março 08, 2026

A INICIAÇÃO DE FATO - Adilson Zotovici





Controvérsias sobre o ato

Que se tem dito à exaustão

Mito sobre o desiderato

Da verdadeira iniciação


Em que pese atenção e tato

O cuidado e a inspiração

Em tese, a condução, o trato

É o fado à introspecção


Ato inicial com aparato

Que o esperto com cognição

Leva ao “seu ser” o candidato

Decerto à surdir nova visão


A incitar brilho que lhe é nato

E desperto à Luz, à ascensão

Que se conduz intimorato

No trilho incerto da perfeição


E na validação um hiato  !

Que no decorrer dessa incursão

“Iniciação ou não, de fato”...

Está na sua “Transformação” !



A FILOSOFIA INICIÁTICA DA VERDADE - Izautonio Machado


 

Um dos grandes propósitos da humanidade é a busca pela verdade. Tantos filósofos já se debruçaram sobre este tema, e ele sempre permanece desafiador no íntimo dos homens que cultivam o amor pela Sabedoria.

Muitas pessoas nem sequer cogitam esta busca.Seu fraco entendimento, aliado aos desejos e às satisfações materiais - que lhes obscurecem a visão - fazem com que não revelem nenhum interesse por descobrir sentido profundo das coisas.

A Arte de pensar nos conduz à investigação dos grandes enigmas da humanidade, por intermédio da reflexão em busca de respostas que darão sentido às nossas vidas. 

A busca pela verdade fez com que surgissem no seio da humanidade inúmeros sistemas filosóficos e religiosos que se propõem a responder às indagações nascidas da “necessidade de saber”. Não obstante, é por intermédio do raciocínio e da meditação que podemos aproximar nossos pensamentos da fonte pura da verdade.

Não é só por meio da simples leitura, mas pela reflexão, que se distingue os verdadeiros Iniciados.

O verdadeiro conhecimento está além das palavras e expressões; é a concepção do que está além do aparente que nos aproxima do entendimento mais profundo dos mistérios da Vida e do Universo. 



março 07, 2026

CIENTIFICAMENTE COMPROVADO!



Os idosos são ridicularizados quando falam demais, mas os médicos veem isso como uma bênção, dizendo que os idosos aposentados deveriam falar mais porque atualmente não há como prevenir a perda de memória. A única maneira é falar e falar, cada vez mais. Existem pelo menos três benefícios para os idosos que falam mais...

Primeiro: Falar ativa o cérebro, pois a linguagem e os pensamentos se comunicam, principalmente quando se fala rápido, isso naturalmente acelera o pensamento e melhora a capacidade de memória. Idosos que não falam têm maior probabilidade de desenvolver perda de memória.

Dois: Falar mais previne doenças mentais e reduz o estresse. Os idosos muitas vezes guardam tudo no coração sem dizer ou desabafar nada, sentem-se sufocados e desconfortáveis. Dar aos idosos a oportunidade de falar mais e ouvir uns aos outros irá ajudá-los a sentirem-se melhor.

Terceiro: A fala exercita os músculos ativos da face, exercita a garganta, aumenta a capacidade dos pulmões e reduz os perigos ocultos da vertigem e da surdez, que freqüentemente prejudicam os olhos e os ouvidos.

Resumindo: como adulto mais velho, a única maneira de prevenir a doença de Alzheimer é conversar ativamente e interagir com o maior número de pessoas possível. Não há outro remédio para isso. Por isso, é recomendado que grupos de amigos mais velhos se reúnam em algum lugar pelo menos uma vez por semana, durante cerca de 2 ou 3 horas, para trocar opiniões e desestressar com um sorriso.



O MALHETE DE WASHINTON - Luciano J. A. Urpia .


Pela primeira vez na História, o malhete utilizado por George Washington na cerimônia maçônica de lançamento da pedra fundamental do Capitólio dos Estados Unidos, em 1793, esteve presente durante o discurso sobre o Estado da União proferido pelo presidente Donald Trump no último dia 24 de fevereiro de 2026. A solicitação partiu do presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, como parte das comemorações dos 250 anos da fundação do país.

O artefato histórico pertence à Loja Maçônica Potomac nº 5, a mais antiga de Washington, D.C., e guardiã do malhete desde que o primeiro presidente americano, iniciado na Maçonaria em 1752, o confiou ao irmão Valentine Reintzel após a cerimônia de 1793. Na ocasião original, Washington liderou uma procissão solene com Lojas Maçônicas e artilharia, atravessou o rio Potomac e desceu pessoalmente à trincheira onde seria erguido o Capitólio, realizando o ritual com milho, vinho e óleo, símbolos maçônicos de alimento, refresco e alegria.

Ao longo de mais de dois séculos, o malhete histórico foi emprestado apenas para cerimônias de lançamento de pedras fundamentais de monumentos emblemáticos, como o Monumento a Washington, a Catedral Nacional e a Instituição Smithsonian. Sua presença inédita no discurso presidencial representou um gesto simbólico de continuidade histórica, conectando os rituais fundacionais da república ao atual momento político americano.

Vale ressaltar que Donald Trump não é maçom.

Fonte: The Washington Times | washingtontimes.com em Curiosidades da Maçonaria


março 06, 2026

Algumas observações sobre as marcas dos pedreiros - Jean-Michel Mathonière, Tradução J. Filardo

 

Marca de trabalhador jornaleiro na catedral de Saint-Paul-Trois-Châteaux, meados do século XII. Fotografia J.-M. Mathonière.
Marcas na muralha -Aigues-Mortes (França)
fim do sec. XIII

Com frequência, uma certa confusão reina no espírito dos maçons quanto à ligação entre as marcas gravadas nas pedras de nossos monumentos e o companheirismo.  Uma atração um tanto exacerbada pelo mistério e pelas raízes operativas tende a colocar todas as variedades de marcação no mesmo plano e a propor leituras simbólicas delas, no mínimo, exageradas.  A propósito, os companheiros do Tour de France de hoje não são os últimos a anexar rapidamente um rótulo de “estilo companheiro” a essas marcas não tão misteriosas.  Algumas explicações racionais se impõem...

Mosteiro de Alcobaça Portugal

O vocabulário usado para falar dessas marcas é mais importante do que parece, pois facilmente induz a vieses cognitivos.  Assim, o erudito termo "marca de jornaleiro", em vez de "marca de canteiro" que lhe poderia parecer sinónimo, ou ainda de "marca de companheiro", designa convenientemente, de forma geral e sem prejuízo de competência, todas as marcas e sinais deixados pelos trabalhadores nos blocos de um monumento sem que se soubesse com precisão qual era a qualificação e o estatuto desses artesãos: canteiro ou pedreiros, aprendizes ou companheiros, mesmo mestres no sentido corporativo dessas designações.

Mosteiro de Alcobaça Portugal

Presume-se que eram pagos por tarefa, ou seja, pelo número de pedras cortadas ou pela tarefa realizada (por exemplo, o fornecimento e instalação dos materiais necessários à construção de uma parte do edifício) — inclusive quando canteiros de obras muitos grandes pagavam trabalhadores semanalmente, mas esse tempo tinha que ser usado de forma concreta. Originalmente, essas marcas serviam, portanto, como referência contábil e não como assinatura individual propriamente dita; encontram-se em vários blocos, desde os mais simples, mais frequentemente, até obras mais complexas, embora mais raramente. Além disso, como se pode constatar na época românica e mesmo em edifícios bastante recentes (as marcas tornaram-se raras a partir do século XVII na França), estas marcas de jornaleiros são essencialmente muito simples no seu desenho e muitas apresentam caracteres alfabéticos.  Note-se a frequência de marcas com a letra A (ver figura acima), o equivalente alfanumérico de 1, ou seja, o primeiro pedreiro a chegar ao local, ou mesmo a primeira equipe, pois há exemplos em que, pela sua grafia, a marca obviamente não é estritamente individual.  Seguem-se B's, C's etc.
Também conhecemos "marcas de posicionamento" que indicam o topo e a base do bloco ou ainda posição de uma aduela particular em um arco (numeração romana: I, II, III, IV etc.). Elas também são encontradas em nichos de estátuas, bem como na parte de trás destas, a fim de colocá-los corretamente durante a instalação.

Mosteiro de Alcobaça Portugal

A partir da época românica, com variáveis estilísticas correspondentes a zonas geográficas e épocas, surgem marcas de jornaleiro mais figurativas e mais complexas (a arte românica da Península Ibérica oferece uma surpreendente variedade de marcas). Por exemplo, ferramentas (o martelo de cinzel é mais comum do que o compasso ou o esquadro), folhas de carvalho, estrelas (nem todas de cinco pontas) ou espirais.  No entanto, continua a ser difícil afirmar que são verdadeiramente pessoais, pois podem por vezes ser encontrados, com variações insignificantes, em vários monumentos e em datas distantes.  Pouco a pouco, essas marcas vão se tornando mais complexas e, portanto, personalizadas.

Companheiros ou não? Cuidado com os anacronismos!
No entanto, não podemos relacionar com certeza esta prática de marcação aos pedreiros pertencentes a uma sociedade de companheiros, até porque, para o domínio francês, não temos nenhuma evidência documental de que esses artesãos formaram guildas na Idade Média.  Provavelmente eles formaram irmandades, mas estas têm uma relação orgânica com os nossos companheiros no Tour de France?  Honestamente, não sabemos!  Podemos no máximo acreditar nisso porque a necessidade de raízes é importante e muitas vezes aniquila a razão.
Ainda mais chato: as modernas sociedades de companheirismo não guardaram nenhum vestígio desse uso! 

Mosteiro de Alcobaça Portugal

Tanto quanto existe documentação do companheirismo para a França, não mencionamos o uso de marcas entre os pedreiros, e menos ainda no que diz respeito à sua possível dimensão iniciática, fantasia induzida durante o século XX pela existência de uma maçonaria britânica "da Marca" dotada de um belo ritual. Existem, no entanto, algumas marcas muito simples relacionadas a companheiros estrangeiros nos séculos 18 e 19 nos Monts d'Or perto de Lyon, artesãos que muitas vezes eram pedreiros locais.
O facto de, na contemporaneidade, os companheiros dos Deveres Unidos terem criado as suas próprias marcas, aliás, confirma involuntariamente que esta utilização nada tem de tradicional: de fato, as linhas reguladoras em que se inscrevem mais ou menos estas marcas provêm dos companheiros alemães -cuja geometria particular foi estudada durante os anos 1860-1880 por Franz Ržiha, autor de uma obra famosa da qual co-publiquei e completei a tradução francesa apenas em 1993 (Trédaniel/La Nef de Salomon ), mas onde as grades geométricas foram popularizadas na França por meio da edição de 1931 do Número de Ouro de Matila C. Ghyka! Fazemos melhor quando se trata de tradição oral imemorial…

Frontispíco da edição original alemã dos "Estudos sobre as marcas de pedreiros" de Franz Ržiha
Marca alemã (Estrasburgo)

Embora tenham origem nas mesmas marcas românicas muito simples, estas belas marcas pessoais dos canteiros jornaleiros alemães foram enriquecidas e complexificadas ao longo dos séculos XV e XVI segundo regras estéticas e geométricas cujo equivalente não é de todo atestado na França. São verdadeiras assinaturas individuais e seu estudo permite identificar dinastias familiares, bem como territórios geográficos ordenados em torno de algumas “grandes lojas”.  Assim, é possível rastrear os movimentos dos companheiros de obra em obra. Os estudos sobre marcas de canteiros de Franz Ržiha reproduzem, no frontispício (ver fig. 4), várias marcas de “mestres” (pedreiros que se tornaram arquitetos), alguns dos quais pertencentes a famílias conhecidas. A correlação entre a "marca de honra" e sua geometria secreta era usada pelo obreiro para ser reconhecido como membro da irmandade dos pedreiros alemães ao viajar de loja em loja.

Mosteiro de Alcobaça Portugal

Quanto às "marcas de passagem" dos companheiros do Tour de France que encontramos em alguns monumentos essencialmente concentrados na área entre Languedoc e Provence (ver fig. 5), sejam eles pedreiros ou outras profissões, trata-se de algo mais do que marcas deixadas por artesãos nas pedras que teriam cortado: é uma lembrança de sua passagem por este lugar.  Trata-se, pois, de um assunto completamente diferente do que aqui nos ocupa e é interessante sublinhar que esta utilização só surge nas primeiras décadas do século XVII e que em nenhum caso estes testemunhos incorporam uma marca pessoal que constitua uma assinatura do artesão e, portanto, prova da prática da marca entre os pedreiros franceses.









 



 


 







QUANTAS VOZES A IGREJA SILENCIOU




Durante séculos, a Igreja Católica foi uma das instituições mais poderosas do planeta e como toda autoridade absoluta, também errou, algumas vezes de forma histórica.

O caso mais famoso é o de Galileu Galilei, em 1633, o cientista italiano foi julgado pela Inquisição por afirmar algo hoje óbvio: a Terra gira em torno do Sol. 

A teoria heliocêntrica contrariava a interpretação literal das Escrituras adotada pela Igreja na época, Galileu foi forçado a se retratar publicamente e passou o resto da vida em prisão domiciliar, seu crime não foi científico, foi político.

Somente em 1992, quase 350 anos depois, o Vaticano reconheceu oficialmente que errou ao condená-lo. 

O Papa João Paulo II declarou que a Igreja havia cometido um “erro trágico de julgamento”, Galileu já estava morto há mais de três séculos.

Mas ele não foi o único.

Durante a Inquisição, tribunais eclesiásticos perseguiram judeus, muçulmanos convertidos, mulheres acusadas de bruxaria e qualquer pessoa considerada “ameaça à ordem religiosa”. 

Estima-se que dezenas de milhares foram presas, torturadas ou executadas em nome da fé.

Em 2000, o mesmo João Paulo II fez um pedido público de perdão pelos “pecados cometidos pelos filhos da Igreja” ao longo da história,  incluindo violência religiosa, perseguições e abusos de poder. 

Foi um gesto simbólico, mas sem punições, indenizações ou revisões jurídicas dos atos cometidos.

O pedido de desculpas não apaga o passado, mas revela algo importante: instituições também erram e quase sempre demoram a admitir.

A pergunta que fica é incômoda:  quantos outros “Galileus” a história ainda silenciou antes de pedir perdão?

O CONDE DE GRASSE-TILLY - Kennyo Ismail



Alexandre François Auguste de Grasse (14/02/1765 - 10/06/1845), que se tornaria Conde de Grasse-Tilly, é um dos 11 Cavalheiros de Charleston, pais dos Altos Graus do R.E.A.A.; o responsável pela sua exportação, dos EUA para a Europa; e pai de seus Graus Simbólicos.

Ele era membro da célebre loja francesa "Saint Jean d'Écosse du Contrat Social”, que ostentava o título de "Loja Mãe Escocesa da França". Mas como oficial do exército francês, assumiu um posto na colônia da Ilha de São Domingos, hoje dividida entre República Dominicana e Haiti. Lá, adquiriu uma plantação de tabaco e escravizados. Quando da Revolução Haitiana, teve que partir com sua família para Charleston, na Carolina do Sul, EUA, onde, envolvido com as atividades maçônicas, fez parte do grupo que desenvolveu o R.E.A.A. e fundou seu 1º Supremo Conselho, em maio de 1801 (190). 

A maioria dos rituais incluídos aos do Rito de Heredom, para compor o novo rito, foram fornecidos por Grasse-Tilly e eram praticados por sua loja.

Grasse-Tilly retornaria a São Domingos, onde, em 1802, funda o Supremo Conselho de Porto Príncipe (191). Em 1804, consegue transferência para a França, onde funda o Supremo Conselho da França, em 20/10/1804. Um mês depois, funda a Grande Loja do R.E.A.A. da França, elaborando os rituais do simbolismo para esta. Isso levou o Grande Oriente da França a fazer um acordo, incorporando as lojas da Grande Loja e passando a permitir os trabalhos nos graus simbólicos do R.E.A.A. (192).

Durante as Guerras Napoleônicas, por suas obrigações militares, Grasse-Tilly dirigiu-se a outros países europeus onde fundou novos Supremos Conselhos, na Itália (1806) e na Espanha (1811). Posteriormente, fundaria também na Bélgica, então parte dos Países Baixos (1817). Este último concederia patente a Montezuma, em 1829 (193).

Por isso, se não fosse o Conde de Grasse-Tilly, o R.E.A.A. não teria se espalhado pelo mundo, ainda na primeira metade do século XIX; os graus simbólicos do rito não teriam sido desenvolvidos; e Montezuma não teria criado o Supremo Conselho brasileiro.

Grasse-Tilly morreu aos 80 anos de idade, vítima de pneumonia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(190) MACKEY, A. G. An Encyclopedia of Freemasonry and its Kindred Sciences. New York & London: The Masonic History Company, 1914.

(191) COIL, H. W.; BROWN, W. M. Coil's Masonic Encyclopedia. New York: Macoy, 1961.

(192) SIMON, J. REAA: Rituel des trois premiers degrés selon les anciens cabiers - 5829. Bonneuil-en-Valois:

Éditions de La Hutte, 2013.

(193) ISMAIL, K. Ordem sobre o caos. Brasília: No Esquadro, 2020.

Fonte: ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.


março 05, 2026

O ORIENTE NA TRADIÇÃO MAÇÔNICA - Jorge Gonçalves


 

Desde as primeiras civilizações, a observação do movimento do Sol permitiu identificar direções fixas no horizonte, originando os pontos cardeais. Essa orientação também aparece nas tradições religiosas: “A glória do Senhor entrou no templo pelo caminho da porta que está voltada para o Oriente.” (Ezequiel 43:4)

Na Maçonaria, essa simbologia também se manifesta na orientação da Loja. Nos costumes dos “Modernos”, a Loja está organizada no eixo Oriente e Ocidente, com o Venerável Mestre no Oriente e os Vigilantes no Ocidente. Já na tradição dos “Antigos”, os três oficiais refletem o movimento aparente do Sol: o Venerável no Oriente, o Primeiro Vigilante no Ocidente e o Segundo Vigilante ao Sul.

Na próxima terça feira, dia 10 de março, às 19h30, o Ir∴ *Natanael Fernandes de Souza*, praticante do R∴E∴A∴A∴ e herdeiro da tradição dos “Antigos”, fará uma apresentação em uma Loja do Rito Moderno, abordando a evolução histórica do Oriente no templo maçônico.



A IRA - Wagner Barba



Hoje tenho mais de 60 anos, e o tempo, com sua constância implacável e ao mesmo tempo generosa, ensina lições que só a vivência é capaz de oferecer. 

A vida nos educa não apenas pelos acertos, mas, sobretudo, pelas situações difíceis, pelas perdas, pelos conflitos e pelas escolhas que fazemos ao longo do caminho.

Muitas vezes reflito sobre como teria sido valioso possuir, há 30 ou 40 anos, o entendimento que hoje carrego. Não para reescrever a própria história, mas para atravessá-la com mais leveza, menos desgaste emocional e maior equilíbrio interior.

Entre os aprendizados mais claros que o tempo nos oferece está a compreensão de que a ira não traz benefício algum. Ela não fortalece argumentos, não melhora relações e não produz justiça. Ao contrário, a ira compromete a saúde mental, alimenta a ansiedade, tensiona o corpo, perturba o raciocínio e retira a serenidade necessária para lidar com qualquer situação de forma lúcida.

Aprendemos também que não ter ira não significa concordar com tudo ou aceitar injustiças passivamente. Significa escolher a calma como instrumento de clareza, o autocontrole como forma de proteção e a serenidade como expressão de maturidade. A ausência de ira nos permite responder, em vez de reagir; compreender, em vez de atacar; e preservar a própria paz, mesmo diante de divergências.

No fim, o tempo nos mostra que a ira só prejudica quem a carrega. Ela não atinge o outro na mesma medida em que consome, silenciosamente, aquele que a mantém viva. Libertar-se da ira é um gesto de sabedoria, de respeito consigo mesmo e de cuidado com a própria saúde mental.

A verdadeira vitória, com os anos, não está em vencer discussões, mas em manter a tranquilidade da mente e a integridade do espírito.



O EGITO QUE CONTAVA HISTÓRIAS - Rogério de Paula


Os Manuscritos que Revelam a Alma de uma Civilização Milenar

Quando pensamos no Egito Antigo, logo nos vêm à mente as pirâmides, os faraós e os grandes templos de pedra. No entanto, entre os blocos monumentais de Gizé e os relevos de Luxor, existia um outro legado igualmente poderoso: a literatura escrita em papiro.

Durante o Império Médio (c. 2055–1650 a.C.), considerado por muitos egiptólogos como a “idade clássica” da literatura egípcia, surgiram obras que revelam não apenas crenças religiosas, mas também emoções humanas profundas, reflexões filosóficas e ensinamentos morais. 

Textos como o Conto de Sinuhe narram a história de um cortesão que foge do Egito após a morte do faraó e vive anos no exílio. Mais do que uma aventura, trata-se de uma reflexão sobre identidade, pertencimento e lealdade ao Estado faraônico.

Outro exemplo marcante é o Diálogo de um Homem com sua Alma, um texto surpreendentemente introspectivo. Nele, um homem debate com sua própria alma sobre o sofrimento e o desejo de morrer — um registro raro da angústia existencial na Antiguidade.

Os ensinamentos morais também ocupavam lugar central. As Instruções de Ptahhotep, datadas do final do Antigo Império (c. 2400 a.C.), apresentam conselhos sobre humildade, justiça e autocontrole, valores essenciais para manter a maat — o princípio de ordem e equilíbrio cósmico.

Já no período do Novo Império (c. 1550–1070 a.C.), encontramos textos mitológicos como A Contenda entre Hórus e Seth, que relata a disputa divina pelo trono do Egito. Essa narrativa não apenas entreteve gerações, mas também reforçou a legitimidade política e religiosa do faraó como representante de Hórus na Terra.

E não podemos esquecer os textos funerários, como o Livro dos Mortos, que guiava o falecido na jornada pelo além, demonstrando a profunda preocupação egípcia com a vida após a morte.

Essas obras mostram que o Egito Antigo foi muito mais do que uma civilização de monumentos colossais. Foi também uma cultura que refletia sobre ética, destino, sofrimento, política e transcendência. Seus escribas preservaram em papiros aquilo que a pedra não podia expressar: sentimentos, dúvidas e esperanças humanas.

Ao estudarmos esses textos, percebemos que, apesar da distância de milênios, as inquietações egípcias continuam surpreendentemente atuais. Eles nos ensinam que a verdadeira grandeza de uma civilização não está apenas em suas construções, mas na profundidade de seus pensamentos.

📚 Fontes:

LICHTHEIM, Miriam. Ancient Egyptian Literature, Vols. I–III. University of California Press, 1973–1980.

PARKINSON, R. B. The Tale of Sinuhe and Other Ancient Egyptian Poems. Oxford University Press, 1997.

ALLEN, James P. Middle Egyptian Literature: Eight Literary Works of the Middle Kingdom. Cambridge University Press, 2015.

ASSMANN, Jan. Death and Salvation in Ancient Egypt. Cornell University Press, 2005.



março 04, 2026

OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DE SIÃO - Kennyo Ismail



"Os Protocolos dos Sábios de Sião" é uma daquelas obras que mudaram o mundo. Só que pra pior. Não surgiu do nada, mas algo desenvolvido com base em jornais antissemitas do final do século XIX, plagiando elementos de outra obra, "Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu", de Maurice Joly (1829-1878).

Trata-se de uma adaptação do romance histórico e ficcional "Biarritz" (1868), de Hermann Goedsche, jornalista alemão antissemita, que também odiava a Inglaterra e a Democracia, e falsificava documentos para incriminar lideranças democráticas (217).

Em resumo, a obra relata uma conspiração judaico-maçônica para dominar o mundo. Ela foi publicada no jornal Znamya, de São Petersburgo, Rússia, entre agosto e setembro de 1903. A versão russa teria sido elaborada por Sergei Nilus.

Essa publicação não seria a única em solo russo e a obra serviria de referência para que a Maçonaria russa fosse fechada, no princípio da revolução bolchevique, em 1922.

Naquela década de 20, muitos jornais sérios da Europa e dos Estados Unidos denunciaram a fraude da obra, apontando os plágios e inconsistências da teoria apresentada, em vão. Pessoas e até editores antissemitas já se nutriam da obra. Como poderia ser mentira, se eles concordavam e apreciavam cada palavra?

Na mesma época, a obra já havia sido incorporada entre as referências bibliográficas nazistas, na Alemanha, o que levaria, na década seguinte, ao fechamento das potências, prisão de maçons em campos de concentração, saqueamento das lojas e surgimento de propaganda antimaçônica, incluindo filmes, na Alemanha Nazista (219).

E no Brasil de Getúlio Vargas, não seria diferente. Gustavo Barroso, então Presidente da Academia Brasileira de Letras e líder intelectual da Ação Integralista Brasileira, movimento fascista que crescia no país, tratou de traduzir e publicar a obra. A partir dela, o chefe da milícia integralista, Mourão Filho, desenvolveu o Plano Cohen, usado por militares integralistas para ordenar o fechamento da Maçonaria brasileira e instaurar a Ditadura Varguista, em novembro de 1937. A fraude somente seria revelada em 1945 (220).

Assim, seja na Rússia, na Europa Continental ou no Brasil, essa obra fictícia foi usada para enganar a população, perseguir inocentes, ferir a Democracia e atacar a Maçonaria. Ela ainda é publicada e comercializada em vários países, como Brasil e EUA, especialmente em países árabes, desde a criação do moderno Estado de Israel.

*REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(211) COOPER, R. The Red Triangle: A History of Anti-Masonry. London: Lewis Masonic, 2011.

(218) Idem, Ibidem.

(219) KARG, B.; YOUNG, J. K. O Livro Completo dos Maçons. São Paulo: Madras, 2012.

(220) ISMAIL, K. Maçonaria Brasileira: a história ocultada - Vol. I. Brasília: No Esquadro, 2021.

(221) HODAPP, C. Maçonaria para leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015, p. 81.

Fonte: *ISMAIL, K. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.*



A RATOEIRA ELEITORAL - Emanuel Belem



Existe uma velha fábula: o rato vê uma ratoeira sendo colocada na casa e corre avisar os outros animais. A galinha responde: “não é problema meu”. O porco diz: “lamento, mas não posso fazer nada”. A vaca ignora.

Naquela noite, quem não era o alvo acabou pagando o preço — porque quando o perigo entra na casa, ele não escolhe espécie.

A eleição municipal funciona exatamente assim.

Durante quatro anos, muitos assistem ao colapso da saúde, à escola sem estrutura e à insegurança crescente como se fossem problemas “do bairro do outro”. Só se indignam quando a ambulância não chega para o próprio filho, quando falta vaga para o próprio neto ou quando o assalto acontece na própria rua. A dor coletiva só vira urgência quando ganha endereço pessoal.

Mas chega o período eleitoral… e o comportamento muda: vira festa, vira torcida, vira negociação.

O voto deixa de ser consciência e passa a ser moeda.

Um favor aqui, um emprego ali, um saco de cimento, um contrato prometido, uma ajuda imediata.

Troca-se o futuro por conveniência de curto prazo — e depois se estranha o resultado.

Vamos ao silogismo mais simples possível:

1. Uma campanha que custa dezenas de milhões não é caridade.

2. Quem investe para ganhar “a qualquer custo” pretende recuperar o custo.

3. Quem paga a conta é sempre a população.

Não existe milagre administrativo capaz de sustentar política cara sem retorno financeiro. A matemática é brutal: a eleição cara produz gestão cara — e a gestão cara produz serviço público ruim.

Depois vêm as reclamações:

– hospital sem médico

– escola sem professor

– cidade insegura

– obra superfaturada

Mas quem elegeu?

Não foi um ente abstrato chamado “política”.

Foi o conjunto de pequenos interesses individuais somados.

A ratoeira nunca foi só do rato.

Quando alguém vende o voto pensando apenas no benefício próprio, está ajudando a construir o problema coletivo que um dia inevitavelmente baterá à sua porta. A tragédia pública nasce de milhares de decisões privadas aparentemente insignificantes.

Portanto, antes de criticar o caos, vale a reflexão: não existe governo ruim sustentado por eleitor responsável — e não existe boa cidade construída por voto negociado.

O problema do outro quase sempre é o ensaio do nosso.

Na democracia municipal, mais do que nunca, cada eleitor é parte da causa… ou parte da solução.



março 03, 2026

PALESTRA NA ARLS IDEAL E TRABALHO 150 - Praia Grande



 



Com a presença do Sereníssimo Grão Mestre Jorge Anysio Haddad e sua comitiva composta de Grandes Secretários, do Delegado Regional Guillermo Bahamonde Manso e dos Delegados Distritais, a ARLS Ideal e Trabalho n. 150 de Praia Grande, sob o comando do jovem e dinâmico Venerável Mestre Adolfo Costa Dominguez, realizou inédita Sessão Conjunta Magna dos Distritos 10, 11, 12, e 13 da 8a. Região da GLESP.

    As Lojas participantes da Sessão, representando todos os municípios da Baixada Santista foram:  Duque de Caxias 70, Ideal e Trabalho 150, Pedro Alba 189, 22 de Abril 252, Fraternidade de Itariri 293, Obreiros da Verdade 302, Triplice Aliança 341, XI de Agosto de Itanhaém 656 e Cavaleiros da Fenix 840. No total 20 Lojas e mais de 100 obreiros participaram do evento.

    A Ordem do Dia da sessão foi a palestra que apresentei: "1666 - O Incêndio de Londres e a formação da maçonaria especulativa". Pelo primeira vez proferi uma palestra ilustrada com imagens produzidas por IA. Em razão da presença do SGM, que iria usar da palavra, o tempo da palestra foi bastante reduzido, mas na opinião de irmãos ouvidos, foi muito interessante.

    Diversos irmãos receberam homenagens e cada um dos Veneráveis Mestres presentes ganhou uma medalha histórica da Grande Loja, como antecipação da comemoração do centenário da Potência. Ao final o SGM Jorge Anysio Haddad explanou diversas atividades conduzidas pela Grande Loja, especialmente na área de ação social e beneficência.

    O evento foi finalizado com um magnífico churrasco no amplo salão de festas da Loja.