outubro 28, 2025

EFEITO FLYNN REVERSO NA MAÇONARIA - Kennyo Ismail


O mundo está ficando menos inteligente. 

E isso não é uma afirmação vazia... 

Nos últimos anos, dezenas de estudos realizados nos mais diferentes países têm mostrado que, após décadas de crescimento contínuo na inteligência média da população (o chamado Efeito Flynn), os resultados começaram a despencar.

O Efeito Flynn, ou seja, o aumento contínuo da inteligência média, era explicado pela melhoria no consumo de nutrientes, mais investimentos em educação e crescente estímulo nos ambientes sociais. 

E não coincidentemente, o aumento da inteligência média sempre esteve diretamente relacionado com o aumento do hábito de leitura.  

Já essa reversão no Efeito Flynn, ou seja, o emburrecimento geral, seria consequência de mudanças nos hábitos, com crianças, adolescentes e adultos a cada dia com mais horas diárias frente a uma tela (televisão, celular, computador, tablet), consumindo informação audiovisual em vez de leitura.

E por que a leitura estaria relacionada com a inteligência? 

Quando se lê, exige-se um esforço cognitivo maior para se compreender e imaginar do que o consumo audiovisual, que praticamente não exige esforço algum. 

É por isso que, para alguns, ler “dá sono”, mas maratonar uma série na TV, não. 

Ainda, a leitura gera um aumento de vocabulário, que também está diretamente relacionado à inteligência. 

Nós, humanos, somos seres sociais, com uma existência baseada em relações interpessoais, partindo da família, até a sociedade em geral. 

E toda interação é quase em sua totalidade feita por meio das palavras. 

Assim, quanto mais palavras você sabe, mais coisas (e mais complexas) aprende e compreende, e melhor se comunica. 

Com isso, tem-se uma evolução das ideias, teorias e, consequentemente, das ciências.

Se esse ritmo de queda na inteligência média continuar, acredita-se que a próxima geração de adultos ficará na média considerada “baixa inteligência” e que chamamos popularmente de “lesados”. 

No caso do Brasil, que tem em torno de 30% da população analfabeta funcional e enfrenta gradativa redução nos investimentos em educação, as consequências poderão ser desastrosas e permanentes.  

Ainda mais, considerando a quantidade de livrarias que fecham suas portas todos os anos, o aumento absurdo no preço do papel e, se não bastasse, esforços governamentais para tributar livros, que eram isentos no Brasil desde a década de 40.

As consequências da redução na inteligência média já podem ser vistas por aí. 

Entre elas, alguns pesquisadores apontam o crescimento do “viés de confirmação”: 

quando pessoas somente acreditam naquilo que está de acordo com suas crenças e opiniões, rejeitando todos os fatos e argumentos racionais contrários. 

Isso leva à simplificação de questões complexas, polarização de temas originalmente multifacetados, proliferação de fake-news e de teorias conspiratórias, dentre outros males.

Sem inteligência, também não há senso crítico, que é a capacidade de analisar questões racionalmente, sem aceitar de modo automático as informações ou opiniões de terceiros. 

E sem senso crítico, não há a tão mencionada busca da verdade; bem como o combate à ignorância, à intolerância e ao fanatismo; ambos objetivos da Maçonaria.

Um indício claro da falta de senso crítico num ambiente maçônico é a adoção e repetição de termos prontos, mesmo quando fogem da normalidade.

Por exemplo: 

_ “Eu estou Venerável Mestre da Loja XYZ”. 

Quem fala assim, “eu estou gerente da empresa tal”? 

O normal é “eu sou gerente da empresa tal”. É assim que adultos falam! Como tantos irmãos podem cair no argumento infantil de que isso parece ruim? 

O verbo “ser”, conjugado no presente, indica apresentação em determinada posição ou condição atual (que é o caso de um VM). 

Já o verbo “estar”, quando empregado assim, presume permanência breve e passageira: “estou na rua e logo chegarei em casa”. 

Não se aplica a um cargo que se ocupa por um ano ou mais!  

_ Outro exemplo é a condenação daqueles que dizem “ontem fui para reunião da minha loja”, pelo argumento, mais uma vez infantil, de que o termo “minha” é negativo, pois passa a ideia de que você é ou quer ser o dono da loja. 

Conforme o dicionário, “minha” também se refere a uma pessoa que pertence ou faz parte de algo. 

Ou seja, que não é dono, mas membro, como em uma Loja.

_ E como não mencionar o famoso e, ao mesmo tempo, falacioso termo “sou um eterno aprendiz”? 

Por que não mudamos então os nomes dos três graus simbólicos para Aprendiz I, Aprendiz II e Aprendiz III? 

Aprendiz é aquele que é novato em um ofício. 

Quando você tem mais de dez anos de Ordem, foi Venerável Mestre (“foi”, não “esteve”) e fala que é “um eterno aprendiz”, está apenas dizendo que é um falso modesto, que fere em seu discurso o sistema hierárquico educacional das antigas corporações de ofício, tão bem preservado na Maçonaria, apenas para parecer humilde.

_ E ainda há a clássica: “a Maçonaria é perfeita”

Então por que todo ano tem mudança na legislação maçônica e em algum ritual??? 

A Maçonaria não está em constante melhoria? 

Como uma instituição criada pelos homens pode ser perfeita? 

Se assim for, todas as instituições não são tão perfeitas quanto a Maçonaria? 

E para piorar, dessa nasceu aquela “mulher não entra na Maçonaria porque já é perfeita”. 

Tudo conversa pra boi dormir...

Agora, exerça seu viés de confirmação e faça interpretações tendenciosas para defender a manutenção do uso desses termos, tão esdrúxulos à luz do menor senso crítico. 

Assim, apenas reforçará ainda mais esta teoria do Efeito Flynn Reverso na Maçonaria.



CONVITE - Jorge Gonçalves


Um homem comum entra vendado à porta do Templo em busca da Luz da razão. Três pancadas ecoam, e ele é recebido com a ponta fria das espadas sobre o peito. Assim começa sua jornada.

Fica na Coluna do Norte, onde a Luz é mais suave, para aprender a ver sem se ofuscar. No Rito Moderno, senta-se junto à Coluna J e trabalha do meio-dia à meia-noite, esperando, ouvindo e lapidando em silêncio a própria Pedra Bruta.

A Maçonaria, que o acolhe, é uma escola de aperfeiçoamento moral e de liberdade total de pensamento.

Convidamos todos os Irmãos para a Instrução do Primeiro Grau do Rito Moderno, uma noite de reflexão, aprendizado e fraternidade.

*Jorge Gonçalves*

outubro 27, 2025

IN HOC SIGNO VINCIS - Sidnei Godinho



Em 27 de outubro de 312, Constantino teve uma visão, às vésperas da Batalha sobre a Ponte Milvio, onde em uma cruz, iluminada pelo Sol, apareciam as letras XP (Cristo) com a frase: In Hoc Signo Vincis (Sob Este Signo Vencerás)..

E a partir de então, a história da humanidade ficou marcada por este *27 de Outubro*, pois ali ele iniciara sua conversão ao Cristianismo, levando consigo todo o Império Romano. 

Pela primeira vez, um exército era agora composto oficialmente por cristãos que guerreavam em nome de seu Único DEUS. 

Essa visão premonitória de Constantino reescreveu a história da humanidade ao conciliar, ainda que de forma singela e inicial, pagãos e Cristãos motivados por um mesmo ideal de defender e conquistar, sob o comando de um Augusto César. 

Cerca de 20 anos após este dia, fragilizado por uma enfermidade, Constantino se define como Cristão e é Batizado antes de morrer. 

Mais tarde o Imperador Bizantino declarou o Cristianismo como religião oficial romana e baniu os cultos pagãos e desde então é a religião que mais cresce no mundo. 

A maçonaria é laica no contexto da adoração, mas adota os princípios cristãos na maior parte de seus ritos praticados, sendo Teístas ou Deístas e principalmente nos graus filosóficos do REAA. 

A civilização ocidental deve grande parte da história de sua formação social àquele sonho de Constantino e à sua interpretação. 

*Não basta apenas ser um oráculo, é preciso SABEDORIA para interpretar, HUMILDADE para se sujeitar e CORAGEM para realizar mudanças.*





CAPTAÇÃO X EVASÃO - Almir Sant'Anna Cruz



A preservação da Maçonaria como instituição depende, como qualquer outra, fundamentalmente do fluxo renovado de novos associados, de novos iniciados. 

Todavia, por suas características excepcionais, prioriza-se o fluxo qualitativo em detrimento do fluxo quantitativo de novos adeptos. 

Não basta querer entrar para a Maçonaria; é preciso merecer, ser escolhido e convidado por um Mestre Maçom, após atenta observação de seus procedimentos na sociedade.

É fato que nas últimas décadas o interesse em ingressar nos nossos quadros vem minguando a olhos vistos, por inúmeras razões que não caberiam aqui ser explicitadas.

Daí que muitas Obediências, pelo mundo todo, passaram a utilizar um método antes severamente criticado, por ser amplamente utilizado por Potências consideradas irregulares e espúrias de "correr atrás de candidatos", através de convites por seus sites e Internet.

Se a estratégia está funcionando, não posso afirmar.

Todavia, parece que esse declínio no interesse em ingressar na Maçonaria não é só dos profanos. 

Também  os já iniciados, por inúmeros motivos estão deixando de participar dos trabalhos em sua Loja e o que está se vendo,  independentemente de Potência, são Lojas com sérias dificuldades para completar o quórum mínimo para abrir uma sessão (basta ver as fotos tiradas nas Lojas, com reduzido número de irmãos, mesmo reforçadas com visitantes).

Para concluir, penso que formular estratégias para captar novos irmãos não é mais importante do que formular meios e modos para manter o que já temos. 

A evasão é gigantesca e se não se resolver essa questão a captação será neutralizada pela evasão.

MAÇONARIA–PROTAGONISTA OU COADJUVANTE (DA REVOLUÇÃO FRANCESA)? - Rogério Oliveira



Acostumamo-nos a ouvir e ler que a Maçonaria foi atuante na Revolução Francesa e que o Lema: Liberdade – Igualdade – Fraternidade foi criado pela Ordem.

• São verdadeiras estas afirmações?

• A Maçonaria foi Protagonista ou Coadjuvante neste evento?

Ao apresentarmos estas perguntas, poderemos chegar aos seguintes resultados:

• Críticas dos que creem na imutabilidade dos fatos! O que foi dito e aprendido é regra! Não se contesta!;

• Incentivo aos pesquisadores e buscadores de conhecimento;

• Crescimento da cultura maçónica!.

Possivelmente haverá inúmeras outras possibilidades, mas tudo isto fará com que haja uma movimentação para o conhecimento,  para o fomento da cultura, portanto o resultado será positivo.

Vamos ao nosso tema.

Muitos acreditam – Profanos ou Maçons – que a divisa Liberdade – Igualdade – Fraternidade era da Maçonaria e que foi utilizada pela Revolução Francesa, quando na verdade foi o contrário, ou seja, era uma trilogia da Revolução Francesa que passou a ser usada pela Maçonaria.

Esta confusão teve início com a publicação, em 1797, do livro “Memórias que Contribuem para a História do Jacobinismo” de autoria do Padre jesuíta Augustin Barruel (1741-1820), que contou que a Revolução Francesa foi planejada pela Maçonaria. 

É um fato de que muitos revolucionários eram Maçons, da mesma forma que muitos foram decapitados durante a Revolução. 

Na Inglaterra e no Ritual de Emulação (no Brasil conhecido como Rito de York – GOB:.) tal trilogia não é usada, sendo própria dos Ritos criados em França.

As fontes de Barruel foram examinadas por A. Viatte, que demonstrou o absurdo da sua tese. 

Apesar disso, decorridos mais de 200 anos, ainda se repete o devaneio desse personagem, que foi classificado por Rivarol nos seguintes termos: “A natureza fizera dele um tolo. A vaidade faria dele um monstro”.

O Ir:. Nicola Aslan, no “Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia” diz que no livro “Les Francs-Maçons”, o autor, Serge Hutin, afirma que no livro antimaçónico “Les Francs-Masons Ecrasés (Os Franco-Maçons Esmagados)”, de 1746, constava a divisa, mas, na verdade, um trecho fala apenas de Igualdade e não da trilogia.

O historiador francês Louis Blanc e outros autores atribuem o lema a Louis-Claude de Saint- Martin, o “filósofo desconhecido”, mas no trecho por ele citado, Saint-Martin fala apenas de três dimensões nos corpos, três divisões na extensão dos seres, três figuras na geometria, três graus na Maçonaria, mas não emprega uma única vez a trilogia Liberdade-Igualdade-Fraternidade.

O Ir:. Francês Alec Mellor no “Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons” expressou-se assim sobre este tema: 

_“É inteiramente falso que esta divisa republicana seja de origem maçónica. 

A senhora B. F. Hyslop examinou uma boa quantidade de diplomas maçónicos emitidos de 1771 a 1799 na Biblioteca Nacional. 

Encontrou somente dois nos quais as três palavras encontravam-se unidas. 

Quase todas comportavam “Sabedoria-Força-União”, ou falavam do Templo onde reinavam “o Silêncio, a União e a Paz” (v. Annales historiques de la Revolucion française [Anais históricos da Revolução francesa], Janeiro, 1951, p. 7). 

A 1ª República empregou bastante a divisa “Liberdade, Igualdade ou Morte”, mas não é preciso dizer que tal programa ideológico jamais foi o da Franco-Maçonaria. 

Somente na 2ª República (1848-1852) aparece a ‘divisa tripla’ (…)”

Encerramos o nosso artigo na esperança de ter conseguido a sua atenção, bem como instigá-lo a questionar e acrescentar dúvidas e melhor ainda, ter sido um tempo bem empregado, o de sua leitura.

“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade, do que as mentiras.”

(Friedrich Nietzsche) 




Rogério Oliveira M.'.M.'.

outubro 26, 2025

AREÓPAGO VIRTUAL - Adilson Zotovici

 



Qual reluz  em noite cultural

Na tela em sala silente

Conduz-se,  usual, prudente

Revela gala habitual

  

Seguindo o passo vigente

Em compasso à forma atual

À remoto Oriente ou local

Voto cultural à sua gente


São Livres pedreiros afinal

E faz jus Mestre sapiente

QueTraz Luz ao canteiro laboral


“Areópago” d’Arte Real

Comparte “douto”, diligente...

A *Augusta Loja Virtual* !!!


Adilson Zotovici da AMVBL,

 tributo às ARLSV

Lux In Tenebris-47  ( *LIT47*) & 

Luz e Conhecimento-103(*LEC103*) 

e Lives maçônicas, Liceu 394, Urânia, Epaminondas, Grupo Virtual de Estudos Maçônicos, ...

ESOTERISMO–UMA QUESTÃO DE GRAUS - Arturo de Hoyos (Tradução de António Jorge)



A Maçonaria é ou não é esotérica? 

A resposta curta é “Sim, não, talvez"

Por definição, esoterismo é qualquer tópico “destinado ou susceptível de ser compreendido apenas por um pequeno número de pessoas com um conhecimento ou interesse especializado”. 

Isto aplica-se certamente à Maçonaria. 

Mas a um nível mais profundo, e num contexto maçónico, é normalmente entendido como significando que as nossas cerimónias e rituais aludem a realidades e/ou verdades que não são geralmente compreendidas, ou que podem ter uma componente espiritual.

O termo é manchado para algumas pessoas, e aceitável para outras; por isso, pode não ser fácil aceitar ou descartar totalmente o termo “maçonaria esotérica”. 

Como uma cebola, cada camada “esotérica” vai-se construindo sucessivamente sobre a outra. 

Podemos todos concordar que a Maçonaria se destina a ser compreendida por poucos, e que é um tipo de conhecimento especializado.

Mas as questões são: que tipo de conhecimento especializado e se são verdadeiros “segredos”? 

Dependendo das inclinações de cada um, o grau de Mestre Maçom tem sido interpretado de várias maneiras diferentes por diferentes pessoas. 

Para alguns, é uma história de fidelidade; para outros, ensina a esperança na imortalidade da alma; para outros ainda, é uma lição de alquimia; e para outros ainda, alude à descoberta dos enteógenos. 

Alguns vêem-no como multifacetado, ou uma combinação de várias coisas. 

Mas devemos evitar tentar consagrar a nossa interpretação como a “verdadeira”.

Desde 1717 foram criados mais de 1000 graus “maçónicos”. 

Os mais populares sobreviveram e estão incluídos em muitos dos Ritos, Ordens e Sistemas que conhecemos actualmente. 

Tal como uma refeição, cada grau é tão bom quanto o seu criador. 

A receita pode incluir muitos dos mesmos ingredientes de outras refeições, mas ter um sabor completamente diferente. 

Por analogia, podemos ver muitos dos mesmos “ingredientes” (características) num certo número de graus, que ensinam coisas completamente diferentes.

As predileções do autor de um curso afetam o conteúdo tanto como as papilas gustativas de um chefe de cozinha. 

Assim, o “sabor” dos Graus Fundamentais de Ofício em vários ritos, ordens e sistemas (Webb working, Rito Escocês, Rito de York, Rito Sueco, R.E.R., etc.), difere imensamente. 

E nos “graus superiores”, as diferenças são ainda mais dramáticas e pronunciadas: alguns são filosóficos, outros práticos; alguns apresentam alegorias, e outros oferecem discursos sobre simbolismo ou temas (quase) históricos. 

Em algo como o Rito Escocês, o mesmo grau pode ter rituais dramaticamente diferentes, dependendo da jurisdição (compare, por exemplo, o 20º grau na Jurisdição do Sul e na Jurisdição Maçónica do Norte – não são nada parecidos).(EUA 🇺🇸) 

Mas, quando alguém se descreve como um “maçom esotérico”, isso significa frequentemente que ele vê, e abraça, o que parecem ser aspectos da “Tradição Esotérica Ocidental” nos nossos rituais; i.e., alguma afinidade com o simbolismo do Hermetismo, Gnosticismo, Neoplatonismo, Cabala, etc.

A Maçonaria é uma organização eclética e, em várias ocasiões, tomámos emprestada a linguagem e os símbolos destas e de outras tradições. 

A questão é: “Os nossos rituais ensinam estas coisas como ‘realidades’ ou usamo-las para estimular o pensamento – ou ambas?” 

Somos sabiamente aconselhados a não confundir um símbolo com a coisa simbolizada, mas, em alguns casos, acredito que foi isso que aconteceu. 

Noutros casos, creio que temos de fato vestígios de outras tradições. 

Mas mesmo quando existem, podem ter apenas uma camada de espessura na nossa cebola maçônica.

O problema é duplo: alguns negam quaisquer influências esotéricas, ou afirmam que são apenas usadas simbolicamente, enquanto outros afirmam que é a camada principal da cebola. 

Se a questão está aberta à interpretação (não definida pelo próprio ritual), quem tem o direito de decidir?

Uma coisa nós sabemos: muitos dos símbolos da Maçonaria foram usados antes da existência da fraternidade moderna (1717) e apareceram numa variedade de livros. 

Alguns eram educativos e filosóficos (como os livros Choice Emblems), outros eram de fato herméticos (por exemplo, textos alquímicos). 

Como já disse, somos uma organização eclética. 

Quantas vezes já viu o esquadro e o compasso ou o olho que tudo vê serem usados e abusados em Hollywood e noutros lugares porque parecem “interessantes”?

Bem, estou disposto a apostar que pelo menos alguns dos nossos símbolos migraram para a fraternidade da mesma forma. 

Um fabricante de graus desconhecido, nos anos 1700, viu algo que lhe pareceu legal e introduziu-o no ritual. 

Não é necessariamente mau, mas 225 anos depois a sua predileção pessoal transforma-se num debate. 

É certo que há exemplos claros de empréstimos de textos esotéricos. 

Por exemplo, tenho conhecimento de uma versão mais antiga (início de 1800) de um grau do Rito Escocês, que inclui uma grande parte extraída da obra De Occulta Philosophia (1531-33) de Cornelius Agrippa. 

Se me perguntassem se esse grau era esotérico, eu diria “sim”, enquanto que para o seu equivalente numa versão posterior ou noutro Supremo Conselho, eu diria “não”.

O que quero dizer é que devemos parar de discutir essas coisas e encontrar o terreno comum onde “podemos trabalhar melhor e concordar melhor”. 

*Se o esoterismo lhe interessa, tudo bem; se não, também não há problema.*

A minha biblioteca pessoal está bem abastecida com material suficiente de ambos os lados para fazer qualquer pessoa pensar a favor ou contra qualquer posição.

O importante é ter uma boa formação e compreender primeiro o que sabemos. 

Antes de alcançar as estrelas, certifique-se de que tem os pés bem assentes no chão. 

• Torne-se em alguém que possa ser levado a sério. 

• Aprenda os fatos sobre as nossas origens com base no que sabemos.

Por vezes falo de “registos históricos” versus “documentos histéricos”. 

Antes de acreditarem em fantasias como “a Maçonaria descende dos antigos egípcios”, aprendam rapidamente o básico. 

Quando puder falar inteligentemente sobre as Old Charges (Constituições Góticas), a Maçonaria primitiva na Escócia, a formação da primeira Grande Loja, e como e quando os graus se desenvolveram, as pessoas podem estar inclinadas a ouvi-lo, quando começar a falar sobre coisas mais exóticas.

*Educai-vos suficientemente bem para argumentar em ambos os lados da questão.*

Tomem a devida atenção e governem-se de acordo com isso.





O MOVIMENTO APARENTE DO SOL - Jorge Gonçalves

Aqui você pode assistir a uma das melhores palestras maçônicas já feitas no Brasil.


*O Movimento Aparente do Sol observado da Coluna do Norte*


     Por que tantos Aprendizes deixam a Maçonaria antes mesmo de chegar ao Terceiro Grau? Nosso método de ensino ainda é eficiente nesta geração hiperconectada? E o silêncio imposto em alguns ritos seria realmente um instrumento de reflexão ou um obstáculo à permanência do Aprendiz?

     Fui admitido tardiamente na Maçonaria e, talvez por minha formação em Física, sempre fiz muitas perguntas, mas, no meu caso, poucas foram respondidas. Por livre e espontânea vontade, decidi permanecer em silêncio por mais de um ano, apenas observando. Nesse tempo, percebi o quanto ainda precisamos melhorar a forma como ensinamos nossos Aprendizes.

     A literatura maçônica no Brasil ainda carece de referências sólidas e confiáveis. Certamente, o Aprendiz, diante de tantas perguntas que não são respondidas, e aqui não falo de segredos de outro grau, mas de perguntas elementares, pode acabar desanimando.

     Diante desse dilema, com tantas inquietações não respondidas, o Aprendiz pode se ver entre desistir ou estudar por conta própria. Não é possível fazer uma generalização para todos os casos, mas posso relatar a minha experiência.

     Em anexo está minha primeira impressão, ainda enquanto Aprendiz sobre a Maçonaria, enquanto ficava em silêncio observando. É óbvio que, quando a revejo hoje, percebo como era simples e rudimentar, mas também profundamente significativa para mim. Um retrato sincero de um Aprendiz que buscava compreender esse universo tão complexo que é a Maçonaria.

     Eu a chamei de *O Movimento Aparente do Sol observado da Coluna do Norte.*

*Jorge Gonçalves*

outubro 25, 2025

COLIGAÇÃO DAS LOJAS DA BAIXADA SANTISTA



Ocorreu na noite de ontem mais uma reunião mensal da Coligação das Lojas da Baixada Santista, presidida pelo irmão José Carballido Dominguez, com a presença de grande número de Veneráveis Mestres de toda a região. A Coligação, que reúne Lojas de todas as potências presta relevantes serviços aos seus associados, um dos quais é um pecúlio auxilio-funeral, tanto por ocasião do óbito do irmão, como também da cunhada.

O evento aconteceu no magnífico templo da ARLS Fraternidade de Santos n. 132, fundada em 1853. A Loja mantém há 118 anos uma creche e ha 103 anos um asilo. Ainda tem uma sala de memória, como se fosse um museu, deste mais de século e meio de trabalhos em benefício da sociedade santista. Entre outras peças notáveis está uma espada que pertenceu ao Duque de Caxias.

O ponto alto da reunião foi a palestra do polimata  irmão Oduwaldo Álvaro, com o título "Ritos Maçônicos praticados no Brasil em 2025." O extenso trabalho de pesquisa trouxe muitas informações e proporcionou uma ampla visão sobre os ritos e rituais praticados no Brasil.

Um delicioso jantar encerrou a reunião.

NULLIUS IN VERBA (“NAS PALAVRAS DE NINGUÉM”) - Alexandre Fortes


Traduzido do latim por “Nas palavras de Ninguém” ou “Sem palavras”, “Nullius in Verba” é o lema da Royal Society, que apesar de não ser uma instituição maçónica, é também uma histórica instituição de Londres. 

A Royal Society foi fundada no século XVII, em 28 de Novembro de 1660, em que foi concedida uma carta régia pelo rei Carlos II como The Royal Society e é a mais antiga academia científica continuamente existente no mundo. 

Já teve Robert Moray, Isaac Newton, Christopher Wren e outros como presidentes, e que nos ensina uma valiosa lição: *É preciso ler! É preciso verificar!*

Basicamente o termo em latim nullius in verba significa não crer em coisa alguma apenas pelas palavras e sim utilizando o método científico, verificável, comprovável, escrito. 

E isso nos conduz a uma uniformidade consciente e provável daquilo que é enquanto é; daquilo que é fidedigno!

É preciso verificar, é preciso ler, é preciso ver o que está escrito! 

E isso é deveras importante, sobretudo quando se trata de Maçonaria, de ritualística. 

Tanto para compreender, aprender, e praticar o que está previsto nos nossos Rituais Maçónicos, sem enxertos, sem miscelâneas, sem misturas de ritos ou “macarronadas” de ritos, ou “saladas” ritualísticas e de expressões de diversos Ritos Maçónicos, e outros quejandos… 

É preciso buscar nos Rituais Maçónicos o como é feito, e, fazer corretamente. 

É preciso ler! 

É preciso verificar!

Esta máxima lição de nullius in verba nos adverte e previne sobre não exactamente acreditar, cegamente, (preguiçosa ou indolentemente), como sendo uma “absoluta verdade”, o que somente “ouvimos” e “vemos”, e pelo erro de se replicar deliberadamente o que anteriormente nos foi dito, apenas e unicamente pelo falso princípio de que “porque aqui sempre foi assim… ou, se me ‘falaram’… ou ainda, eu vi assim…, então… que é exatamente assim! 

E, como eu ‘vi’ fazerem assim, então, assim eu faço, assim deve ser, assim eu farei (…)” e sempre será assim!. 

E isto é um erro absurdo!

Posto que se assumirmos tais posturas e atitudes, certamente estaremos incorrendo em erro: o de se replicar o erro!, 

Convictamente, simplesmente porque fizeram errado anteriormente, acreditando-se que era a mais correcta e absoluta verdade a ser seguida sempre.

Onde ficariam a uniformidade e a fidedignidade do Rito Maçónico a serem seguidas?

Todos nós maçons, na liturgia maçónica, assim como na vida, todos erramos e erraremos, mesmo buscando a perfectibilidade. 

Somos seres humanos, somos falíveis. 

Mas, o mais importante não é o justificar-se, pelo facto de sermos todos seres humanos falíveis, de continuarmos errando e nos arrogando como “eternos aprendizes”. 

Mas, outrossim, devemos em verdade é procurar aprender e fazer o que é certo, e isso é o mais sublime! 

Assumirmos a consciência de desbastar as nossas pedras brutas, rugosas e ásperas, e lapidá-las ao mais belo, ao mais perfeito e brilhante possível.

Pertinente  a esta matéria, especificamente, sobre o correcto desempenhar dos trabalhos litúrgicos maçónicos, é absolutamente harmoniosa, tranquila, pacífica, a questão: tudo ali está escrito no Decreto Maçónico – Ritual; está escrito nos nossos Rituais! 

Basta ler, entender, e, fazer! 

Simples assim. 

Tão simples que se nos foge de ser crível, pelo ceticismo insipiente e pelo vício de uma prática corrente de se “fazer errado”, como se fosse algo explicado como “costume antigo na minha Loja” ou do “aqui sempre foi assim” e praticar-se um erro ou vários erros, porque simplesmente “Magister dixit” (“O Mestre disse”). 

É preciso ver onde legalmente está escrito e compreender o que fidedignamente está escrito nos nossos Rituais e fazer o que ali nos ensina e está escrito!

Erros podem ocorrer em textos e/ou palavras. 

Eventuais erros podem ocorrer em passagens, termos, e vocábulos nos rituais. 

Mas os livros doutrinários sobre os Ritos Maçónicos existem e podem, como devem, serem os instrumentos adequados para se socorrer e melhor entender, resolver possíveis e eventuais dubiedades, ambiguidades, ou erros havidos, quando estes ocorrem. 

As Potências se valem das Old Charges, dos Lankmarks, das Constituições, das práticas consagradas e registradas em Actas Maçónicas. 

Há também as Demonstrações Oficiais por Lojas de Instrução Maçónica, dos verdadeiros e legítimos costumes antigos, dos renomados maçonólogos, livros doutrinários ritualísticos para cada Rito Maçónico e de seus comités responsáveis pelas verificações dos Rituais Maçónicos. 

E, sempre, é preciso fundamentação conscienciosa até a próxima edição, correcção, nos rituais maçónicos, quando isto for passivo. 

A busca da verdade, pelo Maçom, deve ser incessante, contínua e sábia. 

Entrementes, de toda e qualquer maneira, algo é certo e indiscutível, insofismável: 


É PRECISO LER! 

É PRECISO COMPREENDER! 

É PRECISO VERIFICAR! 

É PRECISO APRENDER!



OS QUATRO ELEMENTOS - Dirceu Zamboni



Os quatro elementos são: Água, Terra, Ar e Fogo. 

A sua origem no Ocidente foi na Grécia pré-socrática, onde defendiam a ideia que a matéria se originava ora no fogo, ora na água.

Alguns Gregos da linha Pitagórica e Aristotélica acreditavam haver um quinto elemento, mais subtil e chamado de quinta-essência, ou perfeito, sendo este um elemento cósmico e não terrestre. 

Existem historiadores que creditam tal elemento aos chineses, que o chamam de elemento subtil, sabendo-se que o conhecimento científico veio do Oriente para o Ocidente.

Na Astrologia os elementos são divididos em dois grupos:

• Fogo e Ar, que são considerados Ativos (na filosofia chinesa são chamados de Yin), os signos do Fogo e Ar expressam-se no convívio social de forma reservada e com precaução.

• Terra e Água, que são considerados Passivos (na filosofia chinesa são chamados de Yang); os signos da Terra e Água são mais cautelosos e introspectivos.

Na Maçonaria os quatro elementos são representados na iniciação, sendo:

• Terra: representa o útero materno, onde o iniciado é levado a reflectir sobre uma nova concepção de ideias e comportamento, já que morreu para o mundo profano e estará renascendo para o mundo maçónico, ela é representada pela Câmara de Reflexão.

• Ar: representa o recém-nascido que trava uma batalha para chegar ao mundo, passando pelo canal vaginal (filosoficamente), saindo do mundo calmo e acolhedor do ventre uterino, chegando a um mundo completamente desconhecido e despreparado para lidar durante toda uma vida com a nossa condição terrena cheia de atribulações, anseios, alegrias, decepções, etc.

• Água: representa a purificação, onde o novo ser é limpo de toda a sujidade impregnada no seu corpo, quando do nascimento.

• Fogo: representa a chama ardente, a procura de conhecimento filosófico, que nunca deverá ser apagada, pois o verdadeiro maçon é aquele que mantém a sua chama acesa na busca da verdade.


Nas Viagens Iniciáticas


A palavra “viagem” na linguagem emblemática dos maçons diz que, os iniciados viajam do Ocidente para o Oriente e do Sul para o Norte. 

Isto equivale a dizer que os postulantes de iniciação transitam pelos quatro pontos cardeais da Terra. 

As purificações que acompanham tais viagens lembram que o homem nunca é suficientemente puro para chegar ao templo da filosofia.

_ A primeira Viagem, com o seu ruído e os seus trovões, representa o segundo elemento, o AR, que, com os seus meteoros e contínuas flutuações, é o emblema da vida, sujeita a contraditórias variações. 

O AR é o símbolo da vitalidade ou da Vida, é um emblema natural e próprio da vida humana, com as suas correntes, agitações e estagnações, o seu cansaço e energias, as suas tempestades e calmarias e as suas perturbações e equilíbrios.

Esta Viagem representa também, o progresso de um povo. 

O progresso é a vida geral da humanidade, é o seu avançar colectivo. 

Ela encontra atrasos e obstáculos, tem as suas estações e as suas noites, mas sabe vencer todos as dificuldades e tem o seu despertar.

_ A segunda viagem, é exercida pela Água, terceiro elemento da natureza. 

A purificação pela Água nada mais é do que uma espécie de “batismo filosófico”, levado a efeito com o intuito de limpar ou libertar o espírito humano das suas arestas e imperfeições morais, que mais não são que a raiz ou causa interior de todo o mal e dificuldades exteriores.

A Água simboliza o Oceano da Vida, é a purificação mental que conduz ao estado de consciência, dando forças para que a pessoa possa encontrar na Vida a parte bela e construtiva, para encontrar o amor, a satisfação de um ideal; “A Paz”.

_ A terceira viagem, o Fogo é descrito pelos sábios como princípio activo, germinativo e originador da geração. 

Os maçons definem-no como o fervor e o zelo dos militantes da Ordem.

A totalidade dos maçons tem-no como elemento que faz queimar todo o resíduo possível de impureza, destruindo, ao mesmo tempo, todos os traços de ilusão que porventura continue dominando o espírito na sua trajectória de evolução. 

Segundo a fábula, foi Prometeu, conhecido como o Génio do Fogo, quem ensinou aos homens o manejo das chamas.

As chamas simbolizam a parte positiva como as aspirações, o zelo, o fervor, a fé e, sobretudo, o desejo de evoluir, conhecer e crescer. 

A Água purifica a Alma, mas o Fogo destrói as nódoas do vício.


Conclusão


Os quatro elementos costumam-se fazer corresponder aos quatro períodos da vida humana: infância, adolescência, idade madura e velhice. 

Poderíamos ainda fazê-los corresponder aos quatro pontos cardeais, às quatro estações, às quatro idades do Mundo: idade do ouro, da prata, do bronze e do ferro, etc.

Pode-se admitir, sem grandes dificuldades, que o homem se compõe não só de um corpo e de uma alma, mas de quatro partes distintas, às quais daremos seus nomes latinos: Spiritus, Animus, Mens, Corpus. 

A cada uma dessas partes faremos corresponder um dos elementos na seguinte ordem: Fogo, Água, Ar, Terra.


Roguemos ao G∴ A∴ D∴ U∴ que apesar de nossas limitações e defeitos, nos julgue dignos de sermos elementos transformadores sociais e individuais, para a edificação própria e para a construção de um mundo melhor e mais justo e perfeito.


Bom dia meus irmãos. 🙏 


 A∴M ∴

outubro 24, 2025

ELEUTERIO NICOLAU DA CONCEIÇÃO - Jorge Gonçalves



 Hoje é aniversário do irmão Eleutério, patrimônio da Maçonaria.


Celebramos sua vida, sua obra e o legado que continua a inspirar a todos nós.

Nesta data, elevemos nossos pensamentos em prece pela sua plena recuperação. Estamos todos torcendo por você, Mestre.

 Feliz aniversário.

Jorge Gonçalves


Eleutério Nicolau da Conceição é um dos maçons mais inteligentes e cultos do país, que neste momento enfrenta difícil batalha para recuperar sua saúde. A mensagem acima, do irmão Jorge Gonçalves, representa a opinião de cada Maçom brasileiro que ouviu, leu  e aprendeu com Eleutério. Estamos todos irmanados em oração por sua saúde. Michael Winetzki 

O LUGAR MAIS IMPORTANTE DA CASA - Heitor Rodrigues Freire

 

A vida moderna, com seus encantos e confortos, tem proporcionado uma alteração significativa nos costumes e provocado paulatinamente uma transformação que se constituiu num dos pilares de desconstrução da família. Assim, a cozinha, que representava o núcleo em torno do qual a família orbitava, vem perdendo importância.

Na década de 80, quando nos Estados Unidos o hábito de se cozinhar em casa decaiu, com a tendência de comer fora e a ascensão dos fastfoods da vida, alguns economistas emitiram um alerta: “Se o governo assumir o cuidado das crianças e dos idosos, e as empresas privadas oferecerem alimentação aos funcionários, a estrutura familiar vai enfraquecer”.

Essa tendência que rapidamente se espalhou pelo mundo demonstrou que esse alerta foi desprezado, gerando não apenas uma mudança de hábito, mas também a desagregação gradativa do convívio em família.  

Os dados são alarmantes:

Em 1971, 71% dos lares americanos tinham marido, esposa e filhos vivendo juntos.

Hoje, restam apenas 20% desse tipo de família.

E o restante?

Foram para casas de repouso, apartamentos solitários ou vidas desconectadas.

   •   15% das mulheres vivem sozinhas;

   •   12% dos homens estão sozinhos dentro de famílias;

   •   41% das crianças nascem fora do casamento;

   •   Taxa de divórcio: 50% no primeiro casamento, 67% no segundo, 74% no terceiro.

Isso não é acaso — é o custo social de se fechar a cozinha. A comida caseira não é apenas nutrição — é amor, conexão e conforto.

Quando as famílias se sentam juntas para comer:

   •   Os corações se aproximam;

   •   As crianças aprendem com os mais velhos;

   •   Os relacionamentos se suavizam e se tornam calorosos.

Mas quando cada um come sozinho, fixada em seu próprio celular, a vida fica muito utilitária de modo que as casas passam a funcionar como se fossem só um lugar onde as pessoas dormem sob o mesmo teto, e as famílias se tornam tão distantes quanto amigos de redes sociais. Porque cozinhar não é apenas uma tarefa doméstica, mas um elo que mantém o sistema familiar unido.

Outras consequências de se comer na rua:

   •   Óleos de baixa qualidade;

   •   Sabores artificiais;

   •   Vício em fast food;

   •   Comida de má qualidade a preço alto.

O resultado? Obesidade, diabetes, doenças cardíacas e pressão alta ainda na juventude.

Hoje, as empresas nos dizem o que comer, e as farmacêuticas fazem negócios com a promessa de “nos manter saudáveis.”

Nossos avós levavam comida feita em casa até quando viajavam.

Hoje, achamos mais fácil pedir de fora mesmo estando em casa.

Ainda dá tempo — acenda a cozinha, não apenas o fogão… reavive os relacionamentos, o amor, a segurança, a cultura e a saúde.

Cozinhar em casa não exige ser um chef, mas demanda um pouco de empenho e planejamento. Estudos recentes reforçam que preparar a própria refeição pode garantir uma alimentação mais saudável, baseada em ingredientes naturais, e reduzir o consumo de ultraprocessados, ricos em gorduras, açúcares e sódio, que estão associados a doenças crônicas.

No entanto, as gerações atuais estão perdendo essa prática. Com a correria do dia a dia, o consumo de comidas prontas e ultraprocessadas se tornaram o hábito mais comum para pessoas que estão cansadas, e provocam uma onda de problemas na saúde que se instalam sorrateiramente. “É preciso estimular as habilidades culinárias, sobretudo entre as populações mais jovens”, dizem os especialistas.

Cozinhar é uma arte que exige empenho e dedicação, e é uma atividade que estimula a criatividade e sua prática constante cria uma grande satisfação íntima porque exalta a satisfação de fazer bem feito.

Uma cozinha une a família e estimula a união. Enfim, a cozinha é o lugar mais importante da casa.