NOTAS SOBRE A CONTRIBUIÇÃO JUDAICA PARA A CULTURA BRASILEIRA


 Notas sobre a contribuição judaica para a cultura brasileira


Prof. Michael Winetzki

A chuva caía em grossas gotas sobre os paralelepípedos encharcados formando rápidos cursos e inúmeras poças. Os cavalos apressavam-se, espargindo água para os lados, enquanto a comitiva cortava a madrugada.
Dentro da carruagem com as cortinas cerradas, o padre procurava obter do prisioneiro a derradeira confissão.
Este, usando uma camisola de algodão grosseiro, mãos atadas com cordas rústicas, ia murmurando de olhos fechados as suas últimas orações. As torturas não tinham conseguindo quebrantar o seu espírito e há muito, a dor, de acérrima inimiga, havia se transformado em suave companheira.

Ainda é madrugada quando chegam ao local. A execução não havia sido anunciada e não havia público, mas, apesar do segredo, os rituais legais da morte precisavam ser seguidos. Sobre o patíbulo, o carrasco, o sacerdote e o prisioneiro que pediu para não ser vendado. Como testemunhas os soldados da guarda e o condutor da carruagem.
Eleva-se a voz do sacerdote: - pela última vez infeliz, renegas a heresia e aceitas Jesus Cristo como seu único Senhor e Salvador ?
Enquanto o carrasco ajeita a corda em seu pescoço, o prisioneiro murmura: - Ouve ó Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é um!

Ouve-se um forte estalido do alçapão se abrindo e outro, mais fraco, do pescoço se quebrando. A corda balança algumas vezes e pára. Os guardas retiram o corpo, enfiam-no em um grande saco de aniagem e o jogam no chão da carruagem. O padre esparge água benta em forma de cruz sobre o cadáver que seria queimado e reduzido a pó, "para que dele não restasse qualquer memória".

A chuva torrencial lava qualquer sinal do acontecido. O sol começa a nascer em úmida Lisboa em meados de fevereiro de 1744.
Quem era afinal a vítima do carrasco ?

Pedro de Rates Hanequim, cristão-novo, erudito historiador, geógrafo, astrônomo, matemático, e aventureiro, um dos maiores cérebros do império português, viveram 26 anos no Brasil e finalmente morreu em sua própria terra como apóstata.
Esse notável estudioso, que sabia ler os livros sagrados no original em hebraico e aramaico e as versões em latim e grego, após décadas de estudo identificou o lugar onde teria sido o paraíso terrestre, o Éden.

Dizia que do local do paraíso seria possível ver uma constelação em cruz, o trono de Deus, o Cruzeiro do Sul; que a arvore do conhecimento era não a macieira e sim a bananeira, que ele chamava de árvore da vida e os nove rios que demarcavam o paraíso seriam os rios que formam a bacia amazônica : Amazonas, Juruá, Tefé, Guará, Purus, Madeira, Tapajós. Xingu e Tocantins.
O paraíso terrestre teria sido onde hoje se situa o Estado do Pará, que aliás, em hebraico, significa "vaca".

Entre os anos de 1492 e 1540, a o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição obrigou a conversão ao catolicismo de cerca de 190.000 judeus em Portugal e Espanha. Outras centenas de milhares de homens, mulheres e crianças que se negaram à conversão foram torturados e dizimados da forma mais cruel. Observe-se que nesta época cerca de metade de população de Portugal, em torno de um milhão de habitantes, era composta de judeus.
Basta dizer que o primeiro livro impresso em Portugal, em 1487, foi a Torah (Pentateuco) em caracteres hebraicos.

Em 1500 o Brasil é descoberto pela esquadra de Pedro Álvares Cabral, abrindo-se, assim, um "Mar Vermelho" para a fuga dos judeus portugueses que corriam risco de vida. Um dos importantes oficiais da esquadra de Cabral era o interprete judeu Gaspar da Gama, bem como eram confeccionados por cartógrafos e instrumentadores como o judeu Jehuda Cresques da Escola Naval de Sagres, os mapas que conduziram Cabral e outros navegadores, durante as suas expedições.

Em 1503 o judeu Fernão de Loronha, que passou para a história com o nome de Fernando de Noronha lidera um grupo de judeus portugueses e apresenta a D. Manuel a primeira proposta de colonização do novo território. Por este documento o grupo de judeus cristãos-novos liderados por Noronha arrendava todo o Brasil e obtinha o monopólio de tudo que o país produzia, principalmente pau-brasil e comércio de escravos, em troca de mandar anualmente seis barcos carregados de mercadoria para a metrópole, descobrirem 300 léguas de novas terras e construírem e manterem algumas fortificações.

Em 1516, D. Manuel distribui ferramentas aos que quisessem se mudar para o Brasil. Ele queria implantar engenhos de cana nesta terra "recém descoberta". Milhares de judeus aproveitam esta oportunidade.

Em 1531, Martin Afonso de Souza, discípulo do judeu português Pedro Nunes foi mandado pelo Rei D. João III para a primeira expedição sistemática colonizadora tendo implantado o primeiro engenho de açúcar do país em S. Vicente. As primeiras usinas de açúcar do Brasil foram criadas por judeus egressos da Ilha da Madeira, onde esta cultura era tradicional.
Em 1550 havia 5 engenhos no país. Em 1600 havia 120. Segundo os historiadores Oliveira Lima e Gilberto Freyre,"a industria do açúcar foi importada pelo Brasil pela maior parte por judeus, que constituíam o melhor elemento econômico de sua época, e lucravam com fugir à fúria religiosa que grassava na Península Ibérica". Um dos maiores usineiros de açúcar de Pernambuco era Diogo Fernandes, marido da judia Branca Dias, uma das poucas brasileiras executadas pela Inquisição e que dá nome nos dias de hoje a um belíssimo palacete tombado, sede de uma Loja Maçônica em João Pessoa.

Em 1577 com o término do domínio espanhol sobre Portugal, muitos judeus vieram para o Brasil direto da Península Ibérica. Alguns destes foram para a América do Norte, Holanda e América Espanhola. Entre os anos de 1591 e 1618 os judeus se espalharam pelo Brasil, principalmente para o Sul.

1601 - Licença para a saída do Reino e promessa de nunca mais se renovar a proibição. Serviço de 170 mil cruzados. A licença para a saída era expedida em forma de um salvo-conduto, com direito apenas a uma ida (e nunca à volta) e exigia que o nome do solicitante fosse aportuguesado.

Há milhares de sobrenomes judeus utilizando a combinação das cores, dos elementos da natureza, dos ofícios, cidades e características físicas, tendo como raiz, por exemplo as seguintes palavras:

Cores: Roit ou Roth (vermelho); Grun ou Grinn (verde); Wais ou, Weis ou Weiss (branco); Schwartz ou Swarty (escuro, negro); Gelb ou Gel (amarelo); Blau (azul)
Panoramas: Berg (montanha); Tal ou Thal (vale); Wasser (água); Feld (campo); Stein (pedra); Stern (estrela); Hamburguer (morador da vila).
Metais, pedras preciosas e mercadorias: Gold (ouro), Silver (prata), Kupfer (cobre), Eisen (ferro), Diamant ou Diamante (diamante), Rubin (rubi), Perl (pérola), Glass, (vidro), Wein (vinho).
Vegetação ou natureza: Baum ou Boim (árvore); Blat (folha); Blum ou Blume (flor); Rose (rosa); Holz, (Madeira).
Características físicas: Shein ou Shen (bonito); Hoch (alto); Lang (comprido); Gross ou Grois (grande), Klein (pequeno), Kurtz (curto); Adam (homem).
Ofícios: Beker (padeiro); Schneider (alfaiate); Schreiber (escriturário); Singer; (cantor); Holtzkocker (cortador de madeira), Geltschimidt (ourives), Kreigsman, Krigsman, Krieger, Kriger (guerreiro, soldado), Eisener (ferreiro), Fischer (peixeiro ou pescador), Glass ou Gleizer (vidreiro).

Utilizaram-se as palavras de forma simples, combinadas e com a agregação de sílabas como son, filho; man, homem ou er, que designa lugar.
Na versão para o português ou espanhol, procurou-se aproximar o máximo possível os mesmos critérios. Considere-se também a mudança do idioma português através dos séculos.

Alguns dos sobrenomes de judeus aportuguesados são: Alves; Andrade; Alencar, Amaral; Alfaia; Aguiar; Arruda; Benjamim; Bento; Bentes; Bezerra; Brito; Botelho; Cáceres; Cabral; Carvalho; Cardoso; Cerqueira; Costa; Cintra, Contente; Daniel; David; Duarte; D?Avila; Dias; Elias; Franco; Ferreira; Fundão; Feijão; Fonseca; Gabai; Gabilho; Gomes; Henriques; Laredo; Ladeira; Lisboa; Linhares; Levi; Leite; Madeira; Machado; Marques; Matos; Matatias, Moreno; Mendes; Mello; Medina; Muniz; Navarro; Neto; Nunes; Noronha; Osório; Oliveira; Obadia; Passarinho; Pina; Pinto; Pereira; Prado: Porto; Rocha; Ribeiro; Regatão; Rego; Rodrigues; Salomão; Santos; Saraiva; Salvador; Serra; Silva; Silveira; Simão; Soares; Vasconcelos; Viana, Vieira e muitos outros. Recentemente fotografei na parede da primeira sinagoga das Américas, a Zur Israel, em Recife, um quadro com centenas de sobrenomes aportuguesados dos judeus que vieram da Península Ibérica nos anos da Inquisição.

1605 - (16 de janeiro). Perdão geral em troca do donativo de 1.700.000 cruzados. Em 1610 retira-se a concessão de saída de 1601.

De 1637 a 1644 ? São tempos áureos para os judeus no governo holandês de Maurício de Nassau. Neste período, funda-se a 1ª Sinagoga "Zur Israel", em Pernambuco, quando vem da Holanda o 1º rabino de descendência Portuguesa Isaac Aboab da Fonseca.

Com a derrota dos holandeses para os portugueses em 1654, um grupo de prósperas famílias judias estabelecidas havia décadas no Recife, temendo a volta da Inquisição toma uma navio e ruma para uma outra colônia holandesa mais ao norte, Nova Amsterdã. Esse grupo faria parte dos fundadores da cidade de Nova York. A família proprietária do maior jornal do mundo, o New York Times, descende em linha direta desses judeus de Pernambuco.

1770-1824 - Período de liberalização progressiva, forte imigração de judeus marroquinos e alsacianos para a Amazônia,que acabaram por monopolizar a produção e exportação de borracha durante o seu período de maior apogeu e gradual assimilação dos judeus.
Os imigrantes judeus vinham para Belém do Pará e se estabeleceram em Belém, Manaus, Cametá, Gurupá, Breves, Baião, Macapá, Santarém, Itaituba, Óbidos, Parintins, Maués, Itacoatiara, Manacapuru, Coari, Tefé, Humaitá, Porto Velho, e outras cidades.
Outro ramo foi para o Nordeste e se estabeleceu no Ceará, criando uma grande e próspera colônia em Sobral, especialmente por causa do porto de Camocim, que nesta época não era alfandegado, e da excelente estrada de ferro, construída por D. Pedro II, que ligava o porto a Sobral. Outra grande colônia se estabeleceu em Recife, e menores na Paraíba, Bahia e Rio Grande do Norte.

Os judeus foram os primeiros regatões da Amazônia e a bordo de seus barcos e batelões levavam mercadorias para vender no mais remotos rincões em troca de castanha, borracha, bálsamo de copaíba, peles e couros e outros produtos que depois eram exportados.
Entre 1824-1855 ocorreu a fase da assimilação profunda, subseqüente à cessação da imigração judaica homogênea e a equalização total entre judeus e cristãos perante a lei.
O período entre 1855 e 1900 marcou o início do momento imigratório moderno, caracterizado pelas primeiras levas de imigrantes judeus, oriundos, sucessivamente, da África do Norte, da Europa Ocidental, do Oriente Próximo e mesmo da Europa Oriental, precursores das correntes caudalosas que, nas Primeiras décadas do século XX, viriam gerara e moldar a atual coletividade israelita do país.

Esses judeus se estabeleceram no sul e sudeste do país e se dedicaram principalmente ao comércio, a indústria, a construção civil e a área de comunicação. Por exemplo: o primeiro prédio feito em concreto armado em todo o Brasil, foi uma sinagoga em S. Paulo.
A Rede Brasil Sul de Comunicação com sede no Rio Grande do Sul, a Editora Abril; a Editora Nova América (dos gibis), a TVS; a rádio e TV Vanguarda de Sorocaba e outras tantas pertencem a famílias de origem judia.

Segundo alguns estudiosos, cerca de 10% da população brasileira, algo em torno de 15 a 17 milhões de pessoas, é descendente direta dos judeus fugidos da Inquisição. Isso quer dizer que a população de cristãos novos, descendentes de judeus no Brasil, é praticamente igual a população total de judeus em todo o mundo.

Três curiosas contribuições do judaísmo para a cultura brasileira são a carne de sol, a tapioca e talvez o chapéu de couro dos vaqueiros no Nordeste.
A dieta judaica chamada "kasher" obriga a comer a carne sem sangue, por isso, os cortes eram pendurados em varais para dessangrar. Ao se repetir o procedimento no Brasil, o sol, a umidade e temperatura cozinhavam a carne. Pronto: estava criada uma das mais tradicionais iguarias da região.

A tapioca é a tentativa de reproduzir o "matzá", o pão ázimo de Moisés, com farinha de tapioca, porque não existia farinha de trigo no Brasil. Nascia mais uma delícia da cozinha regional brasileira.

A forma tradicional do chapéu de couro nordestino aproxima-se da forma da "kipá", o solidéu, que era provavelmente usado pelos primeiros fazendeiros judeus da região. Observa-se enorme diferença entre os chapéus de palha do México, da Colômbia, do Panamá e dos Pampas, embora a mesma matéria prima estivesse disponível em todas as regiões.
Para encerrar, o nome Brasil tem como origem o pau-brasil, madeira de cor avermelhada que foi o primeiro produto de exportação do país, e que também é conhecido como pau-tinta ou pau-ferro. Curioso é notar que em hebraico, ainda hoje, a palavra que denomina ferro é barzel. Brasil poderia ser assim uma derivação dessa expressão.

Bibliografia:
1) A presença dos judeus em Sobral e circunvizinhanças....
Padre João Mendes Lira ? Rio de Janeiro ? 1988
2) Eretz Amazônia ? Os judeus na Amazônia
Samuel Benchimol ? Manaus, AM ? 1998
3) Os judeus no Brasil Colonial
Arnold Wiznitzer ? Ed. Pioneira ? 1966
4) O ultimo cabalista de Lisboa
Richard Zimler ? Companhia de Letras ? 1997
5) O mistério do cubo sagrado ( no prelo)
Michael Winetzki ? Brasília, DF ? 2005
6) A fênix de Abraão
Sonia Bloomfield Ramagem - Brasília ? 1994
7) Cristãos Novos na Bahia
Anita Novinsky ? São Paulo ? 1972

8) Visão Judaica on Line ? diversos

O CAMINHO DA FELICIDADE NOS NEGÓCIOS


         O CAMINHO DA FELICIDADE NOS NEGÓCIOS

        Sejam bem vindos a este pequeno manual, que tem a finalidade de ajudá-los a implantar algumas técnicas de atendimento ao cliente, vendas, motivação e de gerenciamento por qualidade total no seu negócio, seja lá qual for o tamanho dele. Por isso fiz esse manual, essencialmente prático.

         A cada semana você tem uma lição para ler, compartilhar com os companheiros de trabalho, copiar, pregar no quadro de avisos ou perto do cafezinho, discutir sobre o tema, colocar em prática. Tudo em linguagem simples, coloquial. 

        Há lições de administração, de filosofia de vida, de ética, de comportamento, porque a intenção não é somente fazer a sua empresa melhor, é tornar melhor a sua vida e a vida dos que trabalham com você. Existem algumas mensagens de caráter religioso, de várias religiões diferentes, porque o seu conteúdo ético e comportamental é importante para a atividade empresarial.

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ACÃO ROTÁRIA - a ARCA do Rotary


 ACÃO ROTÁRIA - a ARCA do Rotary

Em 1900 Chicago era a segunda maior cidade dos EUA, maior entroncamento ferroviário do mundo, capital do comércio da madeira, da carne suína, do peixe e dos cereais. Era também tida como a cidade mais suja dos Estados Unidos.

Paul Percy Harris, um jovem advogado de 28 anos, criado no interior por seus avós, chega à cidade de um milhão de habitantes para se estabelecer, após alguns anos de aventuras.

Um dia, andando com um amigo após o jantar, este, por diversas vezes se detém para cumprimentar amigos e clientes. Isso despertou em Harris o desejo de fazer relacionamentos como estes, que eram comuns na pequena cidade onde fora criado.

Em 1905, já um bem-sucedido advogado, reúne mais três clientes em uma sala e lança a semente do Rotary. A primeira obra do novo clube foi a construção de banheiros públicos em Chicago.

Em 1916, milhares de pessoas são afetadas pela poliomielite nos EUA, inclusive o futuro presidente Roosevelt. 6000 pessoas morrem. Mas por falta de tratamento a epidemia continua a crescer até 1955, quando o doutor Jonas Salk cria a primeira vacina injetável contra a pólio.

Cinco anos depois, em 1960, o Dr. Albert Sabin, que foi casado com uma brasileira e falava um razoável português, desenvolve uma vacina em forma de gotinha, mais fácil de aplicar e de transportar.

Em 1979, uma epidemia de pólio devasta as Filipinas. Os RCs pedem socorro e o então presidente do RI, James Bomar Jr. assume o compromisso de vacinar seis milhões de crianças. A epidemia foi contida. No entanto, nos anos que se seguiram cerca de 350.000 casos anuais de pólio, em todas as partes do mundo, aleijavam e matavam milhares de pessoas, como se fosse uma guerra global.

Em 1985, o médico mexicano Carlos Canseco, presidente do RI, ciente da gravidade do fato e da inutilidade dos esforços dos governos decide lançar uma campanha mundial, o programa Pólio, depois Pólio Plus para erradicar a doença da face da Terra. Desde então Rotary já investiu dois bilhões de dólares e vacinou dois e meio bilhões de crianças.

O que esta pequena história nos ensina? São os mesmos preceitos que permitiram a Arca de Noé cumprir a sua missão e reconstruir a civilização. Vamos explorar cabalísticamente o acróstico A R C A.

ATITUDE – é a concretização de uma intenção ou propósito. (....)

RESPONSABILIDADE – obrigação de responder com atos a alguma coisa confiada. (....)

COMPANHEIRISMO – relação baseada na lealdade e respeito, na compreensão e tolerância, em busca de um objetivo comum. (.....)

AÇÃO – disposição para agir, energia, movimento

Na relação familiar, ou conjugal, o mesmo acróstico ensina novas atitudes.

ADMIRAÇAO, RESPEITO, COMPANHEIRIMO E AMOR

E quando problemas de toda ordem sacudiam a Arca, assim como acontece as vezes no Rotary na família no mundo todo, neste momento com a pandemia, Noé lançava a ancora, que dava estabilidade e firmeza a embarcação. No nosso caso ancora é a tolerância e a capacidade de entender o ponto de vista do outro, dialogar e encontrar um consenso.

Finalmente, em todos os casos somos motivados pela fé, que segundo Tiago, 2.17 – A fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta.

UMA HISTÓRIA DE ROTARY, AS QUATRO PERGUNTAS

 AS QUATRO PERGUNTAS: UMA HISTÓRIA DE ROTARY


Michael Winetzki – Rotary Eclub do D. 4420

"Para obter o sucesso almejado faça quatro perguntas a si mesmo: Por que? Por que não? Por que não eu? Por que não agora? " 
James Allen, ensaísta americano (1864-1912)

Após preencher a ficha do hotel, a primeira pergunta que Jorge fazia era: - Sabe o endereço do Rotary Clube?
Gerente de vendas bem sucedido de uma grande firma de materiais para construção, ele costumava passar metade do mês visitando os clientes de sua empresa para aferir a satisfação destes e o seu índice de participação de sua empresa no mercado. 


Rotariano há dez anos, fazia questão de trazer os cartões de recuperação para não prejudicar a média do seu clube. Além disso nas freqüentes visitas aos Rotary Clubes do território sob sua responsabilidade ganhava novos amigos, adquiria informações relevantes sobre a economia da área e sobre a situação de seus clientes e as vezes realizava importantes contatos comercias. Estava em uma cidade pequena, uns quarenta mil habitantes, que experimentava um grande surto de progresso devido a nova fronteira agrícola de soja e milho que se desenvolvera ao seu redor. Obtido o endereço, após guardar as suas coisas, foi para o jantar. 

Gostava do ritual do Rotary. Desde a recepção do protocolo, a oração e a saudação à bandeira. Sentia-se em casa em cada clube e sabia que este não seria diferente. Não podia imaginar como estava enganado. 

Ao chegar ao Clube, onde um grande número de pessoas confraternizava, e se apresentar foi surpreendido com uma calorosa recepção. O idoso Diretor de Protocolo bateu palmas, obteve silêncio, e anunciou em voz alta e entusiasmada: - temos um companheiro visitante da Capital, o Jorge, gerente de vendas. Foi saudado com um caloroso grito de guerra em uníssono: - O Jorge é um bom companheiro, o Jorge é um bom companheiro, o Jorge é um bom companheiro, bem vindo seja aqui. 

Convidado para compor a mesa ouviu com crescente admiração os excelentes relatórios da secretaria, da tesouraria e das Avenidas. O clube, com 40 sócios, mantinha 100% de freqüência havia meses. As Avenidas eram extremamente atuantes, realizando vários trabalhos de cunho social em parceria com a Casa da Amizade, que estava também presente em peso à reunião, uma verdadeira festa. 

Foi a melhor reunião de Rotary de que Jorge já participara e ao final, durante o companheirismo, procurou o Diretor de Protocolo para perguntar-lhe como conseguiram fazer um Clube tão especial. 

- É fácil, além da Prova Quadrupla, um ex presidente introduziu uma outra prova chamada "As quatro perguntas", de autoria de um filósofo e ensaísta americano chamado James Allen, cuja obra atingiu o auge de notoriedade na época que Paul Harris fundou o Rotary e que tem nos ajudado a manter vivo e dinâmico o nosso clube. 

- É como é essa prova?

- Espere, o companheiro Ricardo foi o responsável pela sua adoção no seu tempo de presidente e pode explicar melhor. E chamou um simpático senhor que o cumprimentou com efusão: - então, Jorge, você quer saber a respeito das quatro perguntas? - e começou a explicar:

- A primeira pergunta é: Por que você quer ser rotariano ? Encontre a razão mais profunda e verdadeira para essa decisão. Antes de aceitar o convite pergunte-se "por que devo ser rotariano ?" Entenda o que se passa dentro de você. Procure os motivos pelos quais você sente que quer e pode agir em benefício da sua atividade profissional, de sua família, de seus amigos, de sua comunidade e seu país. Se não estiver absolutamente convencido, as razões serão frágeis e você poderá desistir facilmente. Enfim, encontrada a razão, você se tornará um rotariano na própria alma. 

- E como é feito isso ? Jorge perguntou . 

- Dedicamos uma reunião por mês para os candidatos a novos sócios. Nessa reunião a instrução rotária é especialmente elaborada para dar uma ampla visão dos ideais e da forma de atuar do Rotary, das suas atividades locais e globais, dos seus programas e do companheirismo Além de proporcionar uma ampla visão aos candidatos reforça nos próprios companheiros essa convicção. 

- E depois ?

- A segunda pergunta é: Por que não fazer algo pela comunidade ? Muitas pessoas, apesar de conhecerem as necessidades da comunidade, nada fazem porque imaginam que não é seu problema. Nesse estágio uma comissão do Clube visita o candidato em sua casa e lhe faz ver as responsabilidades que está para assumir. Mostra que a maior parte dos motivos para não fazer são meras desculpas: falta de tempo, de recursos, de colaboração, etc. Mas se entramos no Rotary de coração, passamos a ter mais de um milhão de companheiros e de motivos para passar a agir de maneira efetiva e constante em benefício da sociedade. 

- Muito interessante, comentou Jorge. 

- A terceira pergunta é: Por que não você? Se alguém tem que fazer algo, você pode ser este alguém. Convidamos o candidato para se apresentar ao Clube falando de sua profissão ou atividade, dos desafios que enfrentou, das suas qualidades e da liderança que desenvolveu e aí o fazemos ver que ele tem de sobra as qualidades requeridas para assumir este compromisso: por que não você? Alguém tem que incrementar o companheirismo: por que não você? Alguém tem encabeçar a campanha Pólio Plus do Clube: por que não você? Alguém tem que estimular o Pro-família: por que não você? Alguém que dar o primeiro passo em uma campanha: por que não você?

- É claro, prosseguiu, o companheiro Ricardo, que a esta altura todos os procedimentos normais de aceitação do candidato já foram realizados. Ele participou de duas ou três reuniões, nos o visitamos em seu lar, a Casa da Amizade já trouxe a sua esposa para o serviço e aí o Conselho Diretor do Clube,

- Mesmo ele nem tendo entrado no Clube ainda?

- Na solenidade de posse, o novo rotariano já assume um encargo, e essa é a quarta pergunta: Por que não agora? O melhor momento para começar algo é... imediatamente. O novo rotariano sente que sua adesão é desejada e importante para o clube, e cheio de entusiasmo se põe a cumprir suas tarefas com todo o denodo, estreitando os laços de companheirismo e valorizando a sua adesão ao Rotary. Ele se sente uma peça importante e orgulhoso por poder dar a sua contribuição. 

Impressionado, Jorge pensou - é por isso que este Clube é tão dinâmico e tão vivo. - Você me permite levar essa informação ao meu próprio Clube ?

Rindo, o companheiro Ricardo lhe apertou fortemente a mão, dizendo: - Se o nosso lema do ano é dar a mão ao próximo, como é que não a daríamos para um companheiro que nos honra com a sua visita. Boa sorte, Jorge, e volte sempre. 

De volta para o Hotel, de alma leve, Jorge já se imaginava em seu próprio clube, aplicando "as quatro perguntas de Allen" e obtendo o mesmo resultado que acabara de presenciar. Agradeceu silenciosamente pelo privilégio de ser rotariano e dormiu em paz. 

michaelwinetzki@yahoo.com.br

MAÇONARIA DE ISAAC NEWTON A INTERNET




MAÇONARIA DE ISAAC NEWTON A INTERNET, meu livro mais recente, lançado em 2018, conta a história da evolução da espécie humana e também da filosofia desde o início da era cristã ate o advento do iluminismo e de como os filósofos, intelectuais e cientistas mais importantes da história, reunidos nos alojamentos dos pedreiros durante a reconstrução de Londres no início do século 18, fundaram a Grande Loja da Inglaterra para encerrar uma era de absolutismo e inventar a moderna democracia. Fala ainda da atuação da Física Quântica na formação da egrégora da Loja. Apesar do tema parecer árido é um livro pequeno e gostoso de ler, cheio de informações interessantes.

MINHAS EXPERIÊNCIAS AÉREAS - PARTE 3


 Minhas experiências aéreas – parte 3

Em 1969 mudei-me para Petrópolis, a linda Cidade Imperial, para cursar a Faculdade de Direito da Universidade Católica de Petrópolis e em 1970 fui trabalhar na filial da IBM no Rio de Janeiro, na OPD, que significa Office Products Division, que era a área de materiais para escritório, as máquinas
de escrever de esfera e outras, equipamentos de ditado e de impressão, o que havia de mais moderno e avançado na época e que atualmente decoram prateleiras de museus. Ainda hoje, 50 anos decorridos, temos um grupo de Whatsapp de ex-funcionários da IBM que ocupam diversas e relevantes funções na iniciativa privada e no governo, mas é opinião unânime entre nós que a IBM foi a melhor empresa do mundo para se trabalhar por muitas razões, os treinamentos, os planos de saúde, as premiações, os reconhecimentos etc. A guisa de exemplo, em 1972 fui considerado um dos melhores vendedores do Brasil e ganhei como prêmio uma viagem com a minha esposa, com todas as despesas pagas, para uma semana no Hotel Hilton Hawaiann Village no Havaí. Mas antes disso ela recebeu um enorme buquê de flores do presidente da empresa, José Bonifácio de Abreu Amorim, com um bilhete que em que ele agradecia a dedicação, estímulo e compreensão dela que proporcionaram ao marido atingir àquele objetivo. Nunca ouvi falar de uma empresa que tratasse seus funcionários desta maneira.
Mas voltando ao tema dos aviões foi a minha primeira viagem aérea internacional. O primeiro voo foi do Rio até Los Angeles com escala em Caracas e na capital do cinema ficamos hospedados no emblemático Hotel Roosevelt, em Hollywood, que aparece em 80% dos filmes que retratam aquela metrópole. Tínhamos um dia de folga e fomos passear pela calçada da fama, pelo Teatro Chines, os estúdios da Universal e outros locais turísticos e no dia seguinte voo para Oahu, uma das ilhas do arquipélago havaiano, onde ficamos no hotel que aparece com um enorme arco íris na fachada na série Havaí 5.0.
No retorno, a van da empresa aérea United que deveria nos buscar no hotel atrasou por algum motivo e quando chegamos ao aeroporto nosso voo já tinha partido. A companhia nos colocou no voo seguinte com um ‘up grade’ para a primeira classe. Foi quando verifiquei como é bom ser rico. O luxo e o conforto da primeira classe, a largura e maciez da poltrona, o extraordinário menu, a gentileza das aeromoças, tudo parece coisa de filme. Nunca mais tornei a voar de primeira classe, mas também nunca mais esqueci aquele voo. E estou falando de quase meio século atrás, nem tenho ideia de como seria hoje em dia.
Voltamos a Los Angeles e como tínhamos um tempo de férias fomos curtir Disneylandia. De lá outro voo para Nova York onde ficamos alguns dias. Depois um air suttle (uma espécie de ônibus aéreo) para Washington e finalmente outro curto voo para Miami. Gastamos o nosso tempo de férias conhecendo atrações pelos Estados Unidos e o interessante é não acresceu um centavo sequer no bilhete aéreo. Todas estas conexões estavam incluídas no preço do bilhete original pago pela IBM.
Eu ainda não tinha a nacionalidade brasileira, (sou israelense de nascimento) e não tinha passaporte de minha terra natal. Viajava com um passaporte amarelo que depois fiquei sabendo era fornecido para expatriados e nem imagino como é que a IBM conseguiu um para mim. No retorno, depois de uma gélida escala de uma noite inteira em Caracas, morto de sono, cansado e com fome, aterrissamos no antigo e acanhado aeroporto do Galeão. Ao passar pela alfandega o inspetor que pegou meu passaporte amarelo gritou para alguém lá dentro – “fulano, tem um passaporte amarelo aqui, o que é que eu faço? – e a resposta foi gritada também – “prende ele”. Depois de alguns minutos de intenso pavor fiquei sabendo que era para prender o passaporte, válido para uma única viagem, e não o passageiro. Abençoado Rio de Janeiro.
Algumas lembranças forçam a porta para entrar neste depoimento e uma delas é de quando a IBM promoveu um Congresso Internacional no Rio e fui destacado para ser o “aid” do presidente da IBM da França, não me recordo seu nome, mas ele tinha por volta de 50 anos, simpático e elegantíssimo e eu tinha apenas 23 anos de idade. Minha função era acompanhá-lo, atender suas necessidades e servir de intérprete. Ele estava hospedado no Copacabana Palace e foi absolutamente encantador. Quando lhe expliquei que eu morava em Petrópolis, a quase duas horas de viagem dali, ele fez questão de reservar um apartamento no Copa para mim também, para que estivesse à sua disposição. Seu único pedido foi que, à noite eu o levasse em um show de mulatas. Reservei uma mesa no “Sambão e Sinhá” do Sargentelli que estava na moda, mas o show começava às 23h00 e antes disso rodamos em um monte de bares onde ele tomava litros de vodka e eu Coca-Cola. Finalmente chegamos ao destino e ele enlouqueceu com as mulatas, a melhor criação de Deus. Perguntou se era possível sair com alguma delas. Eu fui perguntar ao gerente do local e ele disse que dali elas não saíam de modo algum, mas se alguma delas, depois do show, quisesse fazer um programa ele não tinha nada a ver com isso e que ele iria consultar se alguma iria ao Copa. Parece que alguma foi. Voltamos ao hotel por volta das 2h00.
No dia seguinte, às 8h00, enquanto eu aparecia para o trabalho como se tivesse sido atropelado por uma motoniveladora ele chegou elegante, perfumado, lépido e faceiro me agradecendo por uma das melhores noites que teve na vida. Verdade, morri de inveja.
SEGUE

MINHAS EXPERIÊNCIAS AÉREAS - PARTE 2


 Minhas experiências aéreas – parte 2

O problema de escrever sobre memórias é que elas alçam voo sozinhas. A intenção quando iniciei era contar o meu relacionamento com aviões, mas as lembranças decolaram e foram muito mais longe. Que seja! Quem tiver paciência de ler vai compartilhar esta viagem pelo meu passado, como se estivesse no assento ao meu lado.
Depois da experiência como corretor de imóveis fui trabalhar nos Supermercados Soares, dos irmãos Sandoval, José, Valdeci, Ruberval e Jair que cresceram de maneira explosiva passando de uma pequena loja (na origem uma barraca de feira em Pedro Gomes) para 13 grandes lojas. Sandoval, o presidente, foi um dos empresários mais honestos e um dos homens mais decentes que conheci na vida, meu padrinho da maçonaria. Eu era o faz tudo na empresa, assessor, secretário, braço direito e esquerdo, e morava em um amplo apartamento em cima da loja da Av. Mato Grosso para estar à disposição 24 horas por dia, o que era literal. Eu trabalhava de manhã até a noite, sábados, domingos e feriados. Comecei a viajar de avião acompanhando José, que era o relações públicas da empresa, para congressos, feiras e eventos. Ele era simpático, bem apessoado e rico e fazia enorme sucesso com as mulheres, o que acabou por comprometer o seu casamento.
Ao deixar a empresa, com o apoio e as bênçãos do Sandoval montei uma das primeiras lojas de 1,99 do Brasil, na Av. Calógeras quase esquina com a Afonso Pena, em frente onde hoje é o Bradesco e que se chamava Panela Velha. Estava arrumando a loja no domingo para inaugurar na segunda-feira com as portas abertas. Eis que entra Sérgio Reis, a caminho de sua fazenda em Pedro Gomes, precisando de uma quinquilharia qualquer. Era o meu primeiro cliente. Durante a conversa com o simpático ídolo eu lhe disse, em um rompante de valentia, que iria batizar a loja com o nome de fantasia de Panela Velha, em homenagem ao estrondoso sucesso que essa música fazia na ocasião e ele prometeu que voltaria para fazer uma apresentação gratuita para mim. Ele nunca mais voltou mas o nome deu sorte e loja foi muito bem por muitos anos.
Eu havia montado algum tempo depois as agências da TAM, mas não existiam computadores, raríssimos e caros e todo o complexo controle financeiro e logístico dos voos era feito à mão. Havia dois funcionários em tempo integral fazendo isso. Decidi que não compensava mais ter as agências e as transferi para outra pessoa. Investi em um estacionamento na Av. Mato Grosso na frente ao Colégio D. Bosco e me tornei sócio de um restaurante e casa noturna chamada Spazio, em frente à igreja matriz, onde cantavam Alzirinha Espíndola, Almir Sater e outros talentos locais. Ainda tive uma revenda de jeans e de joias, que se transformaria na Brilhante Joias, em sociedade com o Zelão de Coxim, revenda e indústria, que seria durante anos o meu negócio principal.
Eu me tornara diretor da Associação Comercial de Campo Grande e da Federação das Associações Comerciais de MS. Uma chapa alternativa presidida pelo empresário Vagner Simone Martins, meu vizinho na Avenida Mato Grosso, havia vencido as eleições derrotando um grupo que há décadas comandava a instituição e vários empresários jovens e ativos como eu faziam parte da diretoria, junto naturalmente com alguns antigos e prestigiadíssimos medalhões como Nelson Nachif. Passei a voar com frequência para representar a entidade em encontros, congressos e feiras. Numa dessas viagens conheci Brasília e me apaixonei pela cidade à primeira vista. Pensei – “quem sabe, algum dia, poderei vir morar aqui.”
Adelino Martins, dono da Floricultura Arakaki, que também era diretor da Associação Comercial me levou para o Rotary Clube de Campo Grande Norte, o maior Rotary do Distrito, e permaneço rotariano até hoje. Anos mais tarde fui presidente do Clube, da Associação dos rotarianos de Campo Grande, vendi a luxuosa, caríssima e inútil sede na cobertura de um edifício e ganhei do Prefeito Lúdio Coelho um grande terreno situado em um bairro nobre onde seria construído um consultório dentário para atender aos menos favorecidos. Estive há pouco mais de um ano em Campo Grande e fiquei muito triste ao ver que nada aconteceu no terreno e que o meu Rotary do coração está bem pequeno, embora conte com valorosos companheiros.
Aldoir Pedro Teló, pai do Michel Teló, também era meu vizinho na Avenida Mato Grosso, proprietário da Padaria Espanhola e foi meu vice-presidente na minha gestão rotária. Michelzinho desde muito pequeno era um ótimo cantor e instrumentista e animava as festas de nosso Clube. Eu disse ao Aldo que Michel viria a ser um grande artista. Não era difícil prever quando se via tanto talento e carisma no garoto.
A fábrica de joias estava estabelecida em uma casa vizinha à minha e funcionava a pleno vapor. Eu tinha cerca de 30 revendedoras de porta em porta. Estavam na moda na época as leves joias chamadas de “ouro italiano” que eram comercializadas em até 10 pagamentos, porque a economia era estável e o país estava em acelerado desenvolvimento. Eu vendia para outras cidades do Estado de MS e até para S.J. do Rio Preto em SP. O Zelão fornecia os diamantes, eu os lapidava em São Paulo e Petrópolis para transformá-los em brilhantes e montava em armações de ouro 18, metal que adquiria em São Paulo e Cuiabá. Já era um tipo de comércio “globalizado”. Meu ourives chefe, Zequinha, cearense de Juazeiro do Norte, terra de Padre Cícero, era dedicado e habilidoso e ensinou a profissão a muitos outros jovens que contratei. Peças mais caras e elaboradas eu adquiria do cuiabano Denis Correa Fortes que tinha uma belíssima produção de peças sofisticadas na Joias Denis, na Avenida Sumaré em São Paulo.
Mas a certa altura começamos a ter problemas de segurança. Algumas revendedoras foram roubadas, um dos meus veículos foi acidentado e se perderam muitas joias e valores, um dos meus clientes foi assassinado e preocupado com o crescendo da insegurança doei os equipamentos da fábrica aos empregados e encerrei as atividades da joalheria.
SEGUE

MINHAS EXPERIÊNCIAS AÉREAS - PARTE 1


 Minhas experiências aéreas - parte 1

Voei pela primeira vez em 1966, quando um colega de classe, Cory Ronald Blume de Araújo, que era instrutor do Aero Clube de Sorocaba, muito ativo na época, me levou para um voo panorâmico sobre a cidade. Voei mais algumas vezes com ele em domingos. Fiquei muitos e muitos anos sem voar, até a minha mudança para Campo Grande, MS, em 1976, quando fui trabalhar como corretor de imóveis com Alípio Rodrigues, então dono da Imobiliária Radar e nas horas vagas piloto de acrobacias. Alípio chegou a comprar um avião para realizar o que na época eu considerava loucuras. Ele fazia as mesmas manobras realizadas pela Esquadrilha da Fumaça, mas jamais se acidentou com o avião. Veio a falecer recentemente em um banal acidente de automóvel.
Também cheguei a dar um voo com o piloto que tinha o brevê de aviador número 1 do país, Comte. Rocha, e que era então esposo de minha secretária Rosangela. Mas tive contato mais frequente com aviões no Mato Grosso do Sul quando encontrei o querido amigo Francisco Antônio van Spitzenbergen, que todos conheciam por Chico Piloto e que voava para o empresário José Adelino de Carvalho, o Zelão de Coxim, que era nosso patrão em comum. Zelão tinha supermercados, máquinas de arroz, concessionária de automóveis, mas seu negócio principal era o garimpo de diamantes em Poxoréu, Torixoréu e outras localidades. Era um dos maiores comerciantes da pedra preciosa no país e voava continuamente para seus garimpos. Eu era sócio minoritário da Brilhante Joias em Campo Grande, de sua propriedade, e voei muitas vezes de Campo Grande para Coxim em seu avião. Meu amado amigo Chico veio a falecer muitos anos depois em um acidente aéreo pilotando seu próprio avião em MT.
Através do Alípio conheci o Cel. Aral Cardoso, cuja mãe recebeu um honroso título da Aeronáutica, porque seus seis filhos se tornaram pilotos, alguns militares e outros civis. Tenho um livro que conta a história da família, e através do Aral fui apresentado ao Angelo Coló, de família sorocabana e que era o agente da Vasp na cidade. Nos tornamos bons amigos. Coló era conhecido do Comte. Rolim, da TAM, e este lhe ofereceu a representação da sua empresa aérea. O contrato com a Vasp não permitia, ele me apresentou ao Comte. Rolim e acabei me tornando o agente da TAM em Campo Grande, Três Lagoas e Ilha Solteira, e passei a voar com frequência nos apertados aviões Bandeirantes e depois nos Fokker.
Os voos para São Paulo através de Araçatuba e Bauru ou através de Londrina eram diários, exceto aos domingos. O Bandeirante chegava a Campo Grande no sábado e decolava na segunda. Tive a ideia de fazer uma conexão para Porto Murtinho, um dos paraísos de pesca no Brasil, em parceria com um belíssimo hotel na beira do Rio Paraguai que pertencia à família Baís. O voo levava o grupo de pescadores no sábado para uma semana de pescaria e trazia de volta o grupo da semana anterior. Na primeira temporada de pesca a linha foi um sucesso, mas fora da temporada não havia demanda e Rolim acabou por desativá-la. Foi o fim de minha efêmera experiência como empreendedor aéreo. Ainda permaneci como agente da TAM por alguns anos, mas eu tinha outros negócios em vista, montei uma loja e a agência tomava tempo demais. Pesei os prós e contras e devolvi a representação, mas permaneci amigo do Comte. Rolim até a sua morte em Pedro Juan Caballero.
A TAM tinha sua agência principal na Av. S. Luiz com a Major Quedinho, na galeria do prédio onde funcionava o Hotel Jaraguá e o jornal O Estado de S. Paulo, e Rolim que era louco pela Pantanal me pediu para organizar uma exposição de fotografias na agência com um coquetel, quando da inauguração da linha de Porto Murtinho. Ele convidaria a imprensa para documentar. Organizei um belo evento e recebi da TAM um voucher para hospedagem no Hotel Hilton, que era próximo e dava para ir a pé. Depois da festa, ao retornar ao hotel descobri que o frigobar estava trancado. Liguei para a portaria e alguém me disse, que por estar hospedado como cortesia, não tinha direito ao frigobar.
Comentei o fato com o Comandante no dia seguinte e ele ligou para o gerente do hotel dizendo que quando dava uma cortesia de voo para os funcionários do hotel ele não mandava cortar o lanche servido nos aviões e me orientou a descrever o fato numa carta que iria encaminhar. Fiz isso e a partir daí passei a ser assediado pela gerência do Hilton me convidando insistentemente para voltar ao hotel. Retornei a SP dois meses depois e fui atender o convite. Já havia uma ficha minha com um enorme carimbo VIP. Fui encaminhado para uma suíte maravilhosa cuja cama tinha uns 3x3 mts. Havia uma grande cesta de frutas no quarto, vinho, champanhe e uma necessaire com todo tipo de perfumarias e cosméticos personalizados, um bilhete dizendo que tudo era cortesia e ainda um convite para jantar com o gerente. Durante o jantar o gerente me contou que a carta havia pousado na matriz nos Estados Unidos e por se tratar de documento enviado pelo dono da maior empresa aérea do país criou uma revolução. A ordem era que eu, a vítima, deveria me retratar por escrito ou as consequências seriam sérias. Por isso aquela mordomia toda. Passei uns três dias com vida de milionário, escrevi a tal carta dizendo que estava satisfeito e nunca mais voltei ao Hilton, mas devo destacar o cuidado com que eles tratam o hóspede desde a matriz e o enorme prestígio internacional do Comte. Rolim. Vi ainda outras coisas com o Comte., um notório paquerador, mas o respeito à sua memória e a sua família jamais permitirão que eu as conte.

QUAL É O SEGREDO DA MAÇONARIA?


QUAL É O SEGREDO DA MAÇONARIA?


Trinta e cinco autores de boa reputação no universo maçonico brasileiro foram convidados para participar desta obra, todos escrevendo sobre o mesmo tema: Qual é o segredo da maçonaria? A multiplicidade de visoes a respeito de um dos temas mais recorrentes da Ordem torna a leitura deste livro muito interessante, Eu escrevi um dos artigos e vou publicá-lo oportunamente neste blog.

AS LIÇÕES DA ARCA DE NOÉ


AS LIÇÕES DA ARCA DE NOÉ – Os ensinamentos para um relacionamento feliz – Através da história de vários casais reais, que enfrentaram dificuldades em seus relacionamentos, um sábio judeu vai ensinando, através das metáforas da viagem da Arca de Noé, os preceitos que permitem mehorar um relacionamento e enfrentar a depressão causada pela quarentena. A Arca permaneceu 377 dias em isolamento. As cunhadas adoram este livro. Adquira em  http://space.hotmart.com/michaelwinetzki 

Curiosidades sobre o Hino da Maçonaria



Da luz que de si difunde
Sagrada Filosofia
Surgiu no mundo assombrado
A pura Maçonaria
 
A Idade Média é considerada a “idade das trevas”, os “mil anos de escuridão”, pois a Igreja Católica impedia a evolução da ciência e controlava a educação, promovendo a submissão da razão em nome da fé. Após o fim da Idade Média, tem-se a Idade Moderna, na qual surgiram o Iluminismo e a Maçonaria. A Maçonaria é considerada, junto de outras instituições, a responsável pela difusão do ideal de livre busca da verdade.

Maçons, alerta!  ]
Tendes firmeza  ]     Refrão
Vingais direitos  ]
Da natureza       ]
 
Os “direitos da natureza” são os direitos naturais, defendidos pelos jusnaturalistas. Trata-se dos direitos considerados próprios do ser humano, independente de época e lugar. Entre esses direitos, destaca-se os direitos a vida, a liberdade, a resistência à opressão, e a busca da felicidade. Esses direitos foram, em outras épocas, tomados do homem através da tirania e do fanatismo. E cada maçom deve defendê-los.
 
Da razão parto sublime
Sacros cultos merecia
Altos heróis adoraram
A pura Maçonaria
 
A alegoria da caverna, de Platão, mostra o homem cego e acorrentado pelas amarras da ignorância, e ensina que a descoberta do mundo deve se dar de forma gradativa. O homem ao sair da caverna sofre como um recém-nascido quando do parto, mas ambos ganham um mundo novo. Após os anos de “mundo assombrado”, a humanidade assiste o nascimento da Maçonaria, uma Ordem cujos ritos cultuam a razão, retirando homens da caverna da ignorância e dando-lhes a luz de uma nova vida. Talvez por isso da Maçonaria ser berço de tantos heróis e libertadores.
 
(Refrão)
 
Da razão suntuoso Templo
Um grande Rei erigia
Foi então instituída
A pura Maçonaria
 
O grande Rei erigindo um suntuoso Templo da razão é o Rei Salomão, tido como possuidor de toda a sabedoria. E é da construção de seu templo que alegoricamente foi instituída a Maçonaria, visto ter na lenda dessa construção o terreno fértil para a transmissão de muitos de seus ensinamentos.  
 
(Refrão)
 
Nobres inventos não morrem
Vencem do tempo a porfia
Há de séculos afrontar
A pura Maçonaria
 
“Porfia” significa “disputa”. Apenas as ideias nobres vencem a disputa contra o tempo. A Maçonaria, por sua nobreza de ideais, tem sobrevivido ao passar dos séculos, ao contrário de muitas outras instituições que sucumbiram diante do tempo, sempre implacável.
 
(Refrão)
 
Humanos sacros direitos
Que calcara a tirania
Vai ufana restaurando
A pura Maçonaria
 
“Calcar” significa “pisotear”, “esmagar”, enquanto que “ufana” significa “orgulhosa”, “triunfante”. Em outras palavras, a estrofe diz que: a pura Maçonaria vai triunfante restaurando os sagrados direitos humanos que foram pisoteados pela tirania.
 
(Refrão)
 
Da luz depósito augusto
Recatando a hipocrisia
Guarda em si com o zelo santo
A pura Maçonaria

A Maçonaria guarda em si, com o devido cuidado, a luz da razão. Em seu interior, a hipocrisia vai sendo “recatada” (envergonhada), enquanto que a verdade é exaltada. A razão, duas vezes citada no hino, está diretamente ligada à verdade, esta o oposto da hipocrisia, pois não existe razão sem verdade, assim como a verdade só é encontrada com a razão. 

(Refrão)
 
Cautelosa esconde e nega
À profana gente ímpia
Seus Mistérios majestosos
A pura Maçonaria
 
A Maçonaria mantém seu caráter sigiloso e grupo seleto em proteção de seus augustos mistérios, para que aquelas pessoas ofensivas ao que é digno não possam alcançá-los.
 
(Refrão)
 
Do mundo o Grande Arquiteto
Que o mesmo mundo alumia
Propício, protege e ampara
A pura Maçonaria
 
E por fim, a Maçonaria é posta como instituição sagrada, da qual o próprio Grande Arquiteto do Universo é favorável, e por isso a protege.
 
(Refrão)
 
 
COMENTÁRIOS FINAIS:
Questão interessante sobre esse Hino, que recebeu o nome genérico de “Hino da Maçonaria” por não ter sido originalmente nomeado, é quanto a sua autoria. Várias fontes maçônicas o colocam como sendo letra e música de D. Pedro I. Não há documento algum que corrobore com essa teoria. Outras tantas fontes, inclusive o GOB, apontam o autor como sendo Otaviano Bastos, o que é impossível. O próprio Otaviano escreveu em sua obra “Pequena Enciclopédia Maçônica” que a música é de D. Pedro I, mas a letra é de autor desconhecido.
Há ainda outra questão relacionada ao hino e que merece atenção. Alguns escritores que se propuseram a interpretar o hino, ao se depararem com o termo “recatando a hipocrisia”, não compreendendo seu real significado, cometeram o gravíssimo erro de modificar a letra do hino para “recatada da hipocrisia”, de forma que o hino pudesse se encaixar devidamente aos seus entendimentos, em vez do contrário. Ora, imagine modificar a letra de um hino musicado por D. Pedro I, cujo valor histórico e maçônico é incalculável, para se alcançar a interpretação desejada… é o que podemos chamar de “estupro da história”.
 
CONSULTAS:
GUIMARÃES, José Maurício: Dissecando o Hino da Maçonaria. Portal “Formadores de Opinião” e Portal “Samaúma”.
RIBEIRO, João Guilherme da C.: O Livro dos Dias 2012. 16a Edição. Infinity.
RUP, Rodolfo: O Hino Maçônico Brasileiro. Portal Maçônico “Samaúma”.
Hino da Maçonaria
 

NÃO JULGUE SEM CONHECER

 Pense antes de responder, conheça antes de julgar. Nestes tempos de pandemia, informações desencontradas e contra informações frequentes eu...