março 06, 2026

O CONDE DE GRASSE-TILLY - Kennyo Ismail



Alexandre François Auguste de Grasse (14/02/1765 - 10/06/1845), que se tornaria Conde de Grasse-Tilly, é um dos 11 Cavalheiros de Charleston, pais dos Altos Graus do R.E.A.A.; o responsável pela sua exportação, dos EUA para a Europa; e pai de seus Graus Simbólicos.

Ele era membro da célebre loja francesa "Saint Jean d'Écosse du Contrat Social”, que ostentava o título de "Loja Mãe Escocesa da França". Mas como oficial do exército francês, assumiu um posto na colônia da Ilha de São Domingos, hoje dividida entre República Dominicana e Haiti. Lá, adquiriu uma plantação de tabaco e escravizados. Quando da Revolução Haitiana, teve que partir com sua família para Charleston, na Carolina do Sul, EUA, onde, envolvido com as atividades maçônicas, fez parte do grupo que desenvolveu o R.E.A.A. e fundou seu 1º Supremo Conselho, em maio de 1801 (190). 

A maioria dos rituais incluídos aos do Rito de Heredom, para compor o novo rito, foram fornecidos por Grasse-Tilly e eram praticados por sua loja.

Grasse-Tilly retornaria a São Domingos, onde, em 1802, funda o Supremo Conselho de Porto Príncipe (191). Em 1804, consegue transferência para a França, onde funda o Supremo Conselho da França, em 20/10/1804. Um mês depois, funda a Grande Loja do R.E.A.A. da França, elaborando os rituais do simbolismo para esta. Isso levou o Grande Oriente da França a fazer um acordo, incorporando as lojas da Grande Loja e passando a permitir os trabalhos nos graus simbólicos do R.E.A.A. (192).

Durante as Guerras Napoleônicas, por suas obrigações militares, Grasse-Tilly dirigiu-se a outros países europeus onde fundou novos Supremos Conselhos, na Itália (1806) e na Espanha (1811). Posteriormente, fundaria também na Bélgica, então parte dos Países Baixos (1817). Este último concederia patente a Montezuma, em 1829 (193).

Por isso, se não fosse o Conde de Grasse-Tilly, o R.E.A.A. não teria se espalhado pelo mundo, ainda na primeira metade do século XIX; os graus simbólicos do rito não teriam sido desenvolvidos; e Montezuma não teria criado o Supremo Conselho brasileiro.

Grasse-Tilly morreu aos 80 anos de idade, vítima de pneumonia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(190) MACKEY, A. G. An Encyclopedia of Freemasonry and its Kindred Sciences. New York & London: The Masonic History Company, 1914.

(191) COIL, H. W.; BROWN, W. M. Coil's Masonic Encyclopedia. New York: Macoy, 1961.

(192) SIMON, J. REAA: Rituel des trois premiers degrés selon les anciens cabiers - 5829. Bonneuil-en-Valois:

Éditions de La Hutte, 2013.

(193) ISMAIL, K. Ordem sobre o caos. Brasília: No Esquadro, 2020.

Fonte: ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.


março 05, 2026

O ORIENTE NA TRADIÇÃO MAÇÔNICA - Jorge Gonçalves


 

Desde as primeiras civilizações, a observação do movimento do Sol permitiu identificar direções fixas no horizonte, originando os pontos cardeais. Essa orientação também aparece nas tradições religiosas: “A glória do Senhor entrou no templo pelo caminho da porta que está voltada para o Oriente.” (Ezequiel 43:4)

Na Maçonaria, essa simbologia também se manifesta na orientação da Loja. Nos costumes dos “Modernos”, a Loja está organizada no eixo Oriente e Ocidente, com o Venerável Mestre no Oriente e os Vigilantes no Ocidente. Já na tradição dos “Antigos”, os três oficiais refletem o movimento aparente do Sol: o Venerável no Oriente, o Primeiro Vigilante no Ocidente e o Segundo Vigilante ao Sul.

Na próxima terça feira, dia 10 de março, às 19h30, o Ir∴ *Natanael Fernandes de Souza*, praticante do R∴E∴A∴A∴ e herdeiro da tradição dos “Antigos”, fará uma apresentação em uma Loja do Rito Moderno, abordando a evolução histórica do Oriente no templo maçônico.



A IRA - Wagner Barba



Hoje tenho mais de 60 anos, e o tempo, com sua constância implacável e ao mesmo tempo generosa, ensina lições que só a vivência é capaz de oferecer. 

A vida nos educa não apenas pelos acertos, mas, sobretudo, pelas situações difíceis, pelas perdas, pelos conflitos e pelas escolhas que fazemos ao longo do caminho.

Muitas vezes reflito sobre como teria sido valioso possuir, há 30 ou 40 anos, o entendimento que hoje carrego. Não para reescrever a própria história, mas para atravessá-la com mais leveza, menos desgaste emocional e maior equilíbrio interior.

Entre os aprendizados mais claros que o tempo nos oferece está a compreensão de que a ira não traz benefício algum. Ela não fortalece argumentos, não melhora relações e não produz justiça. Ao contrário, a ira compromete a saúde mental, alimenta a ansiedade, tensiona o corpo, perturba o raciocínio e retira a serenidade necessária para lidar com qualquer situação de forma lúcida.

Aprendemos também que não ter ira não significa concordar com tudo ou aceitar injustiças passivamente. Significa escolher a calma como instrumento de clareza, o autocontrole como forma de proteção e a serenidade como expressão de maturidade. A ausência de ira nos permite responder, em vez de reagir; compreender, em vez de atacar; e preservar a própria paz, mesmo diante de divergências.

No fim, o tempo nos mostra que a ira só prejudica quem a carrega. Ela não atinge o outro na mesma medida em que consome, silenciosamente, aquele que a mantém viva. Libertar-se da ira é um gesto de sabedoria, de respeito consigo mesmo e de cuidado com a própria saúde mental.

A verdadeira vitória, com os anos, não está em vencer discussões, mas em manter a tranquilidade da mente e a integridade do espírito.



O EGITO QUE CONTAVA HISTÓRIAS - Rogério de Paula


Os Manuscritos que Revelam a Alma de uma Civilização Milenar

Quando pensamos no Egito Antigo, logo nos vêm à mente as pirâmides, os faraós e os grandes templos de pedra. No entanto, entre os blocos monumentais de Gizé e os relevos de Luxor, existia um outro legado igualmente poderoso: a literatura escrita em papiro.

Durante o Império Médio (c. 2055–1650 a.C.), considerado por muitos egiptólogos como a “idade clássica” da literatura egípcia, surgiram obras que revelam não apenas crenças religiosas, mas também emoções humanas profundas, reflexões filosóficas e ensinamentos morais. 

Textos como o Conto de Sinuhe narram a história de um cortesão que foge do Egito após a morte do faraó e vive anos no exílio. Mais do que uma aventura, trata-se de uma reflexão sobre identidade, pertencimento e lealdade ao Estado faraônico.

Outro exemplo marcante é o Diálogo de um Homem com sua Alma, um texto surpreendentemente introspectivo. Nele, um homem debate com sua própria alma sobre o sofrimento e o desejo de morrer — um registro raro da angústia existencial na Antiguidade.

Os ensinamentos morais também ocupavam lugar central. As Instruções de Ptahhotep, datadas do final do Antigo Império (c. 2400 a.C.), apresentam conselhos sobre humildade, justiça e autocontrole, valores essenciais para manter a maat — o princípio de ordem e equilíbrio cósmico.

Já no período do Novo Império (c. 1550–1070 a.C.), encontramos textos mitológicos como A Contenda entre Hórus e Seth, que relata a disputa divina pelo trono do Egito. Essa narrativa não apenas entreteve gerações, mas também reforçou a legitimidade política e religiosa do faraó como representante de Hórus na Terra.

E não podemos esquecer os textos funerários, como o Livro dos Mortos, que guiava o falecido na jornada pelo além, demonstrando a profunda preocupação egípcia com a vida após a morte.

Essas obras mostram que o Egito Antigo foi muito mais do que uma civilização de monumentos colossais. Foi também uma cultura que refletia sobre ética, destino, sofrimento, política e transcendência. Seus escribas preservaram em papiros aquilo que a pedra não podia expressar: sentimentos, dúvidas e esperanças humanas.

Ao estudarmos esses textos, percebemos que, apesar da distância de milênios, as inquietações egípcias continuam surpreendentemente atuais. Eles nos ensinam que a verdadeira grandeza de uma civilização não está apenas em suas construções, mas na profundidade de seus pensamentos.

📚 Fontes:

LICHTHEIM, Miriam. Ancient Egyptian Literature, Vols. I–III. University of California Press, 1973–1980.

PARKINSON, R. B. The Tale of Sinuhe and Other Ancient Egyptian Poems. Oxford University Press, 1997.

ALLEN, James P. Middle Egyptian Literature: Eight Literary Works of the Middle Kingdom. Cambridge University Press, 2015.

ASSMANN, Jan. Death and Salvation in Ancient Egypt. Cornell University Press, 2005.



março 04, 2026

OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DE SIÃO - Kennyo Ismail



"Os Protocolos dos Sábios de Sião" é uma daquelas obras que mudaram o mundo. Só que pra pior. Não surgiu do nada, mas algo desenvolvido com base em jornais antissemitas do final do século XIX, plagiando elementos de outra obra, "Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu", de Maurice Joly (1829-1878).

Trata-se de uma adaptação do romance histórico e ficcional "Biarritz" (1868), de Hermann Goedsche, jornalista alemão antissemita, que também odiava a Inglaterra e a Democracia, e falsificava documentos para incriminar lideranças democráticas (217).

Em resumo, a obra relata uma conspiração judaico-maçônica para dominar o mundo. Ela foi publicada no jornal Znamya, de São Petersburgo, Rússia, entre agosto e setembro de 1903. A versão russa teria sido elaborada por Sergei Nilus.

Essa publicação não seria a única em solo russo e a obra serviria de referência para que a Maçonaria russa fosse fechada, no princípio da revolução bolchevique, em 1922.

Naquela década de 20, muitos jornais sérios da Europa e dos Estados Unidos denunciaram a fraude da obra, apontando os plágios e inconsistências da teoria apresentada, em vão. Pessoas e até editores antissemitas já se nutriam da obra. Como poderia ser mentira, se eles concordavam e apreciavam cada palavra?

Na mesma época, a obra já havia sido incorporada entre as referências bibliográficas nazistas, na Alemanha, o que levaria, na década seguinte, ao fechamento das potências, prisão de maçons em campos de concentração, saqueamento das lojas e surgimento de propaganda antimaçônica, incluindo filmes, na Alemanha Nazista (219).

E no Brasil de Getúlio Vargas, não seria diferente. Gustavo Barroso, então Presidente da Academia Brasileira de Letras e líder intelectual da Ação Integralista Brasileira, movimento fascista que crescia no país, tratou de traduzir e publicar a obra. A partir dela, o chefe da milícia integralista, Mourão Filho, desenvolveu o Plano Cohen, usado por militares integralistas para ordenar o fechamento da Maçonaria brasileira e instaurar a Ditadura Varguista, em novembro de 1937. A fraude somente seria revelada em 1945 (220).

Assim, seja na Rússia, na Europa Continental ou no Brasil, essa obra fictícia foi usada para enganar a população, perseguir inocentes, ferir a Democracia e atacar a Maçonaria. Ela ainda é publicada e comercializada em vários países, como Brasil e EUA, especialmente em países árabes, desde a criação do moderno Estado de Israel.

*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(211) COOPER, R. The Red Triangle: A History of Anti-Masonry. London: Lewis Masonic, 2011.

(218) Idem, Ibidem.

(219) KARG, B.; YOUNG, J. K. O Livro Completo dos Maçons. São Paulo: Madras, 2012.

(220) ISMAIL, K. Maçonaria Brasileira: a história ocultada - Vol. I. Brasília: No Esquadro, 2021.

(221) HODAPP, C. Maçonaria para leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015, p. 81.

Fonte: *ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.*



A RATOEIRA ELEITORAL - Emanuel Belem



Existe uma velha fábula: o rato vê uma ratoeira sendo colocada na casa e corre avisar os outros animais. A galinha responde: “não é problema meu”. O porco diz: “lamento, mas não posso fazer nada”. A vaca ignora.

Naquela noite, quem não era o alvo acabou pagando o preço — porque quando o perigo entra na casa, ele não escolhe espécie.

A eleição municipal funciona exatamente assim.

Durante quatro anos, muitos assistem ao colapso da saúde, à escola sem estrutura e à insegurança crescente como se fossem problemas “do bairro do outro”. Só se indignam quando a ambulância não chega para o próprio filho, quando falta vaga para o próprio neto ou quando o assalto acontece na própria rua. A dor coletiva só vira urgência quando ganha endereço pessoal.

Mas chega o período eleitoral… e o comportamento muda: vira festa, vira torcida, vira negociação.

O voto deixa de ser consciência e passa a ser moeda.

Um favor aqui, um emprego ali, um saco de cimento, um contrato prometido, uma ajuda imediata.

Troca-se o futuro por conveniência de curto prazo — e depois se estranha o resultado.

Vamos ao silogismo mais simples possível:

1. Uma campanha que custa dezenas de milhões não é caridade.

2. Quem investe para ganhar “a qualquer custo” pretende recuperar o custo.

3. Quem paga a conta é sempre a população.

Não existe milagre administrativo capaz de sustentar política cara sem retorno financeiro. A matemática é brutal: a eleição cara produz gestão cara — e a gestão cara produz serviço público ruim.

Depois vêm as reclamações:

– hospital sem médico

– escola sem professor

– cidade insegura

– obra superfaturada

Mas quem elegeu?

Não foi um ente abstrato chamado “política”.

Foi o conjunto de pequenos interesses individuais somados.

A ratoeira nunca foi só do rato.

Quando alguém vende o voto pensando apenas no benefício próprio, está ajudando a construir o problema coletivo que um dia inevitavelmente baterá à sua porta. A tragédia pública nasce de milhares de decisões privadas aparentemente insignificantes.

Portanto, antes de criticar o caos, vale a reflexão: não existe governo ruim sustentado por eleitor responsável — e não existe boa cidade construída por voto negociado.

O problema do outro quase sempre é o ensaio do nosso.

Na democracia municipal, mais do que nunca, cada eleitor é parte da causa… ou parte da solução.



março 03, 2026

PALESTRA NA ARLS IDEAL E TRABALHO 150 - Praia Grande



 



Com a presença do Sereníssimo Grão Mestre Jorge Anysio Haddad e sua comitiva composta de Grandes Secretários, do Delegado Regional Guillermo Bahamonde Manso e dos Delegados Distritais, a ARLS Ideal e Trabalho n. 150 de Praia Grande, sob o comando do jovem e dinâmico Venerável Mestre Adolfo Costa Dominguez, realizou inédita Sessão Conjunta Magna dos Distritos 10, 11, 12, e 13 da 8a. Região da GLESP.

    As Lojas participantes da Sessão, representando todos os municípios da Baixada Santista foram:  Duque de Caxias 70, Ideal e Trabalho 150, Pedro Alba 189, 22 de Abril 252, Fraternidade de Itariri 293, Obreiros da Verdade 302, Triplice Aliança 341, XI de Agosto de Itanhaém 656 e Cavaleiros da Fenix 840. No total 20 Lojas e mais de 100 obreiros participaram do evento.

    A Ordem do Dia da sessão foi a palestra que apresentei: "1666 - O Incêndio de Londres e a formação da maçonaria especulativa". Pelo primeira vez proferi uma palestra ilustrada com imagens produzidas por IA. Em razão da presença do SGM, que iria usar da palavra, o tempo da palestra foi bastante reduzido, mas na opinião de irmãos ouvidos, foi muito interessante.

    Diversos irmãos receberam homenagens e cada um dos Veneráveis Mestres presentes ganhou uma medalha histórica da Grande Loja, como antecipação da comemoração do centenário da Potência. Ao final o SGM Jorge Anysio Haddad explanou diversas atividades conduzidas pela Grande Loja, especialmente na área de ação social e beneficência.

    O evento foi finalizado com um magnífico churrasco no amplo salão de festas da Loja.


   

PAVONAGEM NA MAÇONARIA - Nilton Pereira Santos

 




Popularmente pavão é um homem  vaidoso e orgulhoso que gosta de enfeitar-se.

Na Maçonaria este espécime contribui, de forma direta, nas cisões e crises que envolvem a Instituição. Quando, eventualmente, exerce algum cargo diretivo, ao sair de cena deixa  um legado vexatório ao seu substituto.

É arrogante, não aceita opiniões contrárias, pois faz parte de sua personalidade a auto-suficiência.

O portador deste padrão adora usar paramentos bem produzidos; gosta de medalhas, certificados, placas e diplomas. Abusa da estratégia do culto à personalidade, onde, por motivos óbvios, suas virtudes são constantemente exaltadas. 

Constrange pessoas exigindo homenagens, além de adorar ser cortejado.

Considera-se dono da Maçonaria ou de parcela da Ordem, como Obediências, Lojas e Ritos. Cria dispositivos esdrúxulos que em nada contribuem para o desenvolvimento dos seus pares, entretanto, satisfaz seu ego.

O exercício da tolerância é postergado, sendo priorizada a impaciência, pois sua vontade dever ser prioridade.

A trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade não é observada, pois seu arbítrio é que deve ser priorizado.  

Quando a legislação ou a tradição confrontam sua vontade, passam a ser vistos como óbices, portanto, passíveis de reformas.

Não contribui com a administração do ente a que está jurisdicionado, utilizando a técnica da desconstrução, apresentando-se como o salvador da pátria.

Evita participar do período de instrução, porém, quando a palavra é franqueada abusa da paciência dos presentes com discursos infrutíferos.

Quando é instado a participar, de forma direta, de alguma atividade maçônica desconversa, alegando que não possui tempo ou já se encontra comprometido com outra diligência.

Não mede esforço para alcançar seus objetivos. Às vezes utiliza métodos não recomendados pela doutrina maçônica para chegar ao seu intento. É adepto da frase maquiavélica: “os fins justificam os meios”.

O Maçom deve rejeitar este comportamento. 

A pavonagem não deve sobrepor  a sobriedade. 

"A humildade é a única base sólida de todas as virtudes". (Confúcio)




O QUE EU GANHEI POR SER MAÇOM... - João B.


Se perguntarem a um grupo de maçons o que ganharam com a Iniciação, as respostas tendem a ser muito similares, falam de ética, de fraternidade, de tradição, de serviço. 

E é verdade, sem dúvida, mas talvez seja uma resposta muito genérica ou muito politica. 

Há mais, bem mais... uma dimensão mais crua, mais humana, menos “de manual”. 

Comecemos pelo mais ouvido e que, para mim é sim ou sim...

• Uma bússola para o aperfeiçoamento moral

O mais citado é talvez o acesso a um caminho coeso de educação moral e filosófica. 

A maçonaria nos faz integrar num sistema profundo de iniciação que explora a natureza da alma e os deveres do cidadão. 

Ganha-se, assim, uma estrutura intelectual que ajuda a navegar pelas complexidades da vida moderna com base em princípios éticos sólidos.

• O pertencimento a uma fraternidade universal

A Maçonaria é uma fraternidade universal que transcende fronteiras geográficas e linguísticas. 

O maçom Ganha a capacidade de conhecer “irmãos” de diferentes origens, partilhando interpretações rituais e apoio mútuo. 

Já visitei Lojas fora de Portugal e percebi como a vivência pode ser culturalmente distinta. 

Na Inglaterra, por exemplo, a Maçonaria é mais aberta e institucional, em Portugal, é mais discreta, por vezes excessivamente reservada. 

Mas em ambos os casos existe algo real, o reconhecimento mútuo, confiança inicial, uma linguagem comum que não precisa de ser explicada.

Num mundo fragmentado, a Ordem oferece profundidade.

• A prática da tolerância e do entendimento mútuo

O estudo de algumas obras ou obtenção de conhecimento atráves de trabalhos realizados por outros irmãos,  tentamos fomentar tolerância e pensamento crítico. 

Em Loja sentam-se homens com crenças, profissões e ideologias distintas. 

E, ainda assim, conseguimos dialogar e discutir sem gritar. 

Num século onde a polarização parece regra, este treino é ouro.

• O senso de propósito e serviço

A Ordem motiva o indivíduo a tornar-se instrumento de melhoria cívica, não basta falar de virtudes, é preciso praticá-las. 

Seja através da beneficência silenciosa, seja através de compromissos pessoais mais exigentes, a Maçonaria transforma intenção em responsabilidade.

• A preservação da identidade e tradição

Em tempos de mudanças rápidas, o maçom ganha um senso de continuidade histórica. 

Não por nostalgia, mas por identidade. 

A tradição não é um museu, é uma raiz. 

E raízes não nos prendem, sustentam-nos.

*Mas fugindo agora um pouco do discurso "teórico." O que é que eu, João, um jovem de meia idade, pró-ativo, meio geek, acelerado, ganhei mesmo?*

• Ganhei confronto.

Houve momentos em que quase desisti. 

Procedimentos realizados com os quais não concordei de todo., decisões que me fizeram questionar se a prática estava à altura do ideal. 

Foi frustrante, mas percebi algo essencial.

A Maçonaria não é perfeita, continua a ser feitas de homens, como poderia se-lo? 

E se eu acredito na melhoria do Homem, não posso fugir quando a imperfeição aparece. 

Sair era fácil, ficar foi mais exigente, no fim, cresci.

• Ganhei espelhos.

Cada irmão me marcou e marca da sua própria maneira 

Uns pela inteligência, outros pela serenidade, outros pela frontalidade que obriga a repensar, outros pela retorica. 

Todos me fizeram ser melhor homem, até mesmo a exceção me ensinou, 

A típica romã podre numa romeira cheia de romãs saborosas. 

Felizmente percebemos, a tempo, que não acrescentava nada à Loja. 

Também isso é maturidade coletiva.

• Ganhei serenidade perante o julgamento.

No trabalho, quando perceberam que eu era maçom, além das bocas do "gajo do gangue do avental" senti o que não dizem mas o que pensam...

“Este só está onde está porque é da maçonaria

Só posso dizer ui! ui!, qualquer dia sou o CEO....

Aprendi que o desconhecimento cria narrativas fáceis e ganhei o tempo que poderia perder a tentar desmonta-las.

• Ganhei profundidade, não mudança.

*Não mudei de opiniões por causa da Maçonaria*, continuo a ser homem livre e de bons costumes, com todos os meus defeitos e virtudes. 

Mas aprofundei convicções, desenvolvi pensamento crítico. 

*Passei a ouvir mais antes de reagir.

• Ganhei consciência de liderança.

Se não tivesse entrado, talvez estivesse hoje numa posição hierárquica mais elevada. 

Talvez tivesse sido mais agressivo, mais centrado em mim, mais focado apenas no meu umbigo. 

Talvez tivesse confundido mandar com comandar.

A Maçonaria ensinou-me a diferença

• Ganhei tempo.

Num mundo onde se vive rodeado de tecnologia e decisões rápidas, a Loja obriga-me a desacelera

Junto aquelas colunas, não sou diretor, nem “o homem do avental”, nem o que fala de inovação., não passo de um homem entre homens, com as mesmas fragilidades.

Resumindo, saio de casa duas vezes por mês “fardado”, ouço comentários, sinto rótulos e preconceitos silencioso, mas que importa? 

Discrição não é vergonha e silêncio não é medo, se não tivesse entrado, talvez estivesse mais alto na hierarquia, mas estaria mais pequeno por dentro.

*E no fim, o que ganhei por ser maçom foi não me tornar maior aos olhos dos outros, mas sim tornar-me mais exigente aos meus próprios olhos.*

E isso é um fardo que só quem quer crescer está disposto a carregar.

Quando te viras e olhas ao espelho, percebe que olhas para o teu maior inimigo...o resto é ruido.


A LITURGIA MAÇÓNICA E A BÍBLIA SAGRADA – QUEM FOI HIRAM ABIFF? - Hélio Moreira



A maçonaria é uma entidade filosófica, com grande envolvimento com a cultura e que se comunica com os seus membros, preferencialmente, por intermédio de símbolos.

Não se sabe ao certo qual é a sua origem; muitos historiadores querem localizá-la há milhares de anos, nos tempos pré-bíblicos, existindo muitas informações e também lendas a este respeito, algumas dignas de fé, outras nem tanto

É importante frisar que toda e qualquer discussão a respeito da Ordem Maçónica sempre envolverá aspectos atinentes ao rico e complexo simbolismo das suas movimentações, normalmente hermético para o não iniciado na Instituição, o que leva a especulações.

O nome Hiram Abiff é um destes nossos símbolos, cujos feitos se tornaram uma lenda (transmissão de eventos históricos por via oral), como está registrado na Bíblia Sagrada, ou seja, a sua ligação com a construção do Templo de Salomão e a sua morte em condições trágicas.

Tentarei esmiuçar estes relatos; neste texto, pela limitação do espaço, ir-me-ei limitar somente, à figura do homem Hiram e posteriormente tecerei considerações a respeito dos seus feitos, principalmente a sua participação na construção do Templo de Salomão e a causa da tragédia da sua morte.

Antes de tudo preciso deixar bem claro que os leitores iniciados na Ordem Maçónica, tangidos pelo coração, sabem quem foi e o que representa a legenda Hiram. 

A busca da sua identidade material, que timidamente nos propomos a fazer, transcende este impacto inicial e leva-nos à procura de factos históricos reportados no velho Testamento.

Inicialmente vamos verificar o que a Bíblia diz a respeito deste personagem, conforme é do conhecimento de todos os maçons. 

Acrescentando o relato feito pelo Pastor da Igreja Anglicana da Inglaterra, J. S. M. Ward, no seu livro Who was Hiram Abiff? (Quem foi Hiram Abiff?) publicado em 1925 em Londres e posteriormente reeditado pela London Lewis Masonic em 1986. 

Ele baseou as suas pesquisas na Palestina, quando comparou os relatos bíblicos com relatos profanos e, principalmente, estudou as raças que habitavam a Síria e a Asia Menor na época da construção do Templo de Salomão.

Está descrito na Bíblia, (2 Crónicas 2:13-14) que Salomão, pretendendo levar adiante a ideia de Davi, seu Pai, de construir um Templo em louvor ao nome do Senhor e um Palácio para sua morada, solicitou auxílio de Hiram, rei de Tiro. 

Além da ajuda material (madeira de cedro, cipreste e pinho do Líbano) Salomão pediu, também, que lhe fosse enviado um “homem sábio”, que provavelmente ele já sabia quem seria, para comandar a construção.

O Rei Hiram enviou-lhe um “comunicado”, enaltecendo a sabedoria e a inteligência, do seu indicado, um seu homónimo, que era Hiram Abiff.

Ainda se lê em (2 Crónicas 2:13-14), que neste mesmo “comunicado” o rei Hiram faz uma descrição detalhada da capacidade laborativa de Hiram:

• “Trata-se de um homem que sabe trabalhar em ouro, em prata, bronze e ferro, pedra, madeira, púrpura, jacinto, linho, escarlate, laura, todo género de escultura e é capaz de inventar, engenhosamente, tudo o que seja necessário para qualquer trabalho e trabalhará com os teus artistas e com os artistas do teu Pai”.

Em (I Reis) estão bem especificados os trabalhos desenvolvidos por Hiram no Templo. 

São enumeradas todas as obras por ele realizadas, com destaque para duas colunas de bronze, que depois de construídas, ele denominou de Jaquim e Booz e estavam colocadas, respectivamente, à direita e à esquerda da entrada do Templo, representando Judá e Israel, os dois Reinos que foram unificados por David. pai de Salomão.

Existem duas versões Bíblicas para a origem deste Arquitecto Hiram Abiff: 

• em (II Crónicas) está escrito que ele era filho de uma tribo denominada Dan, 

• enquanto que em (I Reis) ele é tido como filho de uma mulher viúva, originaria da tribo de Naftali. 

Se consultarmos os tratados de arqueologia, iremos verificar que estas duas tribos, Dan e Naftali, estavam situadas nas redondezas de Tiro.

Para dar mais veracidade a esta afirmativa, deve-se salientar que as duas versões Bíblicas afirmam que Hiram teria sido um homem que morava na cidade de Tiro. 

Este relato é muito significativo porque Tiro era um dos centros de trabalho da região de Adonis, portanto um local de conglomerado populacional.

Os testemunhos conflituantes acerca da identificação da tribo a que a sua mãe pertencia, pode ser explicável pelo facto de que talvez ela não fosse uma judia propriamente dito, porém era oriunda de uma outra tribo de difícil localização nos mapas atuais.

Aos olhos da maioria dos historiadores é interessante manter a afirmação de que o grande Arquiteto do Templo de Salomão tinha sangue judeu nas veias. 

Dentro dos conhecimentos atuais, talvez devêssemos considerar que ela realmente pertencia a uma tribo denominada “Dan”, senão vejamos: “Dan”, naquela época, era dividida em duas sessões; uma de pequena dimensão que era separada da parte principal e estava localizada à direita da tribo de Naftali e entre os seus vizinhos fenícios. 

Os habitantes desta sessão seriam considerados como oriundos de uma tribo da fronteira, sem uma especificação correta, até pelas dificuldades topográficas e de localização. 

É necessário salientar que a maioria das pessoas daquela época, nasciam e morriam num mesmo lugar, sem nunca arriscar uma viagem mais longa e a comunicação era exclusivamente verbal.

Por onde ela passou, justamente a tribo que os judeus mais conheciam, que era a tribo Fenícia, denominada de Naftali, dá-nos a impressão de que a mãe de Hiram Abiff era viúva (Reis 1:7-13). Baseado nestas observações, os maçons estão acostumados a se denominarem de “filhos da viúva”, uma vez que consideramos Hiram Abiff nosso irmão.

Não há dúvida de que o pai de Hiram era um Fenício de quem aprendeu a profissão.

Está claro que o maior número de trabalhadores que ele requisitou, quando foi chamado para construir o Templo de Salomão, são os Fenícios que ele conhecia.

Definida a sua origem, podemos discutir o porquê do seu nome.

O nome Hiram Abiff ainda causa controvérsia entre os estudiosos da maçonaria e das escrituras sagradas. 

Parece que Abiff não seria, propriamente, parte do seu nome, pois Ab em Hebreu significa (Pai), a letra (i) teria o significado de (meu) e (if) significa, também, (meu), portanto o nome Hiram Abiff deveria ser traduzido por (Hiram, meu pai). 

É necessário acrescentar que entre os Hebreus a expressão (Pai) significava uma honraria, pessoa proeminente a ser assim nominado, podendo significar, também, (Hiram, meu conselheiro), como afirma o Dr. McClintock (citado no livro “The History of Freemasonry”.

É interessante salientar que em (I Reis), não é feita referência a este segundo nome de Hiram, sendo encontrado somente em (II Crónicas).

Na verdade, para a maçonaria, o nome Hiram é o representante abstracto da ideia de um homem trabalhando no Templo da humanidade, cavando masmorras ao vicio e construindo catedrais à virtude. 

E nos contentamos em nomeá-lo “O Arquiteto”, o pedreiro que construiu o Templo de Salomão.

Dentre outras publicações, foram consultados três outros importantes livros:

• The History of Freemasonry (A História da maçonaria), de Albert Mackey, publicado pela primeira vez em 1881 e reeditado em 1996 por Random House Value Publishing, N. York;

• The Secrets of Solomon’s Temple (Os Segredos do Templo de Salomão), de Kevin L. Gest. Gloucester, USA, 2007)

• E o fabuloso The Builders – A story and study of freemasonry (Os Construtores, a História e o estudo da maçonaria), de Joseph Fort Newton, Virgínia – USA, 1914.

PENSAMENTOS NEGATIVOS - Shmuel Lemle



Um homem foi conversar com seu mestre espiritual pedindo ajuda para vencer os pensamentos negativos. O mestre falou que existia um sábio numa outra cidade que podia ajudá-lo mais com este assunto. O homem decidiu fazer a longa viagem para consultar este sábio. 

Ao chegar à sua casa, bateu na porta. Um ancião olhou pela janela de casa e claramente viu o visitante, mas não abriu a porta. O visitante insistiu e bateu novamente.  Mais uma vez o ancião olhou e não abriu. Isto se repetiu por algumas horas, sendo que estava bastante frio lá fora. Depois de horas de insistência, finalmente o sábio abriu a porta e recebeu o convidado com a maior alegria. O visitante perguntou o porquê de ter sido deixado lá fora por tanto tempo.

O sábio disse:

- Quando vi você chegando já sabia que sua pergunta era como vencer os pensamentos negativos. Queria mostrar a resposta na prática. Agora que você já está dentro da minha casa, pode fazer o que quiser aqui dentro e dificilmente conseguirei impedir.  Mas antes de você entrar, quando estava na porta, eu tinha o poder de deixar ou não você entrar.

O mesmo vale para os pensamentos negativos.  "O lugar para barrá-los é na porta. Depois que entram, eles crescem e nos controlam."

ALBERT GALLATIN MACKEY - Alferio di Giaimo Neto






Grande escritor e historiador americano nascido em Charleston, na Carolina do Sul, diplomou-se com honras de doutor em Medicina, em 1834. Atraído pela política, na qual não foi bem sucedido, dedicou-se quase que exclusivamente, a partir de 1854, aos Trabalhos e a Literatura da Maçonaria.

Iniciou-se na Loja “St. Andrews”, filiando-se depois, na Loja “Salomão”, sendo eleito Venerável. De 1842 a 1867, foi Grande Secretário da Carolina do Sul, sendo, por várias vezes, Grande Secretário Geral do Supremo Conselho do R.E.A.A.

Os seus escritos são universalmente apreciados pela sua sinceridade, honestidade e bom senso. Foi um líder nas pesquisas e um pioneiro deste número crescente de maçons que dá valor à exatidão e que, ao analisar qualquer fato citado, só tem em mira o estabelecimento da verdade ou a demonstração da falsidade da alegação.

A sua erudição foi sólida, o seu conhecimento da Instituição profundo e seus ideais puros. São estas as palavras de um biógrafo.

As suas principais obras foram “Lexicon of Freemasonry”, publicado em 1845, que teve várias edições, inclusive na Inglaterra, e sua “Encyclopaedia of Freemasonry”, publicada em 1874, aumentada em 1891 por Charles T. Mac Clenachan e revisada, em 1925, pelos historiadores William J. Hughan e Edward L. Hawkins. Em 1946, a edição foi aumentada para três volumes pelos IIrm. R. I. Clegg e H. L. Haywood, que atualizam, constantemente, as obras de Mackey. Em 1950, foi publicada a quinta Edição.

Outras obras apreciadas são: “Symbolism of Freemasonry” e “Jurisprudence of Freemasonry”.

Mackey foi o autor de uma relação de 25 Landmarks, muito respeitada.

(para maiores informações, pesquisar”Coil’s Masonic Encyclopedia – Macoy”)

 Fonte: PILULA MAÇÔNICA Nº 246