As escolas de pensamento maçónico não foram “criadas” por uma única pessoa ou numa data específica como instituições físicas, mas sim categorizadas por historiadores e estudiosos para organizar as diferentes visões sobre a origem, a finalidade e a filosofia da Ordem.
O autor que consolidou a nomenclatura moderna dessas escolas (especialmente as oito divisões clássicas) foi o pesquisador H. L. Haywood.
No Brasil, autores como Roberto Bondarik e José Castellani são as referências principais para o estudo dessas correntes.
As escolas dividem-se conforme o “foco” de estudo do Maçom (histórico, antropológico, místico, filosófico, religioso, científico, social, etc.).
O pesquisador H. L. Haywood (Harry LeRoy Haywood), na sua obra seminal de 1923, The Great Teachings of Masonry (Os Grandes Ensinamentos da Maçonaria), foi de facto um dos primeiros a organizar o pensamento maçónico em escolas específicas.
Embora outros autores como Roscoe Pound tenham listado quatro ou cinco vertentes, Haywood expandiu essa análise para oito escolas principais, conforme detalhado no Capítulo 17 do seu livro.
AS OITO ESCOLAS DE PENSAMENTO (segundo H. L. Haywood)
Estas divisões representam as diferentes abordagens que os maçons utilizam para interpretar a Ordem:
1. Escola de William Preston (Instrução): Foca na Maçonaria como um sistema de educação e disseminação de conhecimento (ciências e artes liberais).
2. Escola de Karl Krause (Sócio-Política): Vê a Maçonaria como uma ferramenta para a perfeição da humanidade e a organização da sociedade sob princípios morais.
3. Escola de George Oliver (Religiosa): Interpreta a Maçonaria estritamente sob a óptica cristã e teológica, vendo-a como uma instituição divina.
4. Escola de Albert Pike (Filosófica): Busca a “Verdade Absoluta” e a harmonia do universo através de uma síntese profunda de filosofia e religião.
5. Escola Histórica (ou de Roscoe Pound): Defende que a Maçonaria deve ser interpretada através da sua própria evolução histórica contínua.
6. Escola Simbólica (ou Esotérica): Foca no significado oculto atrás dos rituais e símbolos como chaves para o despertar da consciência.
7. Escola Romântica: Formada por aqueles que acreditam em origens lendárias e românticas (como a conexão directa e ininterrupta com os Templários).
8. Escola Autêntica (Científica): Baseada no rigor documental da Loja Quatuor Coronati, rejeitando mitos em favor de evidências históricas comprovadas.
Historicamente, o desenvolvimento dessas vertentes deve muito a autores da Escola de Pesquisa (Quatuor Coronati), na Inglaterra, que separaram o “facto histórico” da “lenda”:
A Loja de Pesquisa Quatuor Coronati nº 2076 (Londres), fundada em 1884, é o berço do que chamamos de Escola Autêntica de pesquisa maçónica.
Embora a Quatuor Coronati seja a representante máxima da Escola Autêntica, a classificação das “escolas de pensamento” como um todo (que inclui as vertentes não-históricas) é frequentemente atribuída a autores que analisaram o movimento iniciado por ela.
AS ESCOLAS DO PENSAMENTO MAÇÓNICO (Ars Quatuor Coronatorum – AQC)
De acordo com a metodologia científica e os estudos publicados nas Transactions da Loja (conhecidas como Ars Quatuor Coronatorum – AQC), as escolas são geralmente divididas em quatro categorias principais:
1.1 Escola Autêntica (ou Histórica): Criada pelos fundadores da Quatuor Coronati. Rejeita lendas e mitos, exigindo provas documentais e evidências históricas. Considera que a Maçonaria evoluiu das guildas de pedreiros medievais (Teoria da Transição).
1.2 Escola Antropológica: Aplica os métodos da antropologia e sociologia. Estuda a Maçonaria como um sistema de ritos de passagem e costumes humanos universais, buscando paralelos em civilizações antigas, mas sem necessariamente afirmar um vínculo directo de sucessão.
1.3 Escola Mística (ou Iniciática): Vê a Maçonaria como um sistema de desenvolvimento espiritual e autoconhecimento. Foca no “Trabalho Interno” e na jornada da alma, utilizando o simbolismo como linguagem para verdades metafísicas.
1.4 Escola Oculta (ou Esotérica): Busca as raízes da Ordem em sociedades secretas, como os Templários, os Rosa-cruzes, a Cabala ou os Mistérios do Egipto e da Grécia. Muitas vezes é criticada pela Escola Autêntica pela falta de rigor documental.
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