julho 30, 2021

LIBERDADE DE PENSAR




O Trabalho Maçônico com base no Estudo para combater a ignorância, deveria ser de natureza Gnosiológica. 

A busca pelo Conhecimento deve sempre ser ilimitada, e preferencialmente executada através da conceituação da Teoria do Conhecimento: Gnosiologia. 

E no desempenho dessa tarefa, quando forem encontrados obstáculos, não devem ser considerados intransponíveis, pois se o Pensamento Maçônico assim não entendesse, estaria incorrendo em contradição.

A Maçonaria não tem afinidade com o limite da Liberdade de Pensamento, que é dogmática e é a teoria que reafirma a capacidade do Espírito humano de conhecer a Verdade e, certamente, em sua mais pura e absoluta realidade. 

Se em vez disso, houvesse tal limite, e a Maçonaria assim o entendesse, deveria constar de sua Lei Maior - a Constituição, que tem como objetivo primordial a busca incessante da Verdade. 

Uma das características do Pensamento Maçônico é o Relativismo, que se contrapõe ao Absolutismo, entendido o Relativismo como o caráter atribuído ao Conhecimento humano, por considerá-lo impotente para alcançar a Verdade incapaz de atingir o Absoluto. 

Assim, forçoso é que se reconheça que a Filosofia Maçônica nada tem a ver com o Transcendentalismo, entendido como determinada propriedade que esteja acima de uma Ordem de Realidade. 

Ao contrário do entendimento de alguns intelectuais maçônicos, a Linha de Pensamento da Instituição não é privativa deste ou daquele Rito, visto que se traduz no que está gravado na Constituição do Grande Oriente do Brasil (GOB) desde os primórdios, isto é, desde a promulgação da Primeira Constituição.

De outra parte, como a Maçonaria não é - e jamais será - uma Entidade religiosa, o fato de constar como postulado de sua Legislação Maior - a Constituição, o reconhecimento da existência de um Princípio Criador;

Tal circunstância não enfraquece ou afasta os objetivos iniciais contidos em seus Princípios Gerais, principalmente no capítulo em que afirma ser o Sectarismo Político, Religioso ou Radical, incompatível com a universalidade do Espírito Maçônico. 

Os Postulados universais da Instituição Maçônica, não contém nenhum Princípio Transcendental interpretado dentro do Simbolismo.

O fato de Conhecimentos de Caráter Ritualístico e Simbólico serem transmitidos somente aos Iniciados, não tem a característica de transformar a Instituição Maçônica em uma Entidade Mística, ou voltada para o Transcendentalismo Dogmático.

O termo Místico é entendido no sentido da prevalência da natureza emocional e estranha às Leis do Pensamento Lógico.

O Caráter Esotérico, sendo ele próprio relativo, caso a expressão Caráter Esotérico for entendida como sendo a transmissão de ensinamentos apenas e tão somente aos lniciandos. 

Se aos Maçons fosse vedado transmitir a Filosofia Maçônica ao Mundo Profano, não teria a Maçonaria razão de existir, pois o Artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil (GOB), em seu inciso IX, recomenda expressamente a divulgação de sua doutrina pelo exemplo da palavra. "

Desta maneira, o que se reveste deste Caráter Esotérico é, exclusivamente, a Ritualística e o Simbolismo. 

Resumindo, poder-se-ia dizer que os fatos: 

•De se Consagrar a Lei Maçônica à existência de um Princípio Criador; de possuir em sua sessões o Livro da Lei, e de revestir-se de característica iniciática, não significa que delimite o livre pensamento, estrangulando-o pelo dogmatismo. 

Assim, caberia finalizar afirmando que: a Liberdade de Pensamento deve sempre ser a base e o arcabouço de toda a Filosofia Maçônica!

(desconheço o autor)

julho 29, 2021

E DÁ-LHE MIMIMI - Newton Agrella

 


Newton Agrella é escritor, tradutor e palestrante. Um dos mais destacados intelectuais maçônicos do pais.

Impressiona como tudo hoje em dia é mimimi.

A sensibilidade humana anda mais doída e aguda que a reles picada de uma agulha.

Nada pode ser dito, sem que um prévio patrulhamento se mostre alerta, esteja vigilante e atento, tal qual a porta giratória de uma agência bancária.

A troca de informações ou a simples ovservação por alguma atitude desavisada, a utilização de algum vocábulo que enseje interpretação dúbia, ou até mesmo uma leve brincadeira,  podem assumir consequências inesperadas, atingindo proporções que beiram o fim do mundo.

Escrever então, tem sido um ofício mais que desafiador.  

Seja em prosa ou versos, as palavras tem que percorrer um caminho cheio de cuidados, enfrentando  curvas, aclives e declives, de forma que jamais colidam com eventuais pensamentos ou conceitos que divirjam de quem compartilha da leitura.

Instaurou-se uma espécie de tribunal de juizos seletivos, de sorte que o texto tenha que se submeter a um crivo de censura preventiva, para saber se vai causar algum malefício ou não.

Interessante que esse arcabouço de precauções se manifesta em praticamente todas as esferas da sociedade. 

Seja na mídia, nos canais de comunicação, nos grupos de WhatsApp, e até mesmo numa roda entre amigos ou familiares. 

O fenômeno é recorrente. 

O mimimi, é o sinal do tempo, o refém e o algoz da comunicação. Tornou-se o delimitador das ideias  pois sabe-se lá qual será a reação do interlocutor.

De qualquer modo, é vida que segue, e com ou sem mimimi, a liberdade de expressão e de pensamento deve permanecer assegurada, como o exercício democrático da vida.