...

Mas é preciso, primeiro, Encontrar Sua Turma!

Sentir-se parte do todo, ser recebido como é e aceito por como se tornou, evoluir

O sucesso só faz sentido se compartilhado, ninguém é FELIZ sozinho.



janeiro 02, 2026

4000 POSTAGENS

 


        Iniciamos este novo ano com 4.000 postagens publicadas, fruto do trabalho de vários anos, e que foram selecionadas entre milhares de outras, nas áreas de maçonaria, ciência, cultura, história e entretenimento.

        Quem se dispusesse a ler apenas 4 postagens por dia, levaria mil dias, ou cerca de três anos, para abranger todo o conhecimento publicado.

        Começamos muito modestamente, e atingimos hoje mais de 774.000 acessos, o que para um blog específico de maçonaria, sem divulgação pública e com um nome tão complicado como o meu é um numero extraordinário.

        Agradeço aos meus 256 seguidores, que representam a elite do conhecimento maçônico do país, e lhes dedico meu trabalho, meu esforço e compartilho o amor pela Ordem;

        Muito obrigado, e um feliz e abençoado 2026.

CONJECTURAS SOBRE SER RECONHECIDO - Newton Agrella



(reminder)

Uns querem entrar na Ordem, porque acham que isto lhes confere um "status" social.

Outros assim o fazem, porque ouvem dizer, que ao ingressar na Maçonaria ficarão ricos e poderosos.

Há uma parcela que supõe que ser Admitido, seja um passaporte para fazer uma exitosa carreira política.

Nem tão distante disto, há os que acreditam, que em sendo Iniciados, todas as portas do mundo ser-lhe-ão abertas.

E finalmente, há um raquítico contingente de candidatos, que esperam, caso sejam admitidos, possam vir a desempenhar um trabalho de aprimoramento interior,  humanístico, ético, moral e intelectual, que possa torná-los mais consistentes como seres humanos.

Por obra de fortuitas circunstâncias, o que se percebe, especialmente em tempos mais recentes, é um "descompasso" entre o que se jura ou se compromete durante a Iniciação e o comportamento após um breve período de convivência.

Uns acabam simplesmente querendo contestar o que desconhecem. 

Outros, travestem-se de reinventores da história e buscam inócuas invencionices, como forma de querer deixar uma pretensa marca registrada.

Há também a legião dos que decidem incorporar o espírito divinal e messiânico durante sua pseudo-jornada filosófica, evocando preces, orações e citações religiosas, como se a Arte Real se constituísse num permanente e extenuante encontro ecumênico.

E para fechar com chave de ouro, existe aquele grupo de Iniciados, que prefere abdicar inclusive da crença num "Princípio Criador e Incriado" de tudo o que gira em torno de sua própria existência, como se isso fosse um sinal de consistência intelectual.

A bem da verdade, não é assim que a banda toca...

O mérito de toda essa história está na medida do equilíbrio, da ponderação e do bom senso.

Aquiescer a ideia de que a busca da Verdade (leia-se : "Conhecimento") está no exercício do pensamento, da reflexão, do raciocínio e da especulação ilimitada em prol do aprimoramento da Consciência, muito provavelmente seja o primeiro passo para que de fato, o suposto Obreiro, possa vir a ser reconhecido como um verdadeiro maçom.

Maçom é pedreiro, é construtor, é arquiteto de seu próprio templo interior, cuja missão é tornar-se cada vez melhor, assim como tornar a própria humanidade mais feliz, compartilhando e agregando os valores mais virtuosos do bem contidos na alma humana.

A essência filosófica e moral da Maçonaria reside em sempre  lutar pela Liberdade, promover a Igualdade, e fazer da Fraternidade seu instrumento perene de diretos e obrigações.

O Maçom é soberano juiz de seu tempo e de sua consciência.



A “VELHA” VERSUS A “NOVA” MAÇONARIA - Tiago Valenciano

 


A “VELHA” VERSUS A “NOVA” MAÇONARIA: OS DESAFIOS DA IRMANDADE NA PÓS-MODERNIDADE

Na teoria sociológica, as questões voltadas às concepções de identidade estão sendo amplamente discutidas. 

Discute-se o termo identidade para designar características específicas de um sujeito, isto é, aquilo que o diferencia das demais pessoas. 

Este princípio de identificação não está preso somente às discussões da sociologia. 

É algo que ultrapassa as fileiras académicas e atinge pessoas nas diversas relações sociais estabelecidas no quotidiano. 

O objetivo deste trabalho é problematizar a noção de identidade nos dias de hoje e indagar: 

A Maçonaria parou no tempo, como muitos dizem, ou ela não se adequou ao novo estilo de vida pós-moderno

Stuart Hall (2006) argumenta que existem três concepções de sujeito:

1. o sujeito do iluminismo (aquele centrado, unificado, voltado essencialmente para a razão); 

2. o sujeito sociológico (produto das reflexões complexas do mundo moderno, não autónomo e formado nas relações com as outras pessoas); 

3. e o sujeito pós-moderno (que celebra o móvel, que assume diferentes identidades em diferentes momentos, uma “multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis”).

Estas três definições dadas por Hall demonstram um panorama da concepção de identidade do sujeito ao longo dos séculos. 

Lá, no sujeito do iluminismo, a Maçonaria especulativa ganhava força, estruturando os ritos e rituais, organizando os templos e abandonando a sua fase operativa – fruto do medieval – e iniciando a fase especulativa, na qual a moral, os bons costumes e o estilo de vida do profano valem mais do que o trabalho concreto na pedra bruta. 

Pelos ensinamentos morais, o Maçom aprende a vencer as paixões, submeter as suas vontades e alcançar novos progressos na Maçonaria, atravessando por três grandes viagens simbólicas: a aprendizagem, o companheirismo e o mestrado maçónico. 

Nesta fase que experimentamos até hoje, o Maçom cuida da sua moral e, costumeiramente, ouvimos dizer que “estamos em constante processo de aprendizagem, construindo o nosso templo interior”.

A Maçonaria enquanto instituição assistiu e assiste a estas alterações de identidade colocadas por Hall. 

Convivemos bem com a égide iluminista – afinal, nascemos na era das luzes e fatalmente muitos autores desta linha ideológica sustentam a moral maçónica. 

Convivemos com a identidade sociológica, uma vez que o Maçom é um ser social, reúne-se em loja com maçons de diversas profissões e, consequentemente, há o estímulo fraternal da instituição. 


Para além dos templos, fazemos campanhas beneficentes, socorremos as viúvas necessitadas e auxiliamos as áreas da filantropia e do civismo, às vezes até confundindo actos políticos como legítimos da Maçonaria…

Mas, a Maçonaria está preparada para viver a pós-modernidade?

Ela sabe lidar com as identidades flexíveis, mutáveis, indefinidas

Com o advento da tecnologia, os rituais já não são mais secretos; os sinais, toques e palavras estão disponíveis na internet; a compra de aventais está fácil; e esta própria mobilidade faz com que os irmãos muitas vezes não permaneçam nos ágapes, tenham diversos compromissos nas suas agendas e o espírito fraternal se perca pouco a pouco.

Não proponho que retornemos ao passado imbuído de um pensamento nostálgico. 

A Maçonaria não pode viver do passado: ela deve analisar o presente e intervir, no sentido de oferecer à sociedade melhores condições de vida no futuro, agindo em torno das lojas ou dos próprios irmãos nos seus lares e locais de trabalho, enfim, no dia-a-dia.

A Maçonaria deve permanecer com os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. 

Mas tem que se preparar para o futuro. 

Já encaramos pranchas e convites on-line, dispensamos os boletins impressos e uma carta enviada às coirmãs pelo correio não é mais algo de praxe. 

Precisamos refletir que o sujeito pós-moderno (ou que vive da modernidade tardia, como alguns autores dizem) é participativo, mutante, irónico, indeterminado, flexível, comprime as relações espaço-tempo, desconstruidor e anárquico.

Todas estas características levam à criatividade própria das pessoas de hoje, que se engajam em manifestações via internet, que trabalham por projetos sem estarem presas a horários e regras e que prezam pela segurança financeira aliada a novos desafios.

O argumento deste artigo é que a ação da Maçonaria precisa ser repensada. 

As relações sociais mudaram, as pessoas mudaram, a sociedade mudou, o modo de vida mudou e a Maçonaria continua lá, intacta. 

É claro que não é necessário revolucionar a Maçonaria, até porque os princípios gerais da ordem devem ser mantidos. 

Mas precisamos repensar a escolha dos irmãos, pois alguns postulados antigos caíram por terra. 

É preciso repensar as ações para além das paredes dos nossos templos, pois ajudar financeiramente quem precisa (quando isso ocorre…), contribuir com rifas e promoções ou votar em candidatos irmãos não basta.

Sugiro que a Maçonaria passe a refletir os caminhos que a pós-modernidade nos tem levado. 

Trabalhar por projetos, envolver os irmãos e explorar a criatividade são tarefas básicas. 

Agiremos, dessa maneira, como uma elite estratégica, colocada em postos fundamentais e que faz a diferença nas profissões, nos projetos que nos engajamos, nas empreitadas que topamos. 

Quando isso ocorrer, aproveitaremos a nossa união, reforçando os laços de amizade e prosperidade entre os irmãos e, por conseguinte, pensando numa nova atitude maçónica, totalmente condizente com a geração do novo século que já estamos vivenciando.